"Cada ação que fazemos determina o nosso futuro e as consequências que virão com ele".
REINO DE ALVANI
Henrique
Os primeiros sinais do inverno já são visíveis, quase todo o reino já está coberto de neve. Olhar para tudo que eu e meu pai conquistamos é gratificante, mas ainda não é o bastante. Eu quero muito mais terras e poder.
- Vossa majestade? - Julian me chama com certo receio.
- Espero que seja algo importante.
- É sim, meu senhor. Cristóvão Jakobson está aqui e deseja vê-lo. Disse que o assunto é do agrado de meu senhor.
- Mande-o entrar.
- Sim, com licença - ele faz uma reverência e se retira.
Me sento em minha cadeira e após alguns segundos Cristóvão adentra a sala de reuniões.
- Meu senhor, - ele faz uma reverência e eu continuo o encarando - vim falar de um assunto que o irá deixar muito feliz.
- Sente-se.
- Obrigado. Como o senhor sabe, o inverno é uma época muito difícil para os feudos de Alvani.
- Eu sei, mas ainda não entendi qual o ponto principal dessa conversa.
- Vou chegar lá, meu senhor. Distante daqui existe um reino chamado Ébano, o senhor deve conhecer.
- Conheço, é um dos reinos que pertencia ao Império Irvacrek.
- Lá as terras são férteis, é raro ver alguma peste, eles têm outras formas de trabalhar a terra. E, mesmo sendo distante daqui, com certeza vale a pena.
- E o que tem isso?
- Se o senhor conseguir as terras dos vinhedos para mim, eu te darei força para unificar Alvani de vez. Minha família não irá se impor mais, farei a cabeça dos outros senhores feudais a seu favor, meu rei. Desde, é claro, que mantenha a promessa de que as terras dos vinhedos serão minhas e que terei certos benefícios após a unificação. O reino de Ébano vai ser seu, essa expansão vai mostrar a grandiosidade de seu poder e vai afastar os inimigos.
- Ébano tem grandes guerreiros, não sei se é uma boa ideia.
- Não se preocupe com isso, senhor. Os meus vassalos e os de meus amigos estão à sua disposição. Atacar durante o festival do vinho é a melhor opção. Não se esqueça que eles estão passando por uma dura crise e o rei Carlos é um péssimo governante, mesmo que ele tente abafar os rumores sobre isso.
- Vejo que já pensou em tudo, Cristóvão.
- É uma chance única senhor, pense nisso. Agora se me der licença - ele faz uma última reverência e sai.
É uma proposta única, Cristóvão nunca ofereceu ajuda à minha causa, o que sempre gerou grandes brigas.
- O senhor está bem? - Julian me examina preocupado.
- Cristóvão me fez uma proposta e não sei se poderei recusar.
- Meu rei, tome muito cuidado. Aquele homem é uma cobra e pode estar falando palavras doces em seu ouvido para o colocar em uma enrascada.
- Acho que não, Julian. Ele quer as terras principais de Ébano. Além do mais, o que ele ganharia se algo me acontecesse?
- Se o senhor morrer sem um herdeiro, o próximo ao trono seria seu tio Magnus.
- Exatamente. E ninguém quer tanto essa unificação quanto meu tio, ele é a última pessoa que me trairia. Quer saber o que vou fazer? Tomar Ébano para mim, fazer todos os nobres que moram lá se submeter a mim e m***r o rei. Então que ele aproveite seus últimos dias de vida.
Sorrio só de pensar que vou superar o meu pai.
- Senhor, apenas peço que tome cuidado. Está indo pelo mesmo caminho que seu pai. Esse olhar m*****o que o senhor está carregando por essa fome de poder não lhe faz bem.
Julian conheceu meu pai e os dois nunca se deram muito bem.
- Nunca, ouviu bem, me compare com aquele homem.
Saio da sala, batendo a porta com força. Jamais quero chegar a ser comparado com aquele homem.