Elena Rios não é nada do que eu esperava, o que eu odeio, porque isso me deixa no escuro sobre o que esperar dela. E Deus sabe como eu amo o controle.
Eu esperava uma mulher mais velha, não idosa, mas que ao menos tivesse passado dos trinta. Não havia sua data de nascimento no currículo, acredito que de forma proposital – a mulher que eu conheci não parece fazer nada que não tenha sido bastante calculado. Esperava alguém de óculos, cabelos alinhados mas não muito bonitos, roupas sem muita cor. A única coisa que eu sabia era que ela seria mandona.
A mulher que entrou aqui na minha sala confiante em seus saltos, com um conjunto de terno e calça azul marinho de um recorte perfeito que dão a ela uma mistura de profissionalismo, elegância e sen.suali.dade, não é o que eu esperava. Os cabelos não eram só alinhados, eram de um loiro brilhante como os raios do sol, cheirosos, com leves ondulações. Os olhos castanhos dela são grandes, firmes, fortes. E a lín.gua afiada parece sempre pronta para soltar veneno, o que parece prender minha atenção de um jeito que não estou acostumado.
Desde que Julian veio até mim com essa ideia, eu sabia que seria problema. Que Elena seria um problema. Mas como ele garantiu que ela é o que precisávamos, decidi dar um voto de confiança. Se ela conseguir o que preciso para convencer os acionistas a aceitar essa fusão e ir embora, é o bastante para mim..
Que ela leve seu nariz arrebitado, sua lín.gua e sua mente louca para longe de mim.
— Arthur? Estou falando com você, po.rra! — A voz de Julian me tira nos meus pensamentos, trazendo minha mente de volta. Meus olhos pareciam congelados olhando o nada, eu nem o vi entrar. — Estou falando com você há séculos.
— Quando você chegou? — Eu estava terrivelmente distraído com meus pensamentos, pensando... nela.
— Faz dez minutos. Não ouviu nada do que eu disse, não é? — O pior é que eu realmente não ouvi. — No que estava pensando?
— No que mais eu estaria pensando? Na fusão, é claro. — Rosno, desinteressado no que Julian está pensando, ainda mais quando vejo o sorrisinho nessa cara dele.
— Elena está na empresa, eu soube. Isso quer dizer que você a contratou.
— Hum. — Resmungo.
— E aí, como ela é? — Julian não está interessado em saber como Elena é realmente, ele pode ir lá e tirar suas próprias conclusões como sei que ele fará assim que sair daqui. Mas ele quer saber o que eu achei dela.
— Nada demais. — Evito o assunto.
— Tem certeza? — Julian assume a personalidade mais irritante que ele tem, o corpo jogado na poltrona e um sorriso de divertimento nos lábios. Eu o encaro sem muita paciência. Infelizmente Julian é o único que não consigo intimidar com minha carranca – e agora incógnita que está no meu 57° andar também. — A empresa está empolvorosa com a chegada dela, só se fala nisso. Ela é um meteoro. Posso jurar que vi a secretária tremendo elevador que assim que Elena saiu, a coitada não teve chance. Soube que além de brilhante a beleza dela deixou todos os homens desse prédio de queixo caído. Mas pode mentir se isso for deixar sua consciência mais tranquila.
Filho da p.uta.
Juro por Deus que eu tenho vontade de pegar a fa.ca que ele tem guardada e cortar sua língua fora.
— Quer a verdade? Vamos lá, eu vou te dar a verdade. Essa mulher é insolente, arrogante e incontrolável. Entrou na minha sala como se ela fosse a dona da empresa, e ainda me deu lições de moral, debaixo do meu próprio teto. — Eu coloco para fora minha raiva, tendo certeza que estou com o rosto vermelho agora. Julian levanta, gargalhando.
— Ela te enlouqueceu em dez minutos de conversa? — Ele aplaude, indo até o bar e se servindo de Whisky novamente. — Eu gostei dela.
— Chegou a ter uma conversa com ela?
— Não. Eu apenas a vi de longe.
— Por isso gosta dela. — Resmungo, expirando todo o ar de meus pulmões como se estivesse cansado. — Ela parece louca. Dar tanto acesso e poder de fogo a ela é como entregar um bisturi a alguém que tem tendências a psic.opatia e torcer que não use.
— Ela não é louca, Vane. — Toma uma dose de vez e volta para perto de mim, me fazendo franzir o cenho. O que esse homem quer? Mantenho minha postura, escondendo que é verdade, Elena não precisou de muito tempo para fazer meu cérebro voltar até ela a cada dois minutos. — Mas ela te deixa louco, não?
— Não, Julian, estou no meu total controle, como sempre. — Engulo seco, torcendo para a expressão firme convence-lo.
— Eu te conheço, meu amigo, há muitos anos. Você nunca se apaixonou na vida porque você preza por uma coisa que mulher nenhuma pôde te dar ainda, inteligência. Você tem os miolos acima da média, Vane, eu sei. Precisa se sentir desafiado o bastante para algo te manter minimamente interessado. Eu só sou seu amigo porque você e eu temos uma ligação pelo abrigo, pelo que passamos, e eu não sou tão bu.rro também . Mas você nem mesmo tem outros amigos porque ninguém é suficiente para você. — Esse homem andou se metendo com gente errada de novo e pegando algumas er.vas? Só pode. — Você nunca se interessou por mulheres fúteis, que só te oferecem aparência, que falam apenas de joias, viagens e beleza. Você até pode tran.sar com elas, mas elas não chegam nem perto de conseguirem fazer você sequer lembrar o nome delas. Agora me diga, Arthur, você pode esquecer o nome da mulher que conheceu hoje?
— Ela foi arremessada para mim devido a necessidade. Apenas isso. Elena irá fazer o trabalho dela, e vai desaparecer. Agora pare com suas teorias sobre mim, sobre as mulheres que já tra.nsei, e pare de tentar achar alguma coisa dentro de mim. — Me defendo, fazendo Julian revirar os olhos e voltar a jogar o corpo na poltrona. — Ótimo, vamos para o que interessa. Sabe que teremos uma viagem de negócios importante na semana que vem, eu tenho que me preocupar com essa apresentação da tecnologia e ainda tenho que atualizar para funcionar perfeitamente. Isso tudo, por fora da fusão. Preciso que você se concentre também, fez nossas reservas?
— Sim, Sr. Vane, tudo pronto, tudo reservado e programado como o senhor gosta, inclusive seu restaurante preferido da Itália está reservado. Eu estou concentrado, sei exatamente o que fazer, só não sou cego também. — Lá vem ele de novo.
— Se está tão encantado com ela, fique com ela para você. — Ofereço, já sem conseguir controlar meus nervos.
— Ah, ela não é mulher para mim. Pelo jeito, ela é mulher demais para você também, já que te deixou tão intimidado. — Dá de ombros, eu sei o que ele está tentando fazer. Dou um sorrisinho...— Mas então, tenho novidades. Houve uma queda de pontos nas ações da Aegis.
— Isso é bom, eu compro por um valor mais baixo se as ações estão caindo.
— Vane, por.ra! — Passa a mão pelos cabelo, indignado.— Ele sabe que você pensaria assim, ele está te atraindo, abaixando o valor, vendando ações de propósito. Ele quer que você compre a Aegis.
— É você que não está me escutando, po.rra, nenhum de vocês está. Não importa o que Thorne esteja fazendo ou planejando para mim, nós dois sabemos que eu sou muito melhor no que faço que ele. Dez anos atrás foi uma prova disso. Me atraindo ou não, sendo uma armadilha ou não, quando eu colocar as mãos na Aegis e me tornar invencível, eu irei desarmar qualquer armadilha de dentro para fora. — Relembro. Todos parecem que esqueceram com quem estão lidando. Julian fica em silêncio, pensativo sobre minhas palavras, mas consigo lê-lo bem o suficiente para saber que ele não concorda com minhas palavras. — O que? Você não acredita em mim? Acha que não posso vence-lo...
— Acho que é um risco que não precisamos correr. Estou tentando proteger você, a Vane Tech, assim como você me protegeu quando eu precisei.
— Aprecio sua lealdade, mas não preciso de proteção.
— Tudo bem, chefe. — Aceita, ficando de pé e caminhando em direção a saída da sala. Mas estar sozinho não me parece tão bom agora. Estou distraído, minha mente não consegui esquecer aqueles malditos olhos castanhos e aquela boquinha desenhada. Mas pelo jeito, a companhia dele não me ajudaria também. Julian parece encantado. — Deixemos que Elena faça o trabalho dela, e vamos ver se ela consegue colocar um pouco de juízo nessa sua cabeça e trazer seus pés de volta para o chão. Até lá, tente não sonhar com algoritmos ou mulheres vestidas de azul marinho.