A última opção
Lívia tinha apenas 23 anos e duas irmãs mais velhas: Ágata e Amanda. As duas estavam prometidas aos irmãos Navarro, dois dos homens mais poderosos do país.
Maurício Navarro, 35 anos, era o irmão mais velho. Alto, forte, rígido e extremamente frio. Era conhecido por não demonstrar sentimentos e por conseguir intimidar uma sala inteira apenas com um olhar.
Murilo Navarro, 33 anos, não ficava atrás. Tão frio e rígido quanto o irmão, porém ainda mais sarcástico e impetuoso.
Juntos, os dois eram CEOs de um enorme império empresarial que haviam construído praticamente do zero.
E havia um acordo entre as famílias.
Ágata se casaria com Maurício.
Amanda se casaria com Murilo.
Os preparativos estavam praticamente concluídos.
Até que, três dias antes do casamento...
As duas fugiram.
Sem aviso.
Sem explicação.
Sem deixar qualquer pista.
O pai das garotas entrou em desespero. Procurou por toda parte, acionou pessoas, tentou descobrir para onde elas haviam ido, mas não encontrou nenhuma das duas.
E então só restou uma alternativa.
Lívia.
O telefone dela tocou.
— Alô?
A voz desesperada do pai veio do outro lado.
— Filha... você precisa voltar para casa.
Lívia franziu a testa.
— Por quê, pai?
— Você precisa se casar no lugar das suas irmãs.
Ela ficou em silêncio.
— O quê?
— Por favor, querida.
— Pai, você está maluco?
— Se você não casar no lugar da sua irmã, eu serei um homem morto.
Lívia sentiu o coração acelerar.
— Como assim?
— Nossa empresa já está praticamente nas mãos deles. Eu dei minha palavra. Toda a sociedade sabia que Maurício e Murilo se casariam com suas irmãs. Agora elas fugiram. Eu não tenho como voltar atrás.
— Pai, isso não pode me obrigar a casar com esses homens! Eu tenho vinte e três anos!
— Eu sei.
— Então como você consegue me pedir uma coisa dessas?
A voz dele falhou.
— Salva seu pai, filha. Salva seu velho. Eu só tenho você.
Lívia fechou os olhos.
Ela queria dizer não.
Queria desligar.
Queria fingir que aquela conversa nunca havia acontecido.
Mas conhecia o pai.
E sabia o que estava em jogo.
Depois de alguns segundos, respirou fundo.
— Tá, pai.
— Você vai voltar?
— Vou.
— Obrigado, minha filha.
— A gente conversa pessoalmente.
Ela desligou.
Sem imaginar que, naquele momento, sua vida acabava de mudar completamente.
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Enquanto isso...
Do outro lado da cidade, Maurício e Murilo estavam em um dos escritórios da família.
Os dois estavam sentados em poltronas de couro, cada um com um copo de uísque na mão e um charuto entre os dedos.
A porta se abriu.
A mãe deles entrou.
— Vocês vão mesmo fazer isso?
Maurício ergueu os olhos.
— Fazer o quê?
— Casar com a filha mais nova.
Murilo soltou uma pequena risada sarcástica.
— Sim.
— Os dois com a mesma mulher?
— Sim — Maurício respondeu, seco.
A mãe respirou fundo.
— Meus filhos, aquelas duas garotas fugiram. Vocês não podem fazer a irmã mais nova sofrer só porque as noivas de vocês fugiram.
Maurício apagou lentamente o charuto.
— Não importa.
Murilo completou:
— Isso é um contrato.
— Vocês realmente pensam assim?
— Demos nossa palavra para a sociedade — Maurício respondeu. — E vamos cumprir.
A mãe balançou a cabeça.
— E Lívia?
Murilo olhou para o irmão.
— Prepare o quarto.
— Um quarto só para ela?
— Grande — Maurício respondeu.
Murilo assentiu.
— Uma cama grande. Espaço suficiente para nós três.
A mãe ficou alguns segundos em silêncio.
— E se ela quiser ficar sozinha?
— Ela terá o quarto dela — Maurício respondeu. — Quando quiser privacidade, terá.
— Ainda dá tempo de reconsiderar, meus filhos. Existem outras famílias. As irmãs Azevedo, as irmãs Lima, as irmãs Souza...
— Não.
A resposta de Maurício foi imediata.
Murilo completou:
— Nós queremos Lívia Monteiro. Ponto.
A mãe percebeu que não conseguiria fazê-los mudar de ideia.
— E as alianças?
— Já estão sendo feitas — Maurício informou.
— Como serão?
Murilo respondeu:
— Um anel de ouro com os nossos nomes.
Maurício continuou:
— E uma aliança de diamante com dois diamantes. Um representando cada um de nós.
A mãe soltou um suspiro.
— Tudo bem. Será como vocês querem.
Ela se virou para sair, mas Murilo a chamou.
— Mãe.
— Sim?
— Pelo menos a senhora sempre quis uma filha.
Ela sorriu discretamente.
— Sempre.
— Então vai ter uma.
Maurício assentiu.
— Ela provavelmente vai passar mais tempo com a senhora do que conosco.
A mãe os encarou.
— Vocês estão dizendo que não pretendem se apaixonar por ela?
Os dois trocaram um olhar.
— Exatamente — Maurício respondeu.
Murilo tomou um gole do uísque.
— É apenas um título.
— E cumprir as obrigações do contrato — Maurício acrescentou.
A mãe franziu a testa.
— E se vocês começarem a sentir alguma coisa?
O silêncio tomou conta da sala.
Maurício olhou para o copo.
Murilo deu um pequeno sorriso.
— Isso não vai acontecer.
Eles ainda não sabiam...
Mas estavam prestes a conhecer a única mulher capaz de transformar aquele contrato em algo que nenhum dos dois jamais havia imaginado.