Bryan Narrando
— Então é isso mesmo? — Henry perguntou com um sorriso debochado. — O nosso garoto está apaixonado.
As risadas dos meninos tomaram conta da roda.
Bryan passou a mão no rosto, já arrependido de ter aberto o coração.
— Eu só falei porque vocês não iam parar de encher o saco.
— Ah, não... agora piorou. — Ares gargalhou. — Confirmou oficialmente.
— Nunca pensei que fosse ver isso. O Bryan, que vivia dizendo que não queria nada sério, todo bobinho por causa de uma menina.
— Ela nem sabe. — Bryan respondeu, olhando para o chão.
Lucas deu um tapinha no ombro dele.
— E vai ficar sem saber até quando?
Bryan respirou fundo.
— Não sei... Ela é mais velha que eu.
Por alguns segundos, ninguém brincou.
Henry foi o primeiro a falar.
— Cara... idade não é o problema.
— O problema é tu ficar imaginando mil coisas sem nem conversar com ela. — completou Fernandes.
Bryan deu um sorriso sem graça.
— Vocês falam como se fosse fácil.
— Fácil não é. Mas ficar sofrendo calado também não resolve. — disse Ares.
Antes que Bryan pudesse responder, Gabb apontou para a entrada da praça.
— Falando na dona dos teus pensamentos...
Bryan virou o rosto quase no mesmo instante.
Alícia vinha caminhando ao lado de Pérola, Helô, Sofia e Lívia.
Ela usava uma blusa xadrez vermelha, jeans escuro e o cabelo preso em um r**o de cavalo alto.
Bryan sentiu o coração acelerar.
— Ferrou... — murmurou.
— Vai lá cumprimentar. — Henry incentivou.
— Nem pensar.
— Vai.
— Não.
— Vai.
— Henry, pelo amor de Deus...
Os amigos já estavam rindo da situação.
Enquanto isso, do outro lado da praça…
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Alícia Narrando
Assim que chegamos, cumprimentei algumas pessoas da comunidade.
O clima do arraial continuava gostoso.
Barracas de comidas típicas.
Música.
Crianças correndo.
Famílias conversando.
Quando levantei os olhos por acaso...
Encontrei Bryan olhando na minha direção.
Assim que percebeu que eu também estava olhando, ele desviou tão rápido que me fez prender uma risada.
— Tá tudo bem? — perguntou Pérola.
Sorri de lado.
— Acho que alguém ficou com vergonha.
Helô acompanhou meu olhar e sorriu também.
— Eu acho que sei quem é.
Bryan fingia prestar atenção na conversa dos amigos, mas de vez em quando acabava olhando de novo.
E, sem perceber, toda vez que nossos olhares se encontravam...
Os dois sorriam.
Sem dizer uma única palavra.
Porque, às vezes...
Um olhar dizia muito mais que qualquer conversa.
Os dias passaram mais rápido do que eu imaginava.
Quando percebi, tinha chegado o último fim de semana de festa junina.
Depois de tantos arraiais espalhados pelas comunidades da região, o encerramento : Andaraí.
A comunidade estava ainda mais cheia do que nos outros dias.
As ruas estavam tomadas por bandeirinhas coloridas, barracas de comidas típicas e caixas de som tocando forró, sertanejo e pagode.
O cheiro de milho cozido, churrasquinho, salsichão e canjica se misturava no ar.
Era impossível andar sem encontrar alguém conhecido.
Eu, Pérola, Helô, Sofia, Lívia , Kamilly e Yumi caminhávamos entre as barracas cumprimentando praticamente todo mundo.
— Nem acredito que esse é o último arraial. — comentou Helô.
— Parece que começou ontem. — respondeu Pérola.
Sorri olhando ao redor.
Todo ano era assim.
Quando a gente estava aproveitando de verdade...
As festas acabavam.
Do outro lado da praça...
Bryan já estava com Henry, Ares, Gabb, Fernandes e Lucas.
Assim que chegamos, Henry deu um sorriso malicioso.
— Chegou a patroa.
Bryan revirou os olhos.
— Para com isso.
— Última oportunidade das festas juninas, meu parceiro.
— Deixa de ser emocionado.
— Emocionado? Tu passou o mês inteiro olhando pra menina.
Os meninos riram.
Bryan apenas abaixou a cabeça, rindo também.
Pouco depois começou a tradicional quadrilha.
Moradores de todas as idades formaram pares e ocuparam o centro da praça.
Nós ficamos assistindo perto da grade.
Sem perceber, Bryan e os amigos acabaram parando bem ao nosso lado.
Quando olhei para o lado...
Nossos olhos se encontraram.
Ele sorriu.
Sorri de volta.
Foi um daqueles sorrisos discretos, quase imperceptíveis para quem estava de fora.
Mas não para os amigos dele.
Henry deu uma leve cotovelada em Ares.
— Tá vendo?
— Tô. Eles nem percebem mais que ficam se procurando.
Durante a apresentação, uma criança passou correndo e acabou esbarrando em Bryan, que deu um passo para o lado.
— Foi m*l. — ele disse, olhando para mim.
— Relaxa. Ela tava correndo igual um foguete. — respondi, rindo.
Foi uma conversa simples.
Menos de dez segundos.
Mas, para Bryan, parecia que tinha durado uma eternidade.
No fim da noite, todos olharam para o céu quando os fogos começaram.
As luzes coloridas iluminaram o Complexo do Andaraí inteiro.
Enquanto a comunidade comemorava o encerramento das festas juninas...
Bryan fez um pedido em silêncio.
"Quem sabe, na próxima festa... eu já tenha coragem de conversar de verdade com ela."
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Com o fim do último arraial no Complexo do Andaraí, as bandeirinhas foram sendo retiradas das ruas.
As barracas desapareceram.
A música deu lugar novamente às resenhas no campinho, às peladas de fim de tarde e à rotina da comunidade.
As férias caminhavam para o fim.
Mas, mesmo com as festas terminadas...
Os olhares entre Bryan e Alícia continuavam os mesmos.
E ambos tinham a sensação de que o destino ainda preparava muitos encontros para os dois.