CAPÍTULO 09 — ELENA RIOS

1926 Words
Eu sei que deveria ligar o “fo.da-se” para Arthur. Não devo nada a esse homem com síndrome de deus, que quando as coisas não saem do jeito dele ou como possa controlar, ele surta. Além disso, ele é apenas meu chefe. Mais cedo ele deixou bem claro que eu deveria me concentrar apenas no meu trabalho. Dito isso, vou até a frente do hotel que Julian me mandou o endereço e cá estou eu, encarando a entrada de dentro do carro estacionado do outro lado da rua, odiando a mim mesma. Toda a inteligência não foi suficiente para me deixar alheia a sentimentos humanos como aconteceu com ele, infelizmente. Me odiando, desço e vou até a recepção do hotel. — Boa noite. Eu vim pelo Sr. Arthur Vane, ele está me esperando. — Minto com a cara e voz mais tranquila possível, passando verdade. — Oh, amiga nova... — O senhorzinho comenta de forma nada profissional. Meu queixo cai. — O que? O que quer dizer? Não me esperando desse jeito, eu trabalho para ele, ele está me pagando para... — E quanto mais eu falo, percebo que piora. Esse velho sem vergonha me tirou do sério. — Quer saber? Eu posso subir ou não? Me diga o número do quarto. — Um segundo, senhorita. — Faz sinal, pegando o telefone para ligar provavelmente para o quarto. Nesse momento me preocupo, Arthur não deve querer me ver agora, eu sei, e não deve liberar a minha entrada. — Sr. Vane, sua amiga está aqui. Posso liberar a entrada? — Ele espera a resposta e eu controlo a expressão nervosa em meu rosto. — Sim, ela está aqui em minha frente. Tudo bem, certo. — E então...? — Ele está esperando você. — Está? — Quarto 01 da cobertura. — Só para constar, eu não sou pro.stituta. — Acredite, senhorita, eu sei. — Acena, com um sorriso que me deixa na dúvida se isso é verdade ou ironia. Desisto de entrar nessa e subo até a cobertura. Para falar a verdade eu nem sei porque estou aqui, nem o que vou dizer a Arthur quando olhar para ele e que ele me perguntar o que eu vim fazer aqui. A cada andar um certo desespero começa a bater e eu odeio me sentir assim, como uma adolescente idi.ota. Reviro os olhos, brigando comigo mesma para me controlar. É simplesmente uma preocupação humana. Talvez ele não entenda o que isso significa, mas é a verdade. Bato na porta e espero, não muito, porque Arthur logo abre a porta. Ele está usando uma calça de moletom cinza, sem camisa, os cabelos bagunçados e molhado de suor – suor que pinga pelo corpo grande e desenhado dele. De terno é perceptível o tamanho dele, mas assim, exposto, eu chego a paralisar. Nunca vi alguém assim. Os músculos, a altura, os olhos apertados, a boca entreaberta com a respiração ofegante, o volume marcado no tecido maleável – e um belo volume. Mas o que mais me chama atenção é a expressão de surpresa no rosto dele. — Elena? — É possível ver a interrogação em seu rosto. O senhor já não ligou para ele? — Estava esperando outra pessoa? — Na verdade eu não esperava ninguém. Perdoe-me. — Dá de ombros. Arthur estava fazendo bastante esforço físico, junto os pontos. Julian disse que normalmente ele convida uma mulher para vir ao hotel com ele. Esse esforço era... Tem alguém aí? Engulo seco, perdi até a fala. — Quer entrar? — Não, eu não quero atrapalhar sua diversão. Só vim ver se estava bem, agora que já vi, posso ir embora. — Aceno, forçando o sorriso. — Não atrapalha, já terminei o treino. — Treino? — Sim, treino. O que acha que eu estava fazendo, Elena? — Droga. A voz dele parece levar um rasto por todo meu corpo. Ele sorri, se divertindo. — Eu achei que estava com uma amiga. — Sou sincera. — Julian falou que costuma estar com ela. — Acho que ouve um m*l entendido. Eu estranhei quando me ligaram da recepção dizendo que minha amiga estava aqui, só que eu não tinha chamado Nicole hoje. Eu liberei... — Achando que era ela. — Completo. Filho da pu.ta. Então esse é o nome da tal amiga dele, Nicole. — Desculpe decepciona-lo. — Se eu quisesse ela aqui, eu teria ligado. Eu só a deixaria subir por consideração já que tinha vindo até aqui. — Se explica, liberando a passagem. — Entre, Elena. — Bom, já que estou aqui... — Passo por ele, involuntariamente começando a analisar o quarto, que mais parece uma casa. Há uma sala de jantar, o quarto, academia, tudo. — Bela suíte. — Obrigado. — Mas você não tem uma casa? — Eu o encaro. Tudo bem, é um lugar ótimo, mas se ele não ia chamar ninguém para passar a noite com ele, porque não está fazendo isso em sua própria casa? — Tenho. Mas eu não iria descansar a mente se estivesse lá, no mesmo ambiente que costumo estar todos os dias. Acho que iria para o meu escritório e começar um loop. — Arthur enxuga o suor do rosto com uma toalhinha. Desvio o olhar, encarando mais os detalhes do quarto, a decoração rica, as cores que até parecem mesmo uma segunda casa dele. — Me espera tomar um banho? Preciso tirar esse suor do corpo? Aí ele exige demais de mim, eu ainda sou uma mulher. Não sou um ser tão evoluído assim que posso bloquear todos os meus pensamentos se.xuais. Ele é terrivelmente bonito, grande, forte, e s.exy. Meus olhos involuntariamente acompanham as gotas de suor que escorre pelo seu corpo, pelos quadradinhos de músculo em seu abdômen bronzeado, me segurando para não morder a boca. — Sim, claro. — É bom um tempo de clareza, esfriar a cabeça longe dele. Arthur acena e vai para o banheiro, me deixando respirar em paz. Sozinha, vou para o barzinho, precisando de uma bebida. Não espero Arthur sair e sei que ele não se importaria, então escolho um bom vinho e encho uma taça para mim. Delicioso, com sabor acentuado, e no primeiro gole me sinto um pouco mais calma. Ouço o barulho da água do chuveiro caindo e desvio meus pensamentos. Eu sei que preciso ser profissional, e volto a pensar nisso. Essa tarde depois do almoço eu tive vários avanços sobre a Aegis, e também não pude deixar de tentar desvendar Arthur. Acho que eu tive avanço nisso também, porque eu sei exatamente o que aconteceu há dez anos. Eu pesquisei sobre o projeto ícaro, qual seria seu objetivo, uni os pontos, e tenho as respostas. — Vejo que está se sentindo em casa, isso é bom, eu também me sinto em casa quando estou aqui. É leve.— Arthur sai do banheiro, me levando a um estado pior que antes. Agora ele está enrolado apenas em uma toalha. A toalha branca está na cintura, ainda marcando o volume que está involuntariamente meia bomba, marcando também as coxas grossas. O tronco n.u levando as entradas em um “V” perfeito que desaparece dentro do tecido felpudo. Arthur tem um belo de um tanquinho, mas ele não é só músculos, é grande e forte, másculo. Além de tudo ele está com o cabelo molhado, os frios pretos deslizando pela testa, e o cheiro refrescante de sabonete no ar. — Até que é suportável. — Dou de ombros, engolindo o resto do conteúdo do vinho e desviando o olhar. — Como foi o banho, Sr. Vane? — Ótimo. Gostaria de ter me acompanhado, Srta. Rios? — Provoca, quase me deixando boquiaberta com o tamanho da audácia. Eu não darei a ele esse gostinho. Por mais maravilhosa que seja sua aparência, seus músculos e esse cabelo molhado – nem mesmo o pa.uzão marcado dele – não vão me impressionar. Pelo menos não o bastante para que ele me deixe intimidada ou ceda a suas tentativas de me dominar. Eu não darei a ele o controle que ele tanto quer. — Não, estou bem, o vinho é uma boa companhia. Inclusive, vá vestir alguma coisa e me acompanhe. — Ofereço. — Sim, senhora. — Finge não ligar para receber ordens. Seus olhos e esse sorriso com a fileira de dentes brancos e perfeitamente alinhados não serão suficientes pra me ter tão facilmente. Arthur me deixa sozinha novamente e vai para a parte do quarto, enquanto me mantenho entretida enchendo minha taça mais uma vez. Já pego mais uma taça e encho também, esperando o retorno dele, que não demora. Vane volta com calça preta de moletom e uma regata da mesma cor, os cabelos estão penteados agora e o cheiro dele toma o lugar do vinho. — Beba comigo. — Ofereço, erguendo a taça em sua direção. Vane não faz charminho, apenas aceita e senta ao meu lado. Ele toma o primeiro gole e pela sua expressão, aprova. — Passou em casa para pegar umas mudas de roupa? — Engraçadinha. Não, essa suíte é minha, eu tenho algumas coisas aqui. — Você comprou a suíte? — Quem compra um quarto de hotel? — Tecnicamente, sim. Mas não venho tanto aqui como se está pensando, se esse lugar se tornasse recorrente não cumpriria seu objetivo, seria como estar na minha casa. — Explica, despretensioso. — Mas não enrole mais. O que veio fazer aqui, Elena? — Eu já disse, ver se estava bem. — Dou direta. — Certo. Por que? Você não me suporta, eu sei, me acha arrogante, tedioso e gélido. Por que se preocuparia comigo? — É claro que ele perguntaria. Tomo mais um pouco de vinho, ensaiando mentalmente uma resposta. — Porque eu ainda tenho humanidade, Vane, algo que eu achei que não existia em você. Mas hoje, eu vi que você não é um robô feito de equações e códigos como eu pensava, eu vi que você ainda é humano. E eu sei, que nós humanos fazemos coisas idi.otas quando não estamos bem. — Que tipo de coisa idi.ota achou que eu faria? — Assinar com Thorne, finalizar a fusão. — Sem a aprovação dos acionistas? Por que eu faria isso? — Franze o cenho como se fosse um pensamento ridículo meu, algo impossível, quase que me faz parecer burra. Mas não, eu sei que não. — Porque eu vi nos seus olhos, Vane. Por mais que tenha tentado se esconder de mim, eu já li você. — Retruco seria. É hora de colocar as cartas na mesa, então vamos lá. — Ah é, Rios? O que você viu? — Insiste em se esconder. — Vi um homem cheio de culpa e com uma lealdade cega a um homem que é como uma supernova pronto para explodir e levar tudo ao seu redor. Eu vi, que por mais inteligente que você seja, você tem uma fraqueza. — Devolvo, expondo minhas cartas. — Você veio aqui, se esconder dos seus próprios pensamentos, fugir do seu passado, tudo porque não sabe como corrigir o que acha que causou a Thorne, e pensa que é responsabilidade sua. Então, pode olhar nos meus olhos e me dizer que você não teve a menor vontade de ligar para Marcus Thorne e dizer que vai seguir em frente com a fusão, mesmo contra todos os seus parceiros? — Eu não faria isso. — Seus olhos fraquejam. — Mas queria. — Sorrio fraco. — E eu sei porque. Eu sei o que aconteceu há dez anos, Vane, e sei que você não errou.
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