Wictoria Dmitryeva
Observo Maskim sair do quarto, e percebo que nem perguntei, o motivo dessa tal Elea, vir falar comigo. Eu não resisti… bem, pelo menos, não depois dele arrancar os botões do vestido de uma vez.
Me sinto apreensiva, e fico pensando, no que essa mulher pode fazer comigo, afinal, não conheço nada sobre a máfia, ou sobre os seus rituais de iniciação. É claro que já ouvi falar de rituais bárbaros e desumanos, mas não foi uma opção minha, entrar nessa organização.
Não sei quanto tempo passa, até que a campainha toca. Me levanto, visto o roupão que, não havia percebido, Maskim deixou nos pés da cama. Com certeza, deixou para mim, já que ele vestiu um, antes de sair. Sinceramente, não ouvi mais nada, depois dele dizer que sua madrinha está vindo falar comigo.
Abro a porta, e vejo uma mulher de postura imponente, e de semblante sério, parecendo me avaliar. Mesmo sendo um pouco mais baixa que eu, sua atitude demonstra, que ela, traz tudo em cabresto, e em rédeas curtas! Engulo seco, sob o seu olhar inquisidor, e afasto a porta, lhe dando passagem.
— Madame, eu nunca tive a intenção de entrar numa organização mafiosa! — começo a falar rápido, assim que fecho a porta. Ela olha para mim, atentamente. — Antes desta noite, eu nem sabia qual era o rosto do Maskim! Ele pode ter passado por mim, inúmeras vezes até, mas eu ainda não saberia quem ele era de fato! Claro que eu já ouvi falar dele, ele é muito influente! Mas eu não quero um desses rituais brutais, de iniciação… — eu abaixo a voz, pois, ela levanta uma sobrancelha, erguendo bem a cabeça, para me olhar de cima. — me perdoe… — abaixo a cabeça, e minha voz se transforma num sussurro. — eu só não quero…
— Não acha que nos ofende, nos chamando de mafiosos? — sua voz soa tão fria, que me faz sentir arrepios, e eu a vejo começar a caminhar, em minha direção. — Já que você não quer uma iniciação brutal, vamos duelar em praça pública, ao nascer do sol!
Sinto o sangue fugir do meu rosto, mas me obrigo a olhar para ela, que mantém uma sobrancelha erguida.
— Eu… — engulo seco mais uma vez. — eu não sei duelar, madame… — fecho os meus olhos pois, ela chegou muito perto de mim. Sinto sua mão em meu ombro.
— Estou brincando, Wictoria! — ouço sua risada melodiosa, e olho para ela. — Devia ter visto a sua cara! — ela ri mais uma vez, e eu consigo recuperar um pouco da minha serenidade, então sorrio para ela. — Adoro pregar peças nos novos integrantes da família, e não vou me desculpar por isso! Eu só vou conversar com você, querida. Preciso saber como Maskim tratou você. E eu não quero que me diga, o que acha que eu quero ouvir! Quero que me diga, exatamente, como se sentiu, e a sua opinião mais sincera. Você acha que pode fazer isso?
Ela segura a minha mão entre as dela, enquanto pergunta, me passando uma sensação de segurança. Eu assinto, então ela me guia até as poltronas da ante-sala.
— Eu não era noiva dele… — falo baixinho. — eu não o conheço, não era para eu me casar com ele. — suspiro involuntariamente.
— O que quer dizer com isso, querida?
— Eu estava indo para o meu casamento e, por acaso, fui parar nessa igreja… — abaixo a cabeça e a voz. — eu fui obrigada a me casar com Maskim. Você disse que eu podia falar a verdade… eu só estava no lugar errado, na hora errada.
— Olhe para mim, querida. — eu a olho, e percebo que ela me olha com ternura. — Essa coisa de acaso, não existe. Se você foi parar naquela igreja, é porque era para ser assim. Quem era o seu noivo?
— Pietro Brassanini.
Tenho a impressão, que ela parece se espantar, mas apenas por uma fração de segundo. Então ela sorri.
— Por amor?
— Não. Ele queria uma esposa troféu, meu pai queria um investidor… eu acho que Pietro é gay.
— Hum! — ela envolve os dentes com os lábios, e ri sem som, e brevemente. — Não se incomode com a minha reação, querida! Me desculpe! Continue, por favor.
— Eu realmente acho que ele é gay, afinal, ele aceitou um casamento de um ano, e sem sexo.
Ela ergue as sobrancelhas assentindo, por alguns segundos.
— Wictoria, como eu disse, o acaso não existe. Eu ajudei a criar Maskim, depois que o pai dele faleceu, quando ele tinha três anos. Eu tinha quinze, e estava me preparando para me casar e ser mãe. — ela parece pensar por um segundo. — Na verdade, acho que posso dizer que assumi a maternidade dele, mesmo sendo tão nova. A mãe dele, minha irmã mais velha, morreu de complicações do parto, horas depois dele nascer.
— Que triste! — me sinto compadecer com sua história.
— Não se preocupe, querida! — ela sorri largamente. — Nós o levamos para nossa casa, quando nos casamos, e o criamos com amor e disciplina… para a organização, pelo menos.
— O que isso quer dizer? — franzo as sobrancelhas.
— Que ele foi muito bem treinado, para assumir a organização, quando chegasse a hora, e essa hora chegou.
— Mas? — pergunto, ao perceber a hesitação dela.
— Parece que deixamos algumas coisas passar. — ela continua parecendo pensativa. — Maskim é um pouco rígido demais para algumas coisas, e não gosta de regras em outras e, acima de tudo, ele não gosta de ser “mandado”, muito menos, desobedecido. Siga os seus votos, e você estará bem.
— Você fez esses mesmos votos?
— Não precisei. — ela sorri, e seus olhos brilham. — Sempre fui apaixonada por Giacomo, e praticamente obriguei meu pai, a me candidatar como esposa dele, quando eu tinha dezessete anos. — ela ri baixinho, e eu não consigo deixar de acompanhar o seu riso. — Além disso, conquistei a confiança dele, e o meu espaço dentro da organização.
— Você parece totalmente realizada! Fico muito feliz por você!
— Obrigada, querida! Eu realmente sou! Agora você precisa me dizer, se Maskim machucou você.
— Ele me forçou, madame! — falo baixinho. — Eu não queria…
— Está me dizendo que ele estu.prou você? — ela arregala os olhos.
— Eu disse a ele que eu não queria, além de tudo o que disse a você. Ele… me ameaçou, e abriu meu vestido com vio.lência! — falo rápido, para não perder a coragem, mas então eu penso por um segundo, me lembrando de tudo o que ele fez em seguida, e começo a falar devagar. — Depois… ele me carregou para a cama e… — penso por mais um segundo, olhando em seus olhos, e ergo as minhas sobrancelhas. — e ele me seduziu.
Começo a falar em detalhes, tudo o que Maskim me fez, além de tudo o que eu senti. Falei do primeiro org.asmo, e de como ele fez com que a dor parasse, a forma que ele estava me massageando, e que acabou me fazendo ter outro org.asmo, e também, de como foi intenso, quando go.zamos juntos… no meu terceiro org.asmo.
A mulher à minha frente, ficou boquiaberta várias vezes, assim como, muitas vezes, se mexeu e se arrumou na cadeira, cruzando e descruzando as pernas de vez em quando. E também passou a língua nos lábios, os umedecendo, por diversas vezes.
— Cara.lho, garota! — ela fala, e sua voz soa meio rouca, quando termino de contar tudo. — Você acabou de me fazer molhar a cal.cinha! Wow! — ela respira fundo e, mais uma vez, se mexe na cadeira, depois pigarreia. — Fico feliz em saber, que eu o soube ensinar, como tratar bem uma mulher na cama. Tudo o que se pode fazer com um filho, é aconselhar, dizendo o que é certo e errado. — ela sorri, parecendo orgulhosa. — Obrigada, Wictoria! — ela se levanta, e me puxa para um abraço. — Bem-vinda à família! Você não é obrigada a entrar para a organização; e pode chamar de Elea.
— Obrigada, Elea! — retribuo o abraço, me sentindo mais tranquila. Depois olho em seus olhos, ainda a abraçando. — Será que posso ver minha mãe? Ele me tirou do salão, no meio da festa.
— Todos voltaremos para a festa, querida! Vocês têm que trocar as mãos das alianças, cortar o bolo…
— Eu ia mesmo perguntar isso. Por que as alianças estão nas nossas mãos direitas?
— Primeiro é feito um compromisso, dentro da igreja, onde o próprio arcebispo ecumênico coloca as alianças em seus dedos, das suas mãos direitas. Depois de consumado o casamento, o sacerdote autoriza que os próprios noivos, troquem as alianças, pois agora sim, estão em matrimônio.
— Uhm-hum… — murmuro concordando, ainda pensativa, abaixando a cabeça.
— O que foi, querida? — ela me faz a olhar de novo, colocando uma das mãos, sob o meu queixo.
— Posso fazer uma pergunta um pouco mais pessoal? — ela assente. — Por que ele não a trata como mãe?
— Maskim se tornou independente, por volta dos dezessete anos. — ela sorri. — Independente, e meio rebelde também. Muitas vezes, ele me chama de mãe e me trata como tal, mas na maior do tempo, ele se refere a nós como padrinho, madrinha, ou a família de Giacomo. Ainda assim, ele luta pelos irmãos, e os defende com unhas e dentes… — ela abaixa um pouco a voz, como se estivesse divagando. — e armas, bombas… um exército. — ela fecha os olhos e ri baixinho.
— Certo. — de repente, me lembro de um detalhe. — E o que eu vou vestir? Ele arrancou a maior parte dos botões do vestido de noiva.
— Wictoria, meu filho pode não ser o melhor homem do mundo, mas ele pode te surpreender às vezes. Independente do que ele faça, nunca se esqueça de cumprir os seus votos. Sempre! — engulo seco, mas não respondo, e ela continua. — Sobre o vestido, ele trará um para você vestir. Agora vá encher a banheira, ligue a hidro e relaxe um pouco. Maskim irá se juntar a você em poucos minutos. Faz parte da nossa tradição, que os recém-casados passem juntos, alguns momentos confortáveis. — ela sorri, segurando meu rosto entre as mãos.
— Está bem.
Sorrio de volta, e retribuo o beijo, que ela dá em meu rosto, antes de vê-la sair do quarto.
Maskim Dmitryev
Não sei quanto tempo passa, apenas permaneço na mesma posição. Nem mesmo quando ouço a porta se abrir, me movo. Tenho que demonstrar a minha honra e virilidade.
— Está ajoelhado há quase duas horas, querido. — minha madrinha me olha, e sorri, orgulhosa, se abaixando à minha frente, e falando em russo.
— Mama. — sinto minha voz tremer levemente quando falo, também em russo, e fecho os meus olhos, recebendo seu carinho em meu rosto.
— Seu casamento fugiu de todos os nossos padrões, filho! — encontro, brevemente, o seu olhar severo, e abaixo a cabeça levemente. — Olhe para mim! — ela exige e eu a obedeço. — Você terá que ser um pouco maleável, Massy!
— Sempre que me chama assim, me sinto uma criança levando bronca…
— Eu não terminei! — ela fala com a voz mais severa, levantando uma sobrancelha.
— Me perdoe, mamãe! — peço de cabeça baixa, e volto a olhar em seus olhos.
— Serei um pouco mais rígida, já que você me interrompeu! Wictoria não é do nosso meio, não é apaixonada por você, e nem você é, por ela. Ela é muito forte e independente, portanto, será difícil fazê-la te obedecer cegamente! Faça esse casamento funcionar, Maskim! Não toleramos divórcio, e você sabe disso! Mas se por acaso, você tornar a vida dela insuportável, eu concederei a ela a opção do divórcio, e você será desonrado, e até perderá a sua posição como Bulla!
— Mamãe? — engulo seco, e arregalo os olhos, involuntariamente.
— Você entendeu?
— Sim, senhora. — respondo baixo, olhando em seus olhos.
— Então pode se levantar. Você já suou bastante. Por ora, você passou no teste.
Me levanto, e a ajudo a se levantar. Recebo o seu abraço, o retribuindo, então ela segura meu rosto e, como sempre faz, beija a minha testa, e diz que eu estou abençoado.
— Vamos, Giacomo! — ela pega a mão do meu padrinho. — A garota contou tantos detalhes, que eu fiquei exciittada! Vamos usar o outro quarto…
Eles saem rindo baixinho e cochichando, enquanto eu volto para o quarto, onde está minha esposa.
Eu a encontro na banheira, com a hidromassagem ligada. Ela me olha, quando ouve a porta se abrir. Me aproximo, deixando o roupão no meio do caminho, me agacho ao lado dela, ainda fora da banheira, acaricio o seu rosto, e beijo a sua testa.
Pego a esponja, e a lavo, evitando os locais, que percebo, que ela não se sente à vontade, que eu passe a esponja. Passamos alguns momentos juntos. Agradáveis, mas em silêncio. Ligo a hidro novamente, e tomo um banho rápido no chuveiro, afinal, o momento de relaxar é só dela, pois foram suas palavras, que me deram a aprovação do conselho da organização.
Envolvo meu quadril, com uma toalha, depois seco Wictoria, e coloco nela, um vestido de renda, em vários tons de azul, forrado com um tecido, com os mesmos tons, para só depois, me trocar, colocando um meio-fraque, azul-escuro.
— Vamos voltar para a festa? — pergunto, lhe oferecendo o meu braço.
— Sim!
Ela responde com um sorriso, aceitando o meu braço. Eu retribuo o seu sorriso, e a conduzo, para voltarmos para a nossa festa de casamento.