Gabriella Narrando
Em poucos minutos chegamos a casa na qual ficaria por um bom tempo com as minhas crianças, a fachada é bem bonita construída com portões altos de ferro forjado e uma varanda com assoalho de cimento. Na entrada principal há uma pequena escada que não guia até a porta de madeira escura, por dentro a casa parece ser bem maior do que aparenta. O primeiro cômodo que vejo é a sala e é bem organizada, a televisão suspensa na parede estava ligada em um canal aleatório e eu me questiono se há alguém morando ali.
— Tu vai ficar morando aqui com minha tia, tem problema pra ti? — Nem pergunta do meu lado. — Ela é super de boa.
— Claro que não, vai ser bom ter uma companhia além das crianças. Ela deve ser uma senhora adorável. — Ele vira a cabeça quando ouve meu comentário, estende os lábios em um sorriso sarcástico e eu fico sem entender.
Viro a cabeça ao ouvir passos no assoalho liso, Arregalo os meus olhos ao ter o vislumbre de uma loira de estrutura baixa entrando na sala, me surpreendendo por ser tão jovem, e está.. bom, está usando apenas uma camiseta fina.
Posso ouvir um “Nossa” deixar os lábios do Caleb, acompanhado de um suspiro impressionado, não o julgo por isso pois até eu estou de boca aberta com a mulher. Divido meu olhar entre a loira que parecia ter menos que a minha idade, e o Nem que estava com cara de poucos amigos.
— Giovanna, eu disse que iria trazer visita, tu pode por favor..— Gesticula pra ela que logo arregala os olhos e puxa um pouco a camiseta para baixo.
— Desculpa, eu só..— pega uma almofada cobrindo os s***s — Não esperava que fosse hoje, — sorrir sem jeito, se aproximando — você me avisou hoje, maldito. — retruca baixinho.
— Independente minha filha, é pra tá apresentável.
— Eu já pedi desculpas. — Afirma com mais dureza — Você já viu tudo aqui por baixo, não tem porque pagar de madre Tereza. — Ela diz em um tom baixo e produzindo as palavras com rapidez, mas eu consigo capturar algumas falas e fico horrizada com o que ouço. A vejo dar uma olhada no Caleb e vejo que ele retribuí, ela abre um sorriso antes de mirar seus olhos em mim. — Me chamo Giovanna Marques, você deve ser a Gabi não é? Não estava te esperando justamente hoje, mas que bom que chegaram na hora do almoço. Estão com fome? — Pergunta elétrica, sorridente.
— Prazer em te conhecer, e.. Crianças? — Olho para os dois, Miranda que antes estava com sono agora está fascinada com a casa que estávamos, Caleb não gosta do tratamento e me olha com uma expressão incomodado.
— Você fez o que pra comer, moça? — Miranda pergunta toda se chegando, Giovanna apoia as mãos nos joelhos e se inclina olhando pra ela.
— Fiz uma lasanha de-li-ci-o-sa! — Miranda abre um sorriso imenso e olha para mim, pedindo permissão para ir com ela.
— Vai lá, que eu vou conversar com o Nem. — Instruí os dois, Como é comida Miranda foi na mesma hora e Caleb os acompanhou.
Empurro uma mecha do meu Cabelo atrás da orelha, me virando para fitar o sujeito a minha frente e não poupo o espanto. Ainda estava horrizada com o que ouvi daquela mulher.
—Você dormiu com sua tia? — Pergunto desacreditada, sem filtro algum diante do que ouvi, ele prende os lábios em um riso.
— Melhor não entrar em detalhes, não é?
— Quando você disse que ficaríamos com a sua tia eu pensei em uma senhora, não em uma mulher desse..desse modelo. — gesticulo
— Relaxa, ela pode ser um pouco solta mas é de boa, Não vai te deixar faltar nada aqui, pode confiar.
— Vou fazer um esforço.
— Pode confiar sem neurose.
— Deixa eu perguntar, — ele me olha atento — Ela tem namorado? Sei que a casa é dela, mas eu gostaria de saber caso ela venha trazer alguns parceiro pra dentro de casa, pra você sabe...
— Fica mec, já passei a visão pra ela e ela sabe que a casa é das duas, portando a privacidade das duas deve se respeitada e qualquer conflito do me ligar.
— Não tenho seu número.
— Me passa seu Celular. — Pede, estendendo a mão para pegar o aparelho.
— Tenho que comprar um chip, desbloquear e essas coisas.
—Firmeza. — Ele diz com o tom de voz brando, miro meus olhos ao redor verificando um pouco mais a decoração feita pela Giovanna. De relance, sinto o olhar do Nem pairando sobre mim e viro a cabeça o pegando me analisando, elevo uma sobrancelha com a análise indiscreta, ele desvia o olhar e pigarreia — Tenho que ir, qualquer coisa tu sabe onde me achar. — Pra falar a verdade, eu não sabia mesmo onde encontrar ele mas resolvo não falar nada apenas concordo com a cabeça, assistindo ele deixar a casa.
Vou atrás das minhas duas Crias, Encontro ambos sentados na mesa, cada um com um prato de lasanha cheio. Estreito a sobrancelha ao pegar Caleb fitando a b***a de Giovanna enquanto a mesma estava lavando alguns talheres na pia, o surpreendo com um tapa na nuca que o faz resmunga mas não volta a olhar.
— Olha, Já que vamos morar juntas quero passar umas pequenas regras. — Se vira para mim, apenas concordo me sentando ao lado das crianças. — Em casa, apenas eu cozinho, se quiser preparar alguma sobremesa tudo bem, mas as comidas como feijão, arroz eu que preparo tudo bem? — Concordo, não iria criar caso com isso.
— E no que eu posso ajudar?
— Na faxina da casa e qualquer outra coisa, mas a louça e Comida são minhas eu tenho um nojinho de quê lave a louça errada sabe? — Se explica, assinto a compreendendo.
— Entendo — afirmo me juntando às crianças na mesa.
— Ali é o que? — Miranda aponta para a porta de vidro de correr que provavelmente levaria até a área da lavanderia.
—Área da Lavanderia, varal de roupas, um espaçoso quintal pra estender roupas. — Ela responde após mastigar o pedaço da sua lasanha.
Miranda concorda, fitando o local enquanto levava um garfada majestosa até a boca.
— Aí.aí.aí.— Olho novamente para ela que havia se queimando com aquela gulodice toda, entrego um copo de suco à ela que bebe no mesmo instante.
— Cuidado Miranda, Sopra antes de comer que a comida não vai sair do prato não. — Ela assente emburrada, Me junto a eles após cortar um pedaço para mim
— Aqui não tem segunda andar, .as no corredor tem três quartos, usávamos como Deposito para as coisas do Nem — Não entra em detalhes, mas eu já tinha uma noção do que seria já que Lorenzo fazia o mesmo lá na sua casa. — Eles são grandes e o Nem ja mandou arrumar eles pra vocês os três.
—Você possuí alguma regras por aqui além das que você citou? — Pergunto a olhando, gostaria de ficar alerta muito antes, pois assim como como eu talvez ela não goste que eu mexa em determina coisas, como trocar móveis de lugares e essas coisas.
— Não mexer nas minhas maquiagens, no meu closet, ou lavar minhas roupas. — Acrescenta coisas básicas.
— Pode deixar.
— Falando em roupas, onde estão as suas e dos dois? — Ela pergunta entre um gole e outro de Suco.
— Trouxe apenas algumas coisas, não tive muito tempo para pegar minhas coisas.
— Amiga, não dá pra viver sem roupa aqui não. Na quarta quando eu chegar do trabalho, vamos comprar algumas roupas pra você, nem que seja poucas peças. — Sorrio, aprovando a ideia, se não for gastar muito eu aceito.
— Sem problema algum. — Ela sorri sem mostrar os dentes — Mas me diz, com o que você trabalha?
— Sou dona de um salão de beleza aqui na Rocinha, quando você de ajeitar aqui e se adaptar com o local eu posso arrumar uma área pra você lá, o que acha?
— Acho ótimo. — Não acrescento muito o assunto, Giovanna é bem conversadeira e se dá muito bem com Miranda que fala pelos cotovelos, é minha filha, mas tem vez que sinto vontade de mandar ela calar a boca por dez minutos que seja.
O resto do nosso jantar foi tranquilo, pude conhece um pouco mais da Giovanna e ela sobre nós, ela explicou como funcionava as coisas dentro de casa e como era a sua rotina para podermos nós adaptar logo.
—Tem toalha no armário do banheiro. — Anuncia assim que me vê pegar às bolsas na sala para ir com a Miranda e Caleb até o quarto que ficaríamos.
— Ok, obrigada. — Agradeço mais uma vez e conduzo Caleb e Miranda até o corredor.
Entro no segundo cômodo a direita onde Giovanna diz ser o segundo quarto de hóspedes, entro no cômodo e como ela havia dito o quarto é bem aconchegante e grande para Miranda e eu. Avisto um guarda-roupas de porte médio ocupando a parede a minha frente, ao lado esquerdo existe um suporte com uma televisão suspensa que faz Miranda vibrar animada, um pouco a frente uma cama de casal muita bem forrada está localizada, e para finalizar uma cama de solteiro está posicionada alguns centímetros de distância da maior.
Me aproximo do guarda-roupas com as mochilas e bolsas em mãos e as largo próximo ao móvel, Abro as portas de madeira lisa sentindo a textura e qualidade do produto.
— Que horas são? — Pergunto ao Caleb quando o vejo entrar no quarto com o celular em mãos.
— Sete. — Responde pegando sua bolsa e deixando o quarto, para provavelmente se acomodar no seu.
Há três portas no guarda-roupa e no meio gavetas onde eu arrumaria às oisas da Miranda que não são muitas.
(...) 22:03
Por volta das dez havia terminado a organização no quarto e ele estava do jeito que eu queria, tudo muito bem organizado e aconchegante. Termino de vestir o pijama na Miranda e começo a nós preparar para a dormir.
Puxo o edredom da pequena cama de solteiro e Miranda mergulha embaixo da coberta agarrada com o controle da televisão, A cubro e planto um beijo na sua testa antes de seguir até o quarto do Caleb logo só lado, encontro o mesmo deitado com seu aparelho novo em mãos.
— Giovanna te falou qual a senha do Wi-Fi?
O quarto era um pouco menor comparado com o que estávamos, a cama ocupava a maior parte do cômodo mas só de termos onde dormir já estava de bom tamanho.
— Deixa eu colocar — pede estendendo a mão, entrego a meu celular a ele e enquanto ele faz o que pedi apanho sua toalha e caminho até o banheiro para estende-la.
A casa está vazia, Giovanna avisou a poucas horas que iria a um pagode na casa de um tal de Peixe, ela me convidou para comparecer com ela mas eu não tanta questão, estava muito cansada para sair. Estendo as toalhas que usamos do lado de fora e fecho a porta da lavanderia, sigo apagando todas as luzes até o quarto e deixo apenas a da cozinha acesa para caso alguém queira levantar pela madrugada para comer algo.
Caminho pelo corredor e ao invés de entrar no quarto, sigo até o banheiro para tomar um banho. Precisava de uma boa ducha sem preocupações de que a qualquer momento meu marido poderia entrar e exigir t*****r comigo, e em seguida precisava de uma boa noite de sono em paz, como a muito tempo eu não tinha.
(...)
Após o Banho, entro no quarto do Caleb para pegar meu celular já conectado com a internet da casa, com o aparelho em mãos sigo até o cômodo ao lado. Miranda já tinha pego no sono enquanto algum desenho passava na televisão, retiro o controle da sua mão e coloco a televisão no mudo antes de acertar o interruptor e apagar a luz.
Deitada na minha cama coberta da barriga até os pés, Sinto um alívio grande em meu peito e suspiro baixinho, apreciando o silêncio do quarto e o vazio da cama como desejei a tempos. Abro meus olhos e fito o aparelho em minhas mãos, mesmo sem chip instalo o FaceTime e w******p para poder me cadastrar amanhã e avisar a Mari que está tudo bem, que felizmente tudo deu certo.
Lorenzo Narrando
—Tô ralando pra casa. — me levanto da cadeira — Deixa isso pra amanhã, minha filha tá me esperando em casa pô dá uma atenção pra a menina. — Eu digo passando a arma nas costas.
— Fé aí. —Eu pego a chave da minha moto e ralo pra fora, os menor estávam todos aflito assim que eu chego em casa e eu já estranho de cara.
— O que aconteceu aqui, que cara é essa? — Pergunto sem entender p***a alguma.
—A Gabriella...—Mudinho tenta falar me fazendo ficar bem mais atento, O que aconteceu com aquela pragra?
— Fala logo c*****o, o que aconteceu?
— Então..ela sa-saiu daqui mais cedo, dizendo que ia comprar uma roupa pra usar contigo e não chegou até agora. — Piloto completa
Não, aquela filha da p**a não fez isso.
— Cê tá de s*******m. — Falo com um falso ar de riso, sem querer acreditar naquela p***a.
— Queria tá..— Ele diz engolindo um seco — Chefe..— Eu não deixo ele terminar, Eu tava aborrecido num nível que eu jamais fiquei a muito mais, meti um tiro na testa dele e nós outros três inúteis que não serviram para fazer a tarefa que lhe foram ordenadas, que são pagos para cumprir. Furioso, aponto a arma para o vigia da laje.
— Se eu voltar pra essa cara e esses filha da p**a ainda estiverem aqui eu vou matar tudinho na base da porrada, entendeu? — Ele concorda com a cabeça imediatamente.
Saio de casa guardando a arma e subindo na moto novamente, Geral na rua já estavam correndo pra dentro de casa depois dos meus tiros. Situação não ficava boa quando algo saia dos trilhos, ou quando algo saía errado na minha vida.
Eu matava o primeiro que me aparecesse.
E a primeia seria a Marília, Eu vou matar aquela desgraçada.
— CADE ELA? —Eu chego invadindo sua casa, ela se assusta e João pega a arma na mesinha e aponta na minha direção, assim que vê que é eu ele fica mais tranquilo— Cadê a Gabriella, Vagubunda? — Chego bem perto dela segurando a base do seu pescoço,antes que ela possa se quer ficar sem respiração João me empurra.
— Tu pôde até mesmo bater na tua mulher, mas na minha se nem eu que sou eu encosto um dedo, tu vai? Se liga p***a. — Grunhi
— Se liga Lorenzo? —Eu repito com irônica, possesso de raiva —A v***a da sua mulher ajudou a minha mulher fugir.
— Ajudei mesmo. —Ela diz sentada no sofá sem demonstrar descontrole — Foram anos dela apanhando de você Lorenzo, anos, ela carrega as marcas das surras até hoje e você acha mesmo que eu ia ver ela sofrendo e não ia fazer nada? Ajudei sim ela, a filha e o Irmão a fugir para bem longe de você e você pode me bater, me queimar viva, chamar as merdas dos seus soldados mas eu não vou falar onde ele tá.— Ela grita, me deixando mais louco ainda de raiva.
Eu vou pra cima dela, Miro no João e ele se desvencilhar com o tiro, aproveito sua distração e vou pra cima da sua mulher na base do enforcamento, e vendo tentar medir forças comigo, estava prestes a socar a sua cara quando João veio pra cima de mim.
— Você tá louco cara, louco.—Ele me empurra caindo por cima de mim no chão, Mete um soco na minha cara e eu revido empurrando ele de cima de mim com força, me levanto indo atrás de Marília que fugia de mim. —Alencar? Patinho? é, encosta aqui em casa agora Irmão.
— Eu vou te matar Marília. — Eu pego minha arma e aponto pra ela, destravo e com a vista escurecida miro nela, a desgraçada abre um sorriso e corre para fora. Atiro contra a porta três vezes seguidos, mas a filha da p**a escapa.
—Ó, c*****o que covardia é essa? — Alencar, parceiro das antigas passa pelo portão, ele e Patinho esconde Marília atrás do seus corpos..
— Acho melhor tu ficar aí Marília, se eu te pegar tu não saí viva não. — Eu respiro fundo, com o sangue fervendo nas veias.
— O que tá rolando aqui cara? Cê tá doido de peitar a mina do parceiro, Lorenzo? — Patinho julgo
— Gabriella fugiu com as crianças. — Marília diz, caminho até ela mas ela é rápida em se esconde atrás de Alencar que era um p**a de um poste, se pelo menos a bala atravessasse o corpo dos dois eu não hesitava.
—Uma hora ela iria ir embora. —João diz vindo por trás de mim.
Eu não tava acreditando nisso cara, Minha mulher..minha filha, Minha única família fugiram de mim.
— Eu tava cansado de te avisar Terror, tu não deu valor pra a mina, ela era mina de fé mesmo e tu só destratava.
Era por isso, que ela tava toda feliz de manhã.. Não era por que eu voltei pra casa ou algo do tipo, Era por que ela ia se livrar de mim.
— ME LARGA. — Eu rosno assim que João tenta encostar em mim — Eu não quero essa vagabunda na minha Favela, se ela não sair, tu perde teu cargo como gerente dessa merda e vai pra o forno — Rosno aos nervos.
Logo saio daquele círculo de horror, Subo na minha moto e meto o pé até a minha casa.
— FILHA DA p**a. — Jogo a merda do porta retratos no chão, rra uma foto nossa, quando éramos felizes.
Quando éramos...
Me aproximo engolindo um seco e pegando a foto de quando ela era Morena.
— p***a Gabi por que teve que ser assim? — Eu pergunto para mim mesmo.
A minha filha cara, A única que eu amava mais que ela.
Se eu fiz tudo que eu fiz durante esses anos foi por que eu amo ela, Menos as surras elas foram merecidas, eu abriguei ela, cuidei do nossos filhos e dela, e é assim que ela me agradece?
Bato aquela foto na parede, Metendo um soco na parede com força, fitando a fotografia com ódio.
— Eu vou atrás de você até no Inferno, Gabriella.
(...)