Bryan narrando
Oito de abril.
Finalmente meu aniversário.
Acordei com o celular vibrando sem parar.
Antes mesmo de abrir os olhos, já tinha uma chuva de mensagens no grupo dos moleques.
Henry:
"Parabéns, velho! Hoje tu paga o churrasco!"
Lucas:
"Feliz aniversário, aniversariante! Hoje não tem desculpa, a carne é por tua conta."
Gabb:
"Se atrasar pra resenha perde o primeiro pedaço de picanha."
Fernandes:
"16 anos nas costas e continua r**m de bola."
Revirei os olhos, rindo sozinho.
Nem no meu aniversário eles me deram paz.
Poucos segundos depois, outra mensagem apareceu.
Henry:
"Cinco horas. Lá em casa. Ninguém falta."
Sorri.
Aquele ia ser um bom dia.
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Alícia Narrando
Assim que o relógio marcou cinco da tarde, nós cinco seguimos juntas para a casa do Henry.
— Ainda não acredito que a gente foi convidada. — Sofia comentou.
— Eu também não. — respondeu Lívia. — Achei que eles só iam chamar os meninos.
Helô deu de ombros.
— Depois do Carnaval, ficou mais fácil conversar com eles.
Pérola sorriu discretamente.
— Verdade.
Olhei para elas e ri.
— Então vamos antes que a Lívia invente de chegar atrasada.
— Ei!
Ela fez cara de indignada.
— A culpa nunca é minha.
Todas começamos a rir.
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Henry narrando
Minha casa já estava cheia.
A churrasqueira acesa.
O cheiro da carne tomando conta da rua.
As caixas de som tocando pagode.
Os vizinhos apareceram para dar parabéns ao Bryan.
Quando vi as meninas chegando, cutuquei o aniversariante.
— Olha quem veio.
Bryan levantou a cabeça.
E ficou completamente sem reação.
— Vai lá receber elas. — falei.
— Eu?
— Não... o carteiro.
Os moleques começaram a rir.
Empurrei ele de leve.
— Anda.
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Bryan narrando
Respirei fundo.
Fui até o portão.
— Oi...
Alícia sorriu.
— Feliz aniversário.
Meu coração quase saiu pela boca.
— Obrigado...
Ela estendeu uma sacolinha de presente.
— Não é grande coisa...
Mas a gente quis trazer uma lembrancinha.
Olhei surpreso para ela.
— Vocês não precisavam.
Lívia entrou na conversa.
— Precisava sim.
Aniversário só acontece uma vez por ano.
Henry apareceu atrás de mim.
— Tá esperando convite pra entrar?
As meninas riram.
— Bora entrar, gente!
Em poucos minutos...
A casa estava tomada por risadas.
Os meninos jogavam conversa fora perto da churrasqueira.
As meninas ajudavam a Helô a organizar os refrigerantes.
As crianças brincavam na rua.
Os vizinhos apareciam para dar os parabéns.
E a resenha já prometia render histórias por muito tempo.
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Henry narrando
Depois de todo mundo comer, a resenha só aumentou.
O pagode continuava tocando baixinho, a churrasqueira ainda estava acesa e a rua em frente de casa já tinha virado praticamente uma extensão da festa.
Olhei para os moleques.
Depois para as meninas.
Sorri.
— Rapaziada...
Tenho uma ideia.
Bryan me olhou desconfiado.
— Lá vem...
Lucas começou a rir.
— Quando ele fala isso, sempre dá r**m.
Cruzei os braços.
— Bora brincar de Verdade ou Desafio?
Na mesma hora começaram as reclamações.
— Ihhh...
— Lá vem vergonha.
— Não...
Lívia foi a primeira a levantar a mão.
— Eu topo!
Sofia riu.
— Eu também.
Helô concordou.
— Vai ser engraçado.
Pérola deu de ombros.
— Tô dentro.
Alícia olhou para mim e sorriu.
— Já que todo mundo aceitou...
Bora.
Bryan passou a mão no rosto.
— Hoje é meu aniversário e eu ainda vou passar vergonha.
Todo mundo caiu na gargalhada.
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Bryan narrando
Henry pegou uma garrafa de refrigerante vazia.
Colocou no chão.
— Regras simples.
Girou...
Quem cair escolhe entre verdade ou desafio.
Nada de fugir.
Lucas apontou para mim.
— Como o aniversariante tá pagando a festa...
Ele começa.
— Ah, não.
Nem tive tempo de reclamar.
A garrafa girou.
Girou.
Girou.
E parou.
Na minha direção.
A roda explodiu em risadas.
— EU FALEI! — Henry gritou.
Balancei a cabeça.
— Vocês combinaram isso.
Henry sorriu inocente.
— Verdade ou desafio?
Suspirei.
— Verdade.
Ele fez cara de decepção.
— Covarde.
Todo mundo riu.
Henry pensou alguns segundos.
Depois abriu um sorriso malicioso.
— Tem alguma menina aqui que chamou sua atenção desde o começo do ano?
Meu coração disparou.
Olhei discretamente para Alícia.
Ela fingia estar olhando para a garrafa.
Mas dava para perceber que também queria ouvir a resposta.
Cocei a nuca.
— Próxima pergunta.
A roda inteira começou a gritar.
— Não vale!
— Tem que responder!
— Tá fugindo!
Henry cruzou os braços.
— Isso já respondeu por você.
A gargalhada foi geral.
Bryan apenas escondeu o rosto entre as mãos, morrendo de vergonha.
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Ares narrando
Agora era minha vez.
A garrafa girou novamente.
Parou exatamente em mim.
Lucas começou a bater palmas.
— Agora eu quero ver.
Respirei fundo.
— Verdade.
Henry sorriu.
— Sabia.
Pensou por alguns segundos.
Depois perguntou:
— Você acha alguma menina daqui bonita?
Olhei para a roda.
Sem querer...
Meu olhar encontrou o da Pérola.
Ela desviou primeiro.
Voltei a olhar para Henry.
— Acho.
Henry sorriu ainda mais.
— Quem?
Ri sem graça.
— Aí já é outra pergunta.
Todo mundo começou a zoar.
— Ihhhhh!
— Entregou!
— Tá apaixonado!
Até Bryan começou a rir da minha cara.
— Agora tu sabe como eu tô me sentindo.
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Alícia Narrando
Olhei discretamente para a Pérola.
Ela estava completamente vermelha.
Cutuquei ela de leve.
— Tá tudo bem aí?
Ela me olhou indignada.
— Cala a boca.
Segurei a risada.
Do outro lado da roda...
Bryan também parecia querer desaparecer.
Sofia cochichou baixinho:
— Acho que hoje ninguém sai ileso.
Lívia sorriu.
— Ainda bem.
Porque eu quero ver o circo pegar fogo.
Nós cinco começamos a rir.
Enquanto isso...
Henry já girava a garrafa outra vez.
E eu tinha a impressão de que aquela brincadeira estava só começando... 😈
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Alícia continua narrando
Bryan pegou a garrafa pra roda de novo.
Respirou fundo.
E girou.
Ela rodou...
Rodou...
Rodou...
...até parar exatamente na minha frente.
Na mesma hora começou a gritaria.
— EITAAAA!
— O aniversariante deu sorte!
— Essa garrafa já escolheu um casal!
Meu rosto esquentou na hora.
Bryan sorriu daquele jeitinho convencido.
— Verdade ou desafio?
— Verdade.
Lucas fez cara de decepção.
— Ah, que sem graça.
Bryan ficou alguns segundos pensando.
Depois perguntou:
— Você é solteira?
As meninas começaram a rir.
— Sério que essa foi a pergunta?
Ele deu de ombros.
— Quero saber.
Olhei diretamente para ele.
— Sou.
Os meninos trocaram olhares discretos.
Henry aproveitou.
— Tá...
— Mas solteira mesmo?
— Ou tá conversando com alguém?
— Solteira mesmo.
Bryan apenas assentiu, tentando esconder o sorriso de satisfação.
Agora era minha vez.
Peguei a garrafa.
— Vamos ver...
Girei.
Ela rodou bastante...
...até parar em Ares.
E ele escolheu...
— Verdade.
Olhei para Pérola e depois para ele.
Sorri de canto.
— Ares...
Você tá interessado em alguém?
Os meninos começaram a rir.
Ele coçou a nuca.
— Talvez.
Henry arregalou os olhos.
— Talvez?
Lucas bateu no ombro dele.
— Fala logo!
Ares apenas riu.
— Próxima pergunta.
Todo mundo fez coro.
— Fugiu!
— Fugiu!
Ele levantou as mãos.
— Tá bom...
— Tô interessado, sim.
Os meninos comemoraram.
Peguei a garrafa novamente e girei.
Ela rodou...
Rodou...
...até parar em Pérola.
Ares abriu um sorriso na mesma hora.
— Agora deixa comigo.
Pérola riu.
— Lá vem.
— Verdade ou desafio?
— Verdade.
— Tá saindo com alguém?
— Não.
— Ficando?
— Também não.
— Tem alguém que desperta seu interesse?
Ela cruzou os braços.
— Essa pergunta vale por três?
Todo mundo caiu na gargalhada.
— Responde!
Ela sorriu.
— Não vou responder.
Henry bateu palma.
— Opa!
— Então o Ares ganhou essa.
Pérola fez careta.
— Vocês são muito fofoqueiros.
A brincadeira continuou.
A garrafa girava de um lado para o outro.
Perguntas engraçadas.
Desafios idiotas.
Muita zoação.
Até que, depois de algumas rodadas...
Bryan pegou a garrafa de novo.
— Agora vai.
Ele girou.
A garrafa rodou lentamente...
...e, como se estivesse de brincadeira...
...parou em mim outra vez.
O silêncio durou dois segundos.
Depois a roda inteira explodiu.
— NÃO É POSSÍVEL! - disse Gabb.
— Essa garrafa tá apaixonada! - disse Lucas
— Isso já tá armado! - Disse Sofia
Bryan riu.
— Eu juro que não fiz nada.
Cruzei os braços.
— Quero ver essa pergunta agora. - disse Fernandes.
Ele sorriu de canto.
— Dessa vez...
— Eu quero saber outra coisa…
Bryan olhou para mim com um sorriso travesso.
Cruzei os braços.
— Pode perguntar.
Ele me encarou por alguns segundos antes de falar.
— Qual é o seu tipo?
A roda inteira fez aquele famoso...
— UUUUUUUUH!
Revirei os olhos.
— Tipo de quê?
Lucas começou a rir.
— Ah, Alícia... não se faz de desentendida.
Bryan também riu.
— Tipo de homem.
Pensei por alguns segundos.
— Acho que não tenho um tipo físico específico.
Henry arqueou a sobrancelha.
— Então o que te chama atenção?
— A personalidade.
— Gosto de homem engraçado, educado, parceiro, que respeite as pessoas e que saiba conversar.
Fernandes olhou para Bryan e cochichou de propósito:
— Tá dentro dos requisitos?
Todo mundo caiu na gargalhada.
Bryan apenas deu um sorriso sem responder.
Lucas não perdeu a oportunidade.
— Alto ou baixo?
— Tanto faz.
— Moreno ou loiro?
— Tanto faz.
— Jogador de futebol?
Olhei para Bryan por um segundo e respondi naturalmente:
— Se tiver caráter, pode ser.
Os meninos começaram a gritar.
— EITAAAA!
— Essa foi direcionada!
Bryan abaixou a cabeça rindo, completamente sem graça.
Henry bateu palmas.
— Agora sim essa brincadeira ficou boa.
Do outro lado, Ares olhou para Pérola.
— Já que ela respondeu...
— Agora é sua vez.
Pérola sorriu.
— Pode perguntar.
— Qual é o tipo de pessoa que chama a sua atenção?
Ela pensou por alguns segundos.
— Alguém que me faça rir, seja humilde, tenha atitude e trate todo mundo bem.
Ares sorriu de canto.
— Gostei da resposta.
Lucas olhou para ele e deu um empurrão de leve.
— Para de sorrir, apaixonado.
A roda inteira caiu na risada, enquanto Ares apenas balançava a cabeça tentando disfarçar.