2- Tentação Inesperada

1106 Words
Leonardo Narrando Dizem que o poder é viciante. Que quanto mais se tem, mais se deseja. E eu concordo. Me tornei CEO da Duarte Group aos 28 anos. Herdei o império do meu pai, mas fui eu quem o transformei em algo ainda maior. Expandi. Dominei. E hoje, aos 34, estou exatamente onde sempre quis estar: no topo. Rico, influente, temido. Não há ninguém neste prédio que não abaixe os olhos quando eu passo. E eu gosto assim. Meu nome é Leonardo Duarte. Alto, corpo definido por treinos diários e lutas noturnas que me ajudam a manter o controle, e às vezes a perder. Cabelos escuros, barba sempre aparada, olhos castanhos intensos que já viram mais do que deveriam. Visto ternos sob medida e nunca, nunca deixo uma emoção transparecer. A não ser que eu queira. E hoje… pela primeira vez em muito tempo, eu quis. Ela entrou na minha sala como quem não pertencia àquele mundo, e ainda assim, como se tivesse sido feita para ele. Rebeca Andrade. Tão jovem. Tão pura. Tão absurdamente… provocante em sua inocência. Aquela boca rosada, a pele clara demais, os olhos que se recusavam a me encarar por muito tempo. Aquilo me acendeu de um jeito perigoso. E eu reconheço o perigo quando o vejo. Principalmente quando ele veste uma saia lápis colada e tenta se esconder atrás de uma camisa comportada. Ela não fazia ideia do que causava em mim. — Por que você acha que foi escolhida? — perguntei, mais por curiosidade do que por necessidade. Sua voz tremeu. Tentou ser firme. Isso me arrancou um sorriso discreto. Eu sou um homem de controle. Não gosto de distrações. Já transei com mulheres poderosas, lindas, experientes… e nenhuma delas me fez perder o eixo. Mas essa garota... Ela não fazia ideia do tipo de mundo no qual estava se metendo. E talvez, por isso mesmo, eu quisesse ver até onde ela iria. Até onde poderia resistir. Se resistiria. Ela saiu da minha sala e, por um instante, fiquei olhando a porta fechar. Minha mente já imaginava coisas que não deveria. Imagens proibidas. O som do salto dela pelo corredor me deixou mais inquieto do que o barulho de uma proposta milionária. Preciso ter cuidado. Ela é nova. Frágil. Talvez seja apenas uma ilusão passageira… Ou talvez, pela primeira vez, eu tenha encontrado algo que o dinheiro não pode comprar. Algo que quero… e vou ter. Nem que eu tenha que destruir todas as regras para isso. Eu não sou um homem que se perde por qualquer mulher. Já tive loiras, morenas, ruivas... mulheres que sabiam o jogo, que vinham até mim com intenções claras. Eu as comandava, moldava, usava. E elas gostavam disso. Algumas até imploravam por mais. Mas Rebeca… Ela não joga. Ela sente. Cada gesto dela é natural, sem artifício. Isso, pra mim, é uma droga viciante. O tipo que entra devagar, dominando seus sentidos até que, quando você percebe, já não consegue mais ficar sem. O modo como ela desvia os olhos quando me aproximo. Como suas mãos tremem discretamente ao tocar nos papéis que eu entrego. Como ela prende a respiração toda vez que a minha voz desce o tom. Ela tenta disfarçar. Mas o corpo dela fala por ela. E eu escuto. Quando ela me entregou aquele contrato, seu perfume invadiu minha mente. Doce, leve, como ela. Mas eu sabia... por trás daquela doçura havia algo latente. Um vulcão prestes a despertar. Eu a provoquei, sim. Queria ver até onde ela iria. Testar seus limites. Entender até que ponto aquela pureza era real, ou se era apenas um verniz esperando alguém como eu para ser arrancado. — Sempre foi tão obediente assim? A pergunta saiu como um sussurro. Mas eu vi a reação dela. O leve arrepio. O rubor nas bochechas. A respiração falha. Ela está tentando resistir. Mas já está envolvida. E isso me excita de um jeito que há muito tempo não sentia. Voltei para minha cadeira sem tocá-la, mesmo que cada fibra do meu corpo gritasse para fazer exatamente isso. Mas eu não sou impulsivo. Sou paciente. Estratégico. E com Rebeca… quero cada etapa. Cada recusa. Cada rendição. Quero ver o momento em que ela deixar de me chamar de —Senhor e começar a gemer meu nome. Mas antes... vou brincar. Provocar. Desarmar. Ela ainda não sabe, mas já entrou no meu jogo. E no meu jogo, Rebeca... Só há duas opções: se entregar ou se perder. Mal fechei a pasta do contrato quando o celular vibrou. Nina. Suspirei, irritado. Mais uma vez. Ela não entendia. Ou fingia não entender. Atendi apenas porque, se não o fizesse, ela apareceria na minha sala como já fez outras vezes. — Leonardo... finalmente. — A voz dela veio doce, enjoativa, ensaiada. — Você tem me evitado. — E você continua ignorando os sinais. — Não me trate como uma qualquer. Você sabe que nós dois... — Nós dois não temos mais nada, Nina. Já disse isso. Já deixei claro. Eu não repito. Ela riu. Uma risada aguda, quase forçada. — Você acha mesmo que essa sua secretarinha vai preencher o espaço que eu deixei? Que ela vai entender seus gostos... seu temperamento? Você vai cansar dela. Vai ver que ela não tem a menor ideia de como satisfazer um homem como você. Meus olhos se estreitaram. O sangue começou a ferver. — Cuidado com o que você diz, Nina. Você está ultrapassando limites perigosos. — Ah, claro. Você pode brincar com quem quiser, mas eu não posso nem ligar? — Ela bufou. — Você nunca soube amar de verdade, Leonardo. Mas comigo... comigo você não precisava fingir. — Exatamente. Com você eu era quem realmente sou: frio. Rápido. Objetivo. Silêncio. Do tipo que grita do outro lado da linha. — Você vai se arrepender — ela disse, por fim, num tom mais baixo. — Vai perceber que nenhuma mulher vai suportar seu jeito controlador. Nem mesmo essa mocinha virgem que você acha que pode ensinar. Desliguei sem responder. Eu odeio chantagens emocionais. Odeio ser ameaçado. E, acima de tudo, odeio que toquem em algo meu. Porque Rebeca... mesmo que ainda não saiba, já é minha. E Nina estava cruzando a última linha entre o passado e a minha paciência. Peguei meu copo de uísque, fui até a janela e encarei a cidade lá fora, iluminada e cega para os jogos de poder que aconteciam por trás dessas paredes. Eu teria Rebeca. Do meu jeito. No meu tempo. E quem ousasse se meter… descobriria que o CEO da Duarte Group não é só um homem de negócios. É um homem que nunca perde.
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