3- Olhos que Queimam

1204 Words
Rebeca Narrando Meu coração ainda estava acelerado mesmo depois de sair da sala dele. Leonardo Duarte. O nome soava como uma ordem. Um comando silencioso que meu corpo parecia obedecer sem pensar. Nunca imaginei que trabalhar para um CEO tão poderoso pudesse mexer tanto comigo. Eu sabia que ele era exigente, frio... e completamente irresistível. Mas não estava preparada para o efeito que ele teria em mim. Meus dedos tremiam quando voltei para a mesa. Era como se ainda sentisse os olhos dele queimando na minha pele. Aquela maneira intensa de me olhar… como se pudesse ver além da minha roupa, além da minha pele, além da minha alma. Suspirei e tentei focar nos papéis. Respira, Rebeca. É só o primeiro dia. Você precisa manter o controle. Mas como manter o controle com um homem como aquele tão perto? Alto, ombros largos, terno impecável que moldava o corpo como se tivesse sido desenhado para ele. Voz firme, baixa, e perigosa. Cada palavra que ele dizia parecia arrastar minha consciência para algum lugar entre o medo e o desejo. E aquele sorriso de canto... Meu corpo respondeu de um jeito que me deixou envergonhada. Ele sabia o efeito que causava. Sabia exatamente o que estava fazendo. E eu… estava à mercê. Eu, que sempre fui a garota certinha. A que esperava por algo verdadeiro. Que guardava minha virgindade como quem protege um segredo precioso. Que dizia para mim mesma que só entregaria tudo a alguém que me amasse de verdade. E agora… estava presa em fantasias com um homem que não conheço. Um homem que poderia quebrar meu coração sem nem perceber que o segurava. Levantei os olhos para a porta fechada da sala dele e engoli seco. Ele era meu chefe. E eu era só mais uma assistente tentando não se perder no olhar de um homem que nasceu para destruir resistências. Mas alguma coisa em mim dizia que essa história não seria comum. Porque com Leonardo… nada é comum. E eu estava começando a entender que, por mais que eu tentasse... não havia escapatória. Levantei para levar alguns documentos ao financeiro quando a porta do elevador se abriu. O som dos saltos ecoou antes mesmo de eu ver quem era. Era como se cada passo anunciasse a chegada de alguém importante… ou perigoso. Foi quando a vi. Alta, elegante, com cabelos castanhos claros e perfeitamente ondulados, como se tivesse saído de uma revista. Usava um vestido justo demais para um ambiente corporativo e um salto que parecia gritar “olhem pra mim”. Ela não olhou para ninguém. Só caminhou, com a confiança de quem tem o mundo a seus pés. Mas, ao passar por mim… ela me olhou. E eu senti. Foi um segundo. Talvez menos. Mas havia algo no olhar dela. Um julgamento silencioso, uma avaliação. Como se ela soubesse de mim. Como se me enxergasse como uma ameaça. Me encolhi por dentro sem entender o motivo. Continuei andando, mas a imagem dela ficou presa na minha mente. Quem era aquela mulher? Alguns minutos depois, quando voltei para minha mesa, ela ainda estava lá, parada na recepção da sala do Leonardo, discutindo com o segurança, exigindo entrar. A voz dela, mesmo baixa, carregava um tom venenoso. — Ele vai me receber. Ele sempre me recebe. — Senhorita, o senhor Leonardo está em reunião — disse o segurança, firme. Ela cruzou os braços, irritada, e lançou um olhar afiado para a porta de vidro. Os olhos dela queimavam com algo entre desejo e raiva. Algo que eu não sabia se queria entender. Antes que eu pudesse voltar para minha mesa, ela virou os olhos para mim outra vez. Agora com mais intensidade. Como se sentisse que havia algo errado. Como se me farejasse. — Nova, né? — ela disse, com um sorrisinho debochado nos lábios. — Boa sorte, querida. Você vai precisar. E saiu. Fiquei paralisada. Boa sorte? Preciso? Quem era ela? Uma ex? Uma amante? Uma mulher que conhecia os caminhos daquele escritório como se já tivesse sido dona dele? Ou pior… como se ainda achasse que fosse? Voltei à minha mesa, mas algo tinha mudado. A presença dela me deixou inquieta, mexida. E eu soube não com lógica, mas com o instinto que aquela mulher não era só uma peça do passado de Leonardo. Ela era um sinal. Um alerta. E de alguma forma, mesmo sem saber… Eu já estava dentro de um jogo muito maior do que podia imaginar. Tentei voltar ao trabalho, mas meus olhos não saíam da porta de vidro que levava até a sala do Leonardo. Eu queria fingir que nada aconteceu. Que aquele olhar venenoso da mulher desconhecida não tinha me afetado. Mas estaria mentindo. Tinha algo naquela mulher… Algo no jeito como ela me analisou… como se já tivesse estado exatamente onde eu estava agora. Sentada naquela cadeira. Esperando aquele homem. E se ela fosse mais do que uma ex? E se ela fosse o tipo de mulher que ele costuma ter? Segura, sensual, experiente… tudo que eu nunca fui. Mordi o lábio inferior, desconfortável com a comparação. Por que aquilo me importava tanto? Talvez porque, mesmo que eu quisesse negar, Leonardo Duarte já havia se infiltrado demais na minha mente. E no meu corpo. Toda vez que ele passava por mim, o perfume dele me envolvia como um toque invisível. Amadeirado, intenso, másculo. Toda vez que sua voz soava atrás de mim, baixa e imperativa, eu sentia os pelos da nuca se arrepiarem. Ele nem precisava me tocar. Porque meu corpo já reagia só de sentir sua presença. E o pior de tudo? Eu gostava. Fechei os olhos por um instante. Respira, Rebeca. Você precisa manter a cabeça no lugar. Isso é um emprego. Você lutou por essa oportunidade. Estudou, correu atrás. Não pode colocar tudo a perder por um desejo i****a. Mas aí ele saiu da sala. E tudo desabou. — Rebeca — ele chamou, com aquela voz grave que me arrepiava. — Venha aqui, por favor. Meu corpo respondeu antes da minha mente. Levantei, tentando manter a compostura, e entrei. Ele estava encostado na mesa, mangas dobradas, os braços fortes à mostra. O relógio de luxo no pulso, o olhar sombrio. Mas naquele momento… havia algo diferente em seus olhos. Como se ele estivesse me testando. — Teve alguma movimentação aqui fora enquanto eu estava ocupado? — ele perguntou, casual. Mas o tom… havia tensão ali. Engoli em seco. — Uma mulher veio… ela parecia… — hesitei —… íntima do senhor. Ele ficou em silêncio por um instante. Depois caminhou lentamente até mim. Um, dois passos. Até parar bem perto. Perto demais. Meu coração disparou. — E o que achou dela? — ele perguntou, baixo. Olhos nos meus. Quentes. Dominantes. Minha garganta secou. — Ela… me pareceu perigosa. Os lábios dele se curvaram levemente. Mas não era um sorriso. Era um aviso. — Você é esperta, Rebeca. E então ele se afastou, voltando para a cadeira. — Pode voltar ao seu posto. Tentei sair sem tropeçar nas pernas. Mas antes de fechar a porta, ouvi a última coisa que ele disse: — E Rebeca… Virei o rosto. — Nunca subestime uma mulher ferida. Mas jamais… subestime um homem decidido.
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