A aflição de Bella

1421 Words
- O que foi aquele ** que você jogou na Rosalie? – Questionei. Meu pai fez uma careta, fez uma curva com o carro e rangeu os dentes antes de responder. - Alho em **. Uma receita que eu fiz para momentos como aqueles. - Você estava falando em latim. Por quê? - Estava me confessando e rezando. - Por isso ela pareceu engasgar? - Mastiguei um pouco de alho e misturei ao sangue na minha boca. - Sangue bento?! Ele parou em um sinal vermelho, olhou os retrovisores e me encarou. - A coronha da minha arma é marcada como uma cruz, benzida por um padre. O soco-inglês que usei era de prata, feito com uma cruz derretida, assim como as balas que uso de munição. Aquilo que cuspi na cara daquele desgraçado e na boca da garota era alho, que queima a pele deles. Apotamkins são tão frágeis quanto qualquer humano se você souber como bater. Estudei alguns anos para ser padre e legalmente posso ser considerado como um, então posso usar objetos religiosos e abençoar armas para que sejam eficazes contra eles. Ainda tem mais perguntas ou já podemos falar sobre o qu importa? - Você é padre? Vi seu peito subir e descer em um suspiro. - Entende a minha situação, Bella? Entende o quanto me preparo para poder combatê-los? Entende o que tive que fazer e do que tive que abrir mão? Meus olhos pesaram e meus ombros encolheram. - E eu estou ponto em risco tudo por causa de um deles – Murmurei. - Edward falou com você sobre a Katherine? Fiz que não com a cabeça. - Pouco depois de eu começar com esta vida, uma garota se mudou para Forks – Disse ele. – Ela era bonita, gentil e uma ótima pessoa. Um dia ela foi assaltada em uma loja, e a conheci quando fui pegar seu depoimento. Ele hesitou, fechou os olhos com força e suspirou. Quando os abriu novamente, viu o sinal aberto, mas demorou alguns segundos para acelerar. - Encontramos o assaltante naquele mesmo dia – Continuou. – Ele tentou fugir pela mata, mas acabou dando de cara com os Cullen no meio de uma das caçadas deles. Era noite, então ele não tinha muito para onde ir, e quando os viu, tentou fazer Rosalie de refém. - Não deve ter sido uma boa ideia... - De fato. No fim, quando chegamos ao local, encontramos o corpo dele. - Eles o mataram? Senti um frio na barriga tão forte que achei que me encolhi. - Sim, mas não o devoraram, por assim dizer. O pescoço foi quebrado, e quando fui até a casa deles, fiquei sabendo de tudo. Deixei isso passar porque faz parte do acordo. Ninguém pode ficar sabendo deles, pois isso geraria perguntas. Se alguém encontrar a casa deles ou vê-los em alguma situação que revele suas identidades, eles têm o direito de m***r esse alguém, e assim o fizeram com o assaltante. Minha mente vagueou pela possibilidade dos Cullen matarem pessoas só por estarem no lugar errado e na hora errada. Então me lembrei de Edward, na noite que foi no meu quarto para me m***r. Estava com uma faca, queria fazer de um jeito que parecesse apenas um assassinato comum. - E o que Katherine tem a ver com isso? – Indaguei. - O homem estava com a bolsa dela quando os Cullen o mataram. Edward ficou com a bolsa e teve a brilhante ideia de devolver à Katherine. Arregalei os olhos. - Por que ele fez isso? – Questionei. - Eu não sei. Solidão, talvez. O importante é que ele realmente a encontrou e devolveu a porcaria da bolsa. No fim, eles passaram a se conhecer e ficaram íntimos o bastante para aquele filho da p**a falar que não era humano. - E o que aconteceu com ela? - Eu a pressionei para que me falasse algo sobre os Cullen, mas mesmo, eu a ameaçando, ela não disse uma palavra, já que estava apaixonada por aquele vampiro desgraçado. Ela me convenceu de que não seria um problema, e acabei falando quem eu era de verdade. - Você aceitou que ela soubesse? Mas isso é... - Eu já matei vampiros antes, Bella, e cada um deles mereceu a morte que teve, mas nunca matei um ser humano. As duas coisas são diferentes o bastante para que minha consciência pese se eu atirar em uma pessoa sem que seja completamente necessário. - Então você não atirou nela... O que aconteceu? - Ela morreu. - Como? Meu pai suspirou, parou o carro na frente de casa e apertou forte o volante entre os dedos. - Foi morta por outros vampiros. Senti um calafrio percorrendo minha espinha. - Ela e Edward... - Sim. Estavam juntos, e ele não reagiu bem. Edward se culpou pela morte dela e me pediu para que eu o matasse, já que não conseguia conviver com esse fardo sobre os ombros. Abri a boca para falar algo, mas não pude dizer nada. Vi Charlie sair da viatura e pegar a arma, depois ele me esperou sair para entrarmos em casa. Não foi preciso dizer muito mais para que eu entendesse a situação geral. Edward quis me m***r no começo por estar dentro do direito de manter anonimato, mas não poderia fazer nada por causa do meu pai. Então ele tentou me afastar para que o que aconteceu com Katherine não acontecesse comigo. - Você pegou eles? – Indaguei, sentando junto com meu pai na cozinha. – Pegou os vampiros que mataram Katherine? - Estou atrás deles até hoje, e acredito que eles estão por perto. - As mortes recentes... - Provavelmente eles – Meu pai praguejou. – As vítimas foram amigos meus, então não pode ser coincidência. Eles estão me mandando uma mensagem. -Estão vindo atrás de você? - Não, sabem que posso lidar com eles a qualquer momento, aprendi a me preparar para nunca ser pego de surpresa. Eles não entraram em Forks, estão rondando o condado pelas beiradas porque estão com medo de vir direto até mim. - Você parece confiante demais... - O que me preocupa é que a primeira morte aconteceu depois que você chegou... É coincidência demais. O recado fica bem claro se você pensar por esse lado. Por isso tenho que ser cauteloso. Meu corpo estremeceu, mas me contive. - Você deve ser uma grande ameaça, se eles estão fazendo isso tudo e ainda assim não atacam você. Ele colocou a mão no bolso e jogou um dente de alho levemente na minha testa. - Isso em você é pouco mais que o sopro, mas para eles é uma dor imensa de uma queimadura. Para derrubar uma pessoa, é preciso um tiro. Para derrubar um apotamkin, basta jogar ** no ar. As fraquezas deles os fazem ser mais vulneráveis que humanos normais, e a partir do momento em que entendo e uso isso contra eles, sou a maior ameaça para qualquer apotamkin na região. - Eles devem dormir com medo de você estar debaixo da cama deles e devem contar histórias do Charlie-papão para as crianças vampiras. Ele riu por um segundo antes de voltar a ficar sério. - Vá dormir, querida. Descanse, e amanhã voltaremos para falar com eles durante o dia, quando eles são mais dóceis. Assenti e saí. Quando entrei no meu quarto, fiquei olhando para o nada, como se estivesse esperando que Edward aparecesse novamente para me explicar direito tudo o que aconteceu, mas isso não aconteceu. Afundei meu rosto entre os braços, refletindo sobre o que estava acontecendo. Eu realmente sentia algo por ele? Realmente era certo eu amar um apotamkin? A resposta para a primeira dúvida era sim, mas para a segunda era não. Meu pai provavelmente não matou Edward quando ele pediu por causa da família, a mesma família falsa que estava decidindo se iria ou não me m***r. Eu estava confusa, era muita coisa para digerir. Senti falta de quando estava entediada na universidade, senti falta de estar em Phoenix, odiando café, senti falta de acordar de manhã e ver que minha maior preocupação era decidir qual livro eu leria naquele dia. Sei que muita coisa mudou na minha vida desde que cheguei em Forks, mas nada se comparou com o sentimento de vazio dentro de mim. Desde quando eu era assim? Desde quando alguém se importava tanto comigo? Desde quando eu era tão importante? Senti meu corpo pesado. Eu não queria mais. Não queria mais estar no meio daquilo tudo. 
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