4- Perigo Silencioso

1161 Words
Leonardo Narrando Ela era diferente. Rebeca. Desde que entrou por aquela porta com aquela saia comportada, camisa alinhada e um brilho tímido no olhar… algo em mim começou a rachar. Não era só o rosto bonito, nem o corpo escondido sob roupas que não revelavam quase nada, e por isso mesmo, revelavam tudo. Era a inocência dela. O jeito como mordia o lábio quando estava nervosa. Como desviava os olhos, mas ainda assim me olhava. Como se soubesse que estava entrando num campo minado… e mesmo assim continuasse andando. Ela não fazia ideia. Nina apareceu hoje como um raio. Como sempre faz quando sente que está perdendo o controle. Ela sempre quis o poder mais do que qualquer sentimento. E por um tempo, isso combinou comigo. Sem vínculos, sem cobranças. Sexo bom, aparência perfeita e nenhum compromisso. Mas Nina cruzou a linha faz tempo. Acha que ainda pode voltar, que ainda tem espaço. Não tem. Principalmente agora. Porque Rebeca está aqui. E pela primeira vez em muito tempo, eu me pego olhando para uma mulher como se ela fosse mais do que um corpo. Como se ela pudesse me quebrar. Vi o jeito como ela olhou para Nina hoje. Curiosa. Desconfiada. Insegura. E isso me irritou mais do que deveria. Porque eu não quero que Rebeca se sinta pequena. Quero que ela saiba que já tem o meu olhar. O meu desejo. A minha atenção. Ela é o tipo de mulher que eu deveria manter longe. Frágil demais para o meu mundo. Boa demais para os meus vícios. Mas o problema é que quanto mais tento resistir… mais ela me provoca sem saber. Hoje, quando ela disse que achou Nina perigosa, minha vontade foi puxá-la pela cintura e provar que o verdadeiro perigo sou eu. Mas me controlei. Ainda. Rebeca é uma linha que, uma vez cruzada, não terá volta. E eu nunca fui bom em parar no meio do caminho. Ela é a tentação mais proibida que já tive. E o pior? Já é tarde demais. Porque mesmo sem me tocar… Rebeca já me possui. Não gosto de eventos sociais da empresa. São barulhentos, cheios de bajulações e sorrisos forçados. Mas às vezes, manter a imagem de CEO acessível faz parte do jogo. Desta vez, fui apenas por um motivo. Ou melhor… uma pessoa. Rebeca. Ela hesitou quando o convite foi feito. Vi em seus olhos o desconforto. Tímida demais para se sentir à vontade. Doce demais para esse ambiente onde todo mundo finge ser algo que não é. Mas ela veio. Quando entrou no bar reservado para os funcionários, meu olhar foi direto nela. Como um ímã. O vestido preto colado ao corpo, ainda comportado, mas realçando curvas que ela geralmente tenta esconder. Aquele vestido não era um grito. Era um sussurro. Um convite perigoso. — Você está maravilhosa. — disse baixinho ao passar por ela, e o rubor subindo por seu pescoço foi quase melhor do que vê-la nua. Quase. Peguei meu whisky e permaneci observando de longe. Ela conversava com uma colega do setor financeiro, ria de algo bobo, cruzava e descruzava as pernas… sem notar como cada gesto dela me desarmava. Eu queria tocá-la. Afastá-la dali. Fazer o mundo inteiro desaparecer, para que só existisse aquela boca entreaberta e aquele olhar tímido que, aos poucos, começava a carregar faíscas. Caminhei até ela quando vi um i****a da contabilidade tentando se aproximar demais. O tipo de cara que não sabe ouvir um "não" disfarçado. O tipo que me dá raiva. — Rebeca, pode me acompanhar um minuto? — perguntei, firme. Sem pedir permissão. E ela veio. Conduzi até a parte externa, mais reservada. Música baixa ao fundo. Iluminação suave. E só nós dois. — Achei que você não viria. — comentei, encostando na varanda. Ela riu nervosa. — Achei que também não viria. — Vim por você. Ela me olhou surpresa. — Não estou brincando, Rebeca. Não é meu costume aparecer nesses eventos. Mas hoje… eu precisava ver algo. — O quê? — sussurrou. — Você. O silêncio entre nós se tornou denso. Ela estava tão perto. A boca dela tão vermelha. As mãos nervosas se apertando. O peito subindo e descendo com a respiração acelerada. Toquei de leve sua cintura. Ela não recuou. — Se você soubesse o quanto me provoca sem nem perceber… — murmurei, aproximando meu rosto do dela. — Eu não faço por querer… — respondeu baixinho. — Eu sei. E isso só piora. Aproximei mais. Nossos lábios quase se tocando. Ela tremia. — Se eu te beijar agora, Rebeca… não vou conseguir parar. — Talvez eu não queira que pare… — ela disse. O mundo girou. Mas antes que nossas bocas finalmente se encontrassem… — Sr. Duarte! Estão chamando o senhor lá dentro! — um assistente surgiu na porta. Respirei fundo. p***a. — Estou indo. — respondi, sem tirar os olhos dela. Ela deu um passo atrás, corada, nervosa, os lábios trêmulos. — Isso não acabou. — prometi. E então, voltei para o bar… com o gosto da vontade dela preso em mim. E a certeza de que, em breve, ela seria minha. Inteira. Voltei para dentro com a mandíbula travada e o desejo pulsando nas veias. A p***a do assistente poderia ter esperado mais cinco segundos. Cinco segundos e eu teria sentido o gosto daquela boca. Rebeca mexe comigo de um jeito que nenhuma mulher jamais conseguiu. Com Nina era fogo fácil. Com outras, puro jogo de interesses. Mas com Rebeca… Ela não está tentando me seduzir. E justamente por isso, estou perdendo o controle. Não gosto de perder o controle. — Você está estranho. — disse Nina, me cercando no bar novamente, com um copo de gin na mão e aquele perfume doce demais para o meu gosto. — E você continua insistente. — rebati, encarando-a com frieza. — Desde quando você se apaixona por secretárias? — ela alfinetou com um sorrisinho venenoso. — Está mesmo tão desesperado por algo novo, Leo? — O que eu faço ou quem eu desejo não diz respeito a você, Nina. Ela estreitou os olhos. — Ela não combina com você. Está claro demais. Você vai se cansar, como sempre. E quando cansar… eu estarei aqui. Me aproximei dela, só o suficiente para minha voz sair firme, cortante: — Entenda uma coisa: você nunca mais vai estar aqui. Virei as costas e me afastei. Naquela noite, não voltei para casa. Fiquei no escritório. Tranquei a porta, afrouxei a gravata e deixei a escuridão me cercar. Mas mesmo ali, sozinho… a imagem dela não saía da minha cabeça. A forma como os lábios dela se entreabriram. O sussurro. O arrepio. O olhar perdido entre o medo e o desejo. E aquela frase dela… — Talvez eu não queira que pare… Rebeca estava se entregando aos poucos. E quando ela cair… Quando finalmente ceder… Vai descobrir que não há volta. Porque eu vou tomá-la de um jeito que ninguém mais poderá tocar. Nem agora. Nem nunca.
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