Capítulo 21 – O Carnaval Chegou

1143 Words
Algumas semanas se passaram. Janeiro ficou para trás quase sem que ninguém percebesse. A rotina voltou ao normal. O campo continuava cheio todas as tardes, as resenhas aconteciam quase todos os dias e, sempre que podia, Alícia passava pelo mesmo caminho voltando do trabalho. Os dias foram ficando mais quentes. As ruas começaram a ganhar mais cor. As caixas de som apareciam nas portas das casas. Era impossível não perceber. O Carnaval estava chegando. Na comunidade, bastava fevereiro aparecer no calendário para o clima mudar completamente. As crianças já brincavam nas ruas com espuma colorida, os ambulantes começavam a vender confetes e serpentinas, e os grupos de amigos só falavam de uma coisa: — Onde vai ser a resenha? Enquanto isso, o grupo Penélopes da BD City já estava a todo vapor. Sofia: — Esse Carnaval promete. Pérola: — Eu só quero me divertir. Helô: — E eu quero um churrasco depois do bloco. Lívia: — Quero foto de todo mundo! As mensagens não paravam. Do outro lado, o grupo dos meninos também estava animado. Henry já fazia planos para reunir a galera. Gabb dizia que queria passar os quatro dias na rua. Lucas só queria saber onde teria música. E Bryan ria das ideias malucas dos amigos enquanto todos combinavam de aproveitar o feriado juntos. O Carnaval ainda nem tinha começado... Mas a comunidade inteira já respirava festa. ___________________ Primeiro dia de carnaval Alícia Narrando O despertador nem precisou tocar. A música já tomava conta da comunidade desde cedo. Abri a janela e sorri. — Começou... O primeiro dia de Carnaval sempre tinha uma energia diferente. As ruas estavam mais coloridas, as crianças corriam de um lado para o outro com espuma nas mãos e as caixas de som disputavam qual tocava mais alto. Peguei o celular. O grupo das Penélopes da BD City já tinha mais de cem mensagens. Sofia: — BOM DIAAAA! Quem já tá de pé? Pérola: — Tô terminando de me arrumar. Helô: — O Jonas já ligou a churrasqueira. Nem meio-dia é! Lívia: — Eu quero foto de todo mundo! Ri sozinha. Era impossível passar um Carnaval tranquilo com aquelas meninas. __________________ Bryan narrando Na minha casa também não existia silêncio. Henry já tinha mandado mensagem cedo. Henry: — Bora, preguiçoso! Gabb: — Hoje ninguém fica em casa. Lucas: — Encontra a gente no campo. Peguei uma camiseta, coloquei um boné e saí. Quando cheguei, a resenha já tinha começado. Ares apareceu carregando uma caixa de refrigerantes. — Trouxe a parte importante. — Achei que era você. — respondeu Gabb. Todo mundo caiu na risada. Fernandes chegou logo depois. — Hoje ninguém vai escapar da espuma. — Nem vem. — falei, dando um passo para trás. Era tarde demais. Lucas já tinha uma lata escondida. Em segundos, eu estava completamente coberto. — Seus traidores! As risadas ecoaram pelo campo. _________________ Pérola narrando Eu, Alícia, Sofia, Lívia e Helô nos encontramos perto da praça. Parecia que a comunidade inteira tinha resolvido sair de casa. Música para todos os lados. Cheiro de churrasco vindo das casas. Gente fantasiada. Crianças brincando. Lívia olhava tudo encantada. — Eu amo o Carnaval! Sofia sorriu. — Dá para perceber. Helô balançou a cabeça. — Daqui a pouco ela aparece toda coberta de espuma. — Eu? Jamais! Mal terminou de falar... Uma criança passou correndo e apertou uma lata de espuma bem na direção dela. Pssssss... Lívia ficou completamente branca. O silêncio durou dois segundos. Depois... Todo mundo começou a rir. — Eu falei! — gritou Helô entre gargalhadas. Até Lívia começou a rir da própria situação. _________________ Ares narrando A gente resolveu dar uma volta pela comunidade. Era impossível andar cinco minutos sem encontrar alguém conhecido. Cumprimentava um aqui. Outro ali. Quando passamos pela praça, vi o grupo das meninas conversando e rindo. Sorri de canto. — O que foi? — perguntou Henry. — Nada. — Tá olhando pra onde? Dei de ombros. — Pra lugar nenhum. — Sei... Os meninos começaram a rir. Resolvi ignorar. Era melhor deixar quieto. _________________ Alícia Narrando Já estava começando a escurecer quando voltamos para perto de casa. O cheiro do churrasco tomou conta da rua. Jonas estava na churrasqueira. Helô foi direto ajudar. Meu pai organizava as mesas na calçada enquanto cumprimentava quem passava. — Hoje a casa vai encher. — ele disse sorrindo. E ele tinha razão. No Carnaval, parecia que ninguém precisava de convite. Bastava chegar, dar boa noite e puxar uma cadeira. Olhei para a rua movimentada. As crianças continuavam brincando. Os vizinhos conversavam de portão em portão. A música seguia alta. Sorri. Independentemente da festa... Era isso que eu mais gostava. A sensação de que, durante aqueles dias, a comunidade inteira virava uma grande família. ________________ Bryan narrando O segundo dia de Carnaval começou tranquilo, até o Jonas aparecer com aquela cara de quem estava planejando alguma coisa. E todo mundo já sabia. Quando Jonas tinha uma ideia... Era melhor esperar o resultado. — Tenho uma proposta. — ele falou, chegando perto do campo. Henry olhou desconfiado. — Lá vem. Jonas começou a rir. — Todo ano vocês fazem a mesma coisa. Futebol, resenha, churrasco... Ele fez uma pausa dramática. — Está na hora de inovar. — Inovar como? — perguntou Lucas. Jonas abriu um sorriso. — Futebol vestido de mulher. Na mesma hora todo mundo começou a rir. — De novo essa história? — Helô perguntou, já sabendo exatamente do que ele estava falando. Jonas apontou para ela. — Você sabe que é tradição. A verdade era que aquilo não era novidade para ele. Nos anos anteriores, Jonas já tinha organizado a mesma brincadeira no Carnaval. Era uma das coisas que o pessoal mais comentava depois da festa. Por ele ser mais velho, acabava puxando essas ideias e juntando todo mundo para entrar na brincadeira. No começo, alguns ficaram com vergonha. Mas depois que viram a animação da galera... Ninguém quis ficar de fora. ________________ Pérola narrando Quando eu, Alícia, Sofia, Lívia e Helô chegamos perto do campo, já dava para ouvir as risadas de longe. E quando vimos a cena... Foi impossível não rir. Os meninos estavam completamente caracterizados, tentando levar o jogo a sério, enquanto todo mundo ao redor só conseguia se divertir. Lívia colocou a mão na boca. — Eu não acredito que eles fizeram isso. Sofia começou a rir. — A culpa é do Jonas. Helô cruzou os braços, rindo. — Eu avisei. Todo Carnaval ele inventa alguma coisa. Alícia olhou a cena sorrindo. Era impossível negar. A comunidade sabia aproveitar uma festa. _________________ Jonas narrando Eu só observava todo mundo rindo. Era disso que eu gostava no Carnaval. Ver pessoas diferentes juntas. Os mais novos, os mais velhos, os vizinhos, a família... Todo mundo esquecendo um pouco da rotina e criando histórias para contar depois. E aquele futebol, mais uma vez, já tinha virado uma delas.
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