O Segundo Sonho
A segunda noite caiu sobre a mansão com um peso ainda maior que a anterior. O lago estava tão imóvel que parecia um espelho de vidro n***o, e a floresta ao redor permanecia em silêncio absoluto, como se todos os sons da vida tivessem sido sugados para dentro da água.
Amélia se deitou tarde, mas o sono veio rápido, denso e pesado. Ela sabia que sonharia de novo. Parte de si temia; outra parte ansiava.
Abriu os olhos e não estava mais em seu quarto. Estava na sala da mansão, mas o lugar estava vazio, iluminado apenas pela luz prateada da lua que atravessava as janelas. Os móveis pareciam maiores, as sombras mais longas.
E ele estava lá.
Lion.
Sentado na poltrona, o corpo reclinado, observando-a como se já a tivesse esperado. Quando se levantou, o ar da sala pareceu vibrar. Seus passos eram lentos, quase silenciosos, mas cada um fazia o coração de Amélia bater mais rápido.
Ela tentou se mover para trás, mas os pés não obedeceram. Ficou paralisada no mesmo lugar, como se estivesse presa àquele instante.
Lion parou diante dela. Seus olhos, tão escuros, refletiam uma chama interna que queimava e atraía.
— Eu disse que não precisava ter medo… — sua voz era baixa, profunda, penetrando mais na mente do que nos ouvidos. — O medo só torna tudo mais… vivo.
Sua mão se ergueu, e desta vez não apenas roçou sua pele. Tocou-a de verdade. Primeiro, afastou uma mecha de cabelo de seu rosto. Depois, deslizou devagar pela curva do pescoço, até a clavícula.
O toque queimava, mas não de dor. Era calor, puro calor, pulsando dentro dela como se acordasse algo adormecido.
Amélia prendeu a respiração. Seu corpo inteiro reagia contra sua vontade: a pele arrepiada, o sangue correndo rápido, os lábios entreabertos.
Lion sorriu, satisfeito.
— Você sente, não sente? — murmurou, aproximando o rosto do dela. — O quanto me deseja…
Ela tentou negar, mas a voz não saiu. O silêncio foi sua resposta.
As mãos dele desceram devagar por seus braços, contornando a cintura, puxando-a para perto. Amélia arfou, sentindo o corpo encostar no dele. Um calor sufocante, um choque elétrico que a fez tremer.
Ele se inclinou, os lábios quase roçando sua pele, descendo pelo pescoço, parando a cada suspiro dela como se a saboreasse.
Amélia sentiu algo incontrolável crescer dentro de si. Seu corpo ardia, desejava mais, e isso a assustava. Como podia estar excitada com aquele homem que m*l conhecia, que a apavorava?
Quando finalmente seus lábios quase alcançaram os dela, Amélia fechou os olhos, rendida ao instante.
Acordou de súbito. Estava em sua cama, o quarto mergulhado na escuridão. Mas seu corpo ainda tremia, quente, úmido de suor. O coração disparado.
Levou a mão ao pescoço — e engoliu em seco.
Sua pele ainda estava sensível, como se o toque dele tivesse sido real.
Na penumbra, o lago refletia a lua pela janela.
E, por um instante, ela jurou ter visto a sombra de um homem parado do outro lado da água, observando-a.