"Será que, em algum momento da minha vida, as coisas finalmente vão fazer algum sentido? Pois, com essas mudanças, nada parece se encaixar".
REINO DE ÉBANO
Catarina
- Quantas vezes terei que repetir? Não quero você com esse maldito cabelo solto, Catarina.
- Mamãe, eu prefiro ele solto - falo enquanto a mesma desembaraça meu cabelo.
- Você age como um animal selvagem e tem que parar com isso, você é uma princesa, garota - ela segura meu rosto e o analisa. - Graças a Deus você nunca será rainha, não tem perfil de uma.
Escuto algo caindo ao chão, me viro e vejo Ana encarando a cena com o semblante fechado.
- Algum problema, Ana? - minha mãe a encara com fúria.
- Não, senhora.
- Foi o que imaginei. Sabe, Catarina, - mamãe continua penteando meus cabelos - existem pessoas que nunca conseguiriam ser rainha, que o lugar delas é entre os porcos. Ainda não limpou isso, Ana? Pare de prestar atenção na minha conversa com a minha filha e faça seu serviço.
- Perdão, minha rainha.
Ana sai do quarto batendo a porta com força.
- Pronto, querida, e da próxima vez deixe seus cabelos presos, sempre que me obedecer, você vai se dar bem.
- E quando minhas vontades vão começar a valer?
- Quando sair da minha casa e das minhas vistas.
- Mamãe, o que eu te fiz para me tratar assim? Às vezes carinhosa, mas na maioria do tempo seca e grossa.
- Um dia, Catarina, um dia talvez você saiba.
- Saiba o quê?
- Na realidade, nada disso importa, só seja grata a mim.
Fico em silêncio tentando entender tudo o que aconteceu, mas não parece fazer sentido algum.
Após algum tempo, Ana entra no quarto e fica de joelhos na minha frente.
- Você está bem menina?
- O que eu fiz de errado a minha vida toda para ela? - digo com lágrimas nos olhos.
- Nada, você não fez nada. Preste bem atenção no que vou te falar. Não importa o que aconteça, eu sempre vou estar ao seu lado, cuidando de você.
- Ana, - sussurro e a abraço com força - queria muito que você fosse minha mãe - após essas palavras sinto minha pele ser molhada pelas lágrimas da mesma.
- Só obedeça a rainha Victória, isso evitará problemas até o pedido de casamento do Alfred.
- Eu vou tentar - a aperto mais no abraço.