Ares narrando
Depois da festa do Dia das Crianças, uma coisa não saía da minha cabeça.
A música.
Até hoje eu não sabia se a Pérola estava só cantarolando uma música que gostava...
Ou se ela realmente tinha entrado no meu perfil.
Eu precisava descobrir.
Numa noite qualquer, peguei o celular e abri o i********:.
Comecei a pesquisar.
Primeiro pelo nome.
Nada.
Depois tentei algumas variações.
Também nada.
— Ela deve usar apelido... — murmurei.
Resolvi olhar os seguidores de algumas pessoas da comunidade.
Quem sabe eu dava sorte.
Passei vários minutos rolando a tela.
Um perfil chamava atenção, outro também...
Mas nenhum parecia ser o dela.
Fechei o celular e joguei na cama.
— Como alguém consegue ser tão difícil de achar?
No dia seguinte, contei minha frustração para os meninos.
— Não achei o perfil dela.
Bryan riu.
— Tá procurando direito?
— Já olhei tudo que eu consegui pensar.
Henry deu uma ideia.
— Às vezes ela nem usa o nome dela no i********:.
— Ou o perfil é fechado — completou Gabb.
Assenti.
— Pode ser.
Bryan sorriu de canto.
— Relaxa. Uma hora a gente encontra.
Olhei para ele desconfiado.
Ares:
— "A gente"?
Bryan:
— Claro. A missão agora é coletiva.
Os meninos começaram a rir.
Balancei a cabeça.
Ares:
— Vocês são doidos.
Henry respondeu na hora:
— Talvez...
Mas ninguém aqui gosta de deixar um mistério sem resposta.
E, naquele momento...
Eu tinha que admitir.
Eles estavam certos.
Aquela curiosidade só aumentava a cada dia.
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Bryan narrando
Depois que as meninas foram embora, esperei alguns segundos antes de comentar.
— Vocês perceberam?
Henry olhou para mim.
— O quê?
— Elas também estão olhando pra gente.
Ares concordou na hora.
— Principalmente depois que a Pérola comentou alguma coisa com as outras. Parecia que elas estavam analisando a gente.
Henry cruzou os braços.
— Então elas perceberam que a gente tá observando.
— Ou já estavam observando antes. — respondeu Gabb.
Ficamos em silêncio por alguns instantes.
Ares quebrou o silêncio.
— A partir de hoje, a gente vai ter que tomar mais cuidado.
Bryan:
— Concordo. Se ficarmos encarando toda hora, elas vão sacar na hora.
Henry deu uma risada.
— Principalmente você, Ares. Você olha pra Pérola como se estivesse tentando resolver um enigma.
Os meninos caíram na gargalhada.
Ares levantou as mãos.
— Ah, para! Eu só tava prestando atenção.
— Prestando atenção até demais. — Bryan provocou.
Ares riu, balançando a cabeça.
— Tá bom, tá bom... vou ser mais discreto.
Bryan voltou a ficar sério.
— Então fechou.
Todos olharam para ele.
Fernandes:
— Nada de perguntas diretas por enquanto. Primeiro a gente observa. Depois, quando aparecer uma oportunidade, a gente conversa naturalmente.
Henry fez um sinal positivo.
— Igual um jogo de futebol.
— Como assim? — perguntou Ares.
Gabb:
— Primeiro a gente estuda o adversário. Depois vê onde dá pra atacar.
Bryan sorriu.
— Gostei.
Ares respirou fundo.
— Então a Operação continua.
Os quatro estenderam as mãos no meio da roda.
— Um...
— Dois...
— Três...
— Missão em andamento!
Do outro lado do campo, sem que eles percebessem, as cinco meninas continuavam observando.
E a Alícia comentou baixinho:
— Tenho quase certeza de que eles acabaram de combinar alguma coisa.
Pérola deu uma última olhada para o grupo dos meninos.
— Eu também.
As Penélopes da BD City talvez ainda não soubessem exatamente o que estava acontecendo.
Mas uma coisa era certa...
A investigação agora acontecia dos dois lados.
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Bryan continuo narrando
A conversa com os meninos foi interrompida quando ouvi uma voz me chamar.
— Bryan!
Olhei para trás e vi uma garota da comunidade se aproximando.
— Oi! Quanto tempo!
Ela sorriu e me cumprimentou com um abraço rápido.
— Você sumiu.
— Trabalho, escola... aquela correria de sempre.
Enquanto a gente conversava, percebi o Ares me encarando com um sorrisinho de canto.
— O que foi?
Ele fez um gesto discreto com a cabeça.
— Não olha agora.
Claro que eu olhei.
Do outro lado do campo, as meninas continuavam reunidas.
A Alícia parecia conversar normalmente com as amigas, mas por um breve instante lançou um olhar na nossa direção.
Foi rápido.
Tão rápido que, se eu piscasse, teria perdido.
Ela desviou os olhos na mesma hora e voltou para a conversa como se nada tivesse acontecido.
Henry também percebeu.
— Vocês viram isso?
Ares deu um sorriso de canto.
— Vi.
— Será que...
Henry deu de ombros.
— Não sei.
Olhei mais uma vez para o grupo delas.
A Alícia continuava rindo com as amigas, completamente tranquila.
Se alguém olhasse de fora, diria que ela nem tinha reparado na cena.
Mas aquele olhar...
Tinha sido diferente.
Voltei a atenção para os meninos.
Bryan:
— Vocês estão viajando.
Henry riu.
— Pode ser.
Ares cruzou os braços.
— Ou pode ser que alguém tenha achado estranho outra menina chegar em você com tanta i********e.
Balancei a cabeça, dando uma risada.
Bryan:
— Vocês criam teoria para tudo.
— Faz parte da missão. — respondeu Henry.
Dei uma última olhada para o grupo das meninas.
A Alícia parecia exatamente como antes.
Se ela tinha sentido alguma coisa...
Escondeu muito bem.
E isso só deixou a gente mais curioso.