Capítulo 24 – A Garrafa Não Perdoa

1702 Words
Bryan narrando Oito de abril. Finalmente meu aniversário. Acordei com o celular vibrando sem parar. Antes mesmo de abrir os olhos, já tinha uma chuva de mensagens no grupo dos moleques. Henry: "Parabéns, velho! Hoje tu paga o churrasco!" Lucas: "Feliz aniversário, aniversariante! Hoje não tem desculpa, a carne é por tua conta." Gabb: "Se atrasar pra resenha perde o primeiro pedaço de picanha." Fernandes: "16 anos nas costas e continua r**m de bola." Revirei os olhos, rindo sozinho. Nem no meu aniversário eles me deram paz. Poucos segundos depois, outra mensagem apareceu. Henry: "Cinco horas. Lá em casa. Ninguém falta." Sorri. Aquele ia ser um bom dia. __________________ Alícia Narrando Assim que o relógio marcou cinco da tarde, nós cinco seguimos juntas para a casa do Henry. — Ainda não acredito que a gente foi convidada. — Sofia comentou. — Eu também não. — respondeu Lívia. — Achei que eles só iam chamar os meninos. Helô deu de ombros. — Depois do Carnaval, ficou mais fácil conversar com eles. Pérola sorriu discretamente. — Verdade. Olhei para elas e ri. — Então vamos antes que a Lívia invente de chegar atrasada. — Ei! Ela fez cara de indignada. — A culpa nunca é minha. Todas começamos a rir. _____________________ Henry narrando Minha casa já estava cheia. A churrasqueira acesa. O cheiro da carne tomando conta da rua. As caixas de som tocando pagode. Os vizinhos apareceram para dar parabéns ao Bryan. Quando vi as meninas chegando, cutuquei o aniversariante. — Olha quem veio. Bryan levantou a cabeça. E ficou completamente sem reação. — Vai lá receber elas. — falei. — Eu? — Não... o carteiro. Os moleques começaram a rir. Empurrei ele de leve. — Anda. ___________________ Bryan narrando Respirei fundo. Fui até o portão. — Oi... Alícia sorriu. — Feliz aniversário. Meu coração quase saiu pela boca. — Obrigado... Ela estendeu uma sacolinha de presente. — Não é grande coisa... Mas a gente quis trazer uma lembrancinha. Olhei surpreso para ela. — Vocês não precisavam. Lívia entrou na conversa. — Precisava sim. Aniversário só acontece uma vez por ano. Henry apareceu atrás de mim. — Tá esperando convite pra entrar? As meninas riram. — Bora entrar, gente! Em poucos minutos... A casa estava tomada por risadas. Os meninos jogavam conversa fora perto da churrasqueira. As meninas ajudavam a Helô a organizar os refrigerantes. As crianças brincavam na rua. Os vizinhos apareciam para dar os parabéns. E a resenha já prometia render histórias por muito tempo. __________________ Henry narrando Depois de todo mundo comer, a resenha só aumentou. O pagode continuava tocando baixinho, a churrasqueira ainda estava acesa e a rua em frente de casa já tinha virado praticamente uma extensão da festa. Olhei para os moleques. Depois para as meninas. Sorri. — Rapaziada... Tenho uma ideia. Bryan me olhou desconfiado. — Lá vem... Lucas começou a rir. — Quando ele fala isso, sempre dá r**m. Cruzei os braços. — Bora brincar de Verdade ou Desafio? Na mesma hora começaram as reclamações. — Ihhh... — Lá vem vergonha. — Não... Lívia foi a primeira a levantar a mão. — Eu topo! Sofia riu. — Eu também. Helô concordou. — Vai ser engraçado. Pérola deu de ombros. — Tô dentro. Alícia olhou para mim e sorriu. — Já que todo mundo aceitou... Bora. Bryan passou a mão no rosto. — Hoje é meu aniversário e eu ainda vou passar vergonha. Todo mundo caiu na gargalhada. ________________ Bryan narrando Henry pegou uma garrafa de refrigerante vazia. Colocou no chão. — Regras simples. Girou... Quem cair escolhe entre verdade ou desafio. Nada de fugir. Lucas apontou para mim. — Como o aniversariante tá pagando a festa... Ele começa. — Ah, não. Nem tive tempo de reclamar. A garrafa girou. Girou. Girou. E parou. Na minha direção. A roda explodiu em risadas. — EU FALEI! — Henry gritou. Balancei a cabeça. — Vocês combinaram isso. Henry sorriu inocente. — Verdade ou desafio? Suspirei. — Verdade. Ele fez cara de decepção. — Covarde. Todo mundo riu. Henry pensou alguns segundos. Depois abriu um sorriso malicioso. — Tem alguma menina aqui que chamou sua atenção desde o começo do ano? Meu coração disparou. Olhei discretamente para Alícia. Ela fingia estar olhando para a garrafa. Mas dava para perceber que também queria ouvir a resposta. Cocei a nuca. — Próxima pergunta. A roda inteira começou a gritar. — Não vale! — Tem que responder! — Tá fugindo! Henry cruzou os braços. — Isso já respondeu por você. A gargalhada foi geral. Bryan apenas escondeu o rosto entre as mãos, morrendo de vergonha. _______________ Ares narrando Agora era minha vez. A garrafa girou novamente. Parou exatamente em mim. Lucas começou a bater palmas. — Agora eu quero ver. Respirei fundo. — Verdade. Henry sorriu. — Sabia. Pensou por alguns segundos. Depois perguntou: — Você acha alguma menina daqui bonita? Olhei para a roda. Sem querer... Meu olhar encontrou o da Pérola. Ela desviou primeiro. Voltei a olhar para Henry. — Acho. Henry sorriu ainda mais. — Quem? Ri sem graça. — Aí já é outra pergunta. Todo mundo começou a zoar. — Ihhhhh! — Entregou! — Tá apaixonado! Até Bryan começou a rir da minha cara. — Agora tu sabe como eu tô me sentindo. ________________ Alícia Narrando Olhei discretamente para a Pérola. Ela estava completamente vermelha. Cutuquei ela de leve. — Tá tudo bem aí? Ela me olhou indignada. — Cala a boca. Segurei a risada. Do outro lado da roda... Bryan também parecia querer desaparecer. Sofia cochichou baixinho: — Acho que hoje ninguém sai ileso. Lívia sorriu. — Ainda bem. Porque eu quero ver o circo pegar fogo. Nós cinco começamos a rir. Enquanto isso... Henry já girava a garrafa outra vez. E eu tinha a impressão de que aquela brincadeira estava só começando... 😈 ___________________ Alícia continua narrando Bryan pegou a garrafa pra roda de novo. Respirou fundo. E girou. Ela rodou... Rodou... Rodou... ...até parar exatamente na minha frente. Na mesma hora começou a gritaria. — EITAAAA! — O aniversariante deu sorte! — Essa garrafa já escolheu um casal! Meu rosto esquentou na hora. Bryan sorriu daquele jeitinho convencido. — Verdade ou desafio? — Verdade. Lucas fez cara de decepção. — Ah, que sem graça. Bryan ficou alguns segundos pensando. Depois perguntou: — Você é solteira? As meninas começaram a rir. — Sério que essa foi a pergunta? Ele deu de ombros. — Quero saber. Olhei diretamente para ele. — Sou. Os meninos trocaram olhares discretos. Henry aproveitou. — Tá... — Mas solteira mesmo? — Ou tá conversando com alguém? — Solteira mesmo. Bryan apenas assentiu, tentando esconder o sorriso de satisfação. Agora era minha vez. Peguei a garrafa. — Vamos ver... Girei. Ela rodou bastante... ...até parar em Ares. E ele escolheu... — Verdade. Olhei para Pérola e depois para ele. Sorri de canto. — Ares... Você tá interessado em alguém? Os meninos começaram a rir. Ele coçou a nuca. — Talvez. Henry arregalou os olhos. — Talvez? Lucas bateu no ombro dele. — Fala logo! Ares apenas riu. — Próxima pergunta. Todo mundo fez coro. — Fugiu! — Fugiu! Ele levantou as mãos. — Tá bom... — Tô interessado, sim. Os meninos comemoraram. Peguei a garrafa novamente e girei. Ela rodou... Rodou... ...até parar em Pérola. Ares abriu um sorriso na mesma hora. — Agora deixa comigo. Pérola riu. — Lá vem. — Verdade ou desafio? — Verdade. — Tá saindo com alguém? — Não. — Ficando? — Também não. — Tem alguém que desperta seu interesse? Ela cruzou os braços. — Essa pergunta vale por três? Todo mundo caiu na gargalhada. — Responde! Ela sorriu. — Não vou responder. Henry bateu palma. — Opa! — Então o Ares ganhou essa. Pérola fez careta. — Vocês são muito fofoqueiros. A brincadeira continuou. A garrafa girava de um lado para o outro. Perguntas engraçadas. Desafios idiotas. Muita zoação. Até que, depois de algumas rodadas... Bryan pegou a garrafa de novo. — Agora vai. Ele girou. A garrafa rodou lentamente... ...e, como se estivesse de brincadeira... ...parou em mim outra vez. O silêncio durou dois segundos. Depois a roda inteira explodiu. — NÃO É POSSÍVEL! - disse Gabb. — Essa garrafa tá apaixonada! - disse Lucas — Isso já tá armado! - Disse Sofia Bryan riu. — Eu juro que não fiz nada. Cruzei os braços. — Quero ver essa pergunta agora. - disse Fernandes. Ele sorriu de canto. — Dessa vez... — Eu quero saber outra coisa… Bryan olhou para mim com um sorriso travesso. Cruzei os braços. — Pode perguntar. Ele me encarou por alguns segundos antes de falar. — Qual é o seu tipo? A roda inteira fez aquele famoso... — UUUUUUUUH! Revirei os olhos. — Tipo de quê? Lucas começou a rir. — Ah, Alícia... não se faz de desentendida. Bryan também riu. — Tipo de homem. Pensei por alguns segundos. — Acho que não tenho um tipo físico específico. Henry arqueou a sobrancelha. — Então o que te chama atenção? — A personalidade. — Gosto de homem engraçado, educado, parceiro, que respeite as pessoas e que saiba conversar. Fernandes olhou para Bryan e cochichou de propósito: — Tá dentro dos requisitos? Todo mundo caiu na gargalhada. Bryan apenas deu um sorriso sem responder. Lucas não perdeu a oportunidade. — Alto ou baixo? — Tanto faz. — Moreno ou loiro? — Tanto faz. — Jogador de futebol? Olhei para Bryan por um segundo e respondi naturalmente: — Se tiver caráter, pode ser. Os meninos começaram a gritar. — EITAAAA! — Essa foi direcionada! Bryan abaixou a cabeça rindo, completamente sem graça. Henry bateu palmas. — Agora sim essa brincadeira ficou boa. Do outro lado, Ares olhou para Pérola. — Já que ela respondeu... — Agora é sua vez. Pérola sorriu. — Pode perguntar. — Qual é o tipo de pessoa que chama a sua atenção? Ela pensou por alguns segundos. — Alguém que me faça rir, seja humilde, tenha atitude e trate todo mundo bem. Ares sorriu de canto. — Gostei da resposta. Lucas olhou para ele e deu um empurrão de leve. — Para de sorrir, apaixonado. A roda inteira caiu na risada, enquanto Ares apenas balançava a cabeça tentando disfarçar.
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