Capítulo 52 – Entre Risadas e Descobertas

1224 Words
Sofia Narrando Os dias passaram rápido. Depois do Carnaval, a rotina voltou ao normal. As resenhas continuavam acontecendo de vez em quando, e, sempre que dava, eu aparecia com as meninas. Naquela tarde, resolvemos nos encontrar na praça. O clima estava tranquilo. Algumas crianças brincavam mais à frente, enquanto a nossa roda de conversa aumentava aos poucos. Foi quando o Miguel chegou. — E aí, povo! — disse ele, cumprimentando todo mundo. Cumprimentei com um sorriso. A gente já conversava fazia algum tempo. Nada demais. Ou, pelo menos, era isso que eu tentava acreditar. Miguel era daqueles que faziam qualquer pessoa rir. Sempre tinha uma piada pronta. Sempre inventava alguma besteira. Não demorou cinco minutos para ele começar a implicar comigo. — Sofia, hoje você resolveu aparecer, foi? Cruzei os braços. — Engraçado... eu estava pensando a mesma coisa de você. A roda inteira começou a rir. — Ih... começou. — comentou Jonas, divertindo-se com a discussão. Miguel levou a mão ao peito, fingindo estar ofendido. — Tá vendo? Eu sou tratado assim. — Porque merece. — respondi, dando de ombros. Ele riu. — Você gosta de implicar comigo. Sorri de canto. — Talvez. A conversa continuou entre brincadeiras e provocações. Sem perceber, acabávamos ficando um perto do outro o tempo inteiro. Quando alguém fazia uma piada, era para o outro que a gente olhava primeiro. Quando alguma coisa engraçada acontecia, era juntos que dávamos risada. Helô, que observava tudo de longe, cutucou discretamente a Pérola. — Tô vendo coisa... ou esses dois estão diferentes? Pérola sorriu. — Você também percebeu? As duas trocaram um olhar cúmplice. Enquanto isso, eu e o Miguel continuávamos discutindo por causa de um jogo de adivinhação inventado pelo Jonas. No fim das contas... Nem percebi que, entre uma risada e outra, a gente estava ficando cada vez mais próximo. E, pela primeira vez... Aquela aproximação parecia acontecer de um jeito completamente natural. Um Novo Ano Bryan Narrando O tempo passou. Março foi embora quase sem que eu percebesse. Quando abril chegou, também chegou o meu aniversário. Acordei com o celular vibrando sem parar. Mensagens da família. Dos amigos. Do pessoal do futebol. Todo mundo lembrando da data. Passei o dia ao lado da minha família. Almoçamos juntos, rimos bastante e, no fim da tarde, teve bolo e parabéns. Era exatamente do jeito que eu gostava. Simples. Com as pessoas que faziam parte da minha vida. À noite, peguei o celular para agradecer as mensagens. Enquanto respondia uma por uma, comecei a olhar os status. Foi então que parei em um. Era da Alícia. Uma foto divertida acompanhada de uma mensagem: "Parabéns pro meu crush! Que Deus abençoe sua vida, te dê muita saúde, felicidade e que você continue sendo esse menino de coração bom. Aproveita muito o seu dia! 🎉❤️" Fiquei olhando para a tela por alguns segundos. Um sorriso escapou sem que eu percebesse. Ela tinha lembrado. Curti o status na mesma hora. Não mandei mensagem. Não respondi com nenhuma figurinha. Só deixei a curtida. Talvez fosse pouco. Mas, para mim... Já significava muito. Desliguei o celular e fiquei pensando naquilo. Às vezes, um gesto simples conseguia mudar completamente o meu dia. E aquele tinha sido um deles. _______________________________ Mais algumas semanas passaram. Abril continuava trazendo noites quentes e animadas. Como sempre acontecia no bairro, anunciaram um baile na Saviana ... A noite do baile finalmente chegou. O Complexo do Andaraí estava diferente. As luzes espalhadas pela área, o som alto e a movimentação das pessoas deixavam claro que aquela não seria uma noite qualquer. Era o tipo de evento que reunia todo mundo. Família. Amigos. Conhecidos de anos. E, para Bryan, tinha um significado diferente. Era na área onde ele morava. Um lugar onde ele conhecia cada canto. Onde tinha criado histórias e vivido vários momentos. Quando chegou, encontrou os meninos reunidos. Jonas estava conversando com alguns amigos, enquanto Ares ria com Gabb, Fernandes e Henry. Mas a surpresa da noite era outra. Eles iam cantar. Quando anunciaram que eles iam subir para fazer uma apresentação, a galera começou a se aproximar. Gabb foi o primeiro a pegar o microfone. Depois, Fernandes e Henry entraram junto. Ares também participou. A energia mudou completamente. Todo mundo começou a cantar junto, dançar e curtir o momento. Até quem não sabia a música acompanhava pela animação. Bryan observava os amigos se divertindo e sorria. Era aquele tipo de noite que fazia ele lembrar por que gostava tanto daqueles momentos. Enquanto isso, as meninas chegaram. Alícia, Helô, Pérola e Sofia vieram juntas. Elas também entraram no clima da festa. Sofia logo procurou Miguel no meio da multidão. Pérola encontrou Ares no palco e abriu um sorriso. Helô, como sempre, já estava brincando com todo mundo. E Bryan... Mesmo tentando aproveitar a noite ao lado da Melissa... Não conseguiu evitar. Em algum momento, seus olhos encontraram Alícia no meio da festa. Foi rápido. Mas foi o suficiente. Porque algumas pessoas, mesmo quando a gente tenta colocar em outro lugar da nossa vida... Ainda conseguem chamar nossa atenção sem fazer esforço. Mas, enquanto os meninos cantavam,Ares parecia diferente. Ele olhava algumas vezes para o lado da pista. Mais precisamente para uma pessoa. Pérola. Depois de algumas músicas, quando terminou a apresentação, ele se aproximou dos meninos. — Mano... faz um favor? Gabb olhou para ele. — Que foi? Ares respirou fundo. — Vou cantar uma sozinho. Fernandes levantou a sobrancelha. — Sozinho? Ares deu um sorriso nervoso. — É. Olhou rapidamente para onde Pérola estava. — Eu preciso fazer uma parada. Henry entendeu na hora e abriu um sorriso. — Ih... vem coisa aí. Os meninos começaram a rir. — Boa sorte, irmão. — disse Gabb, dando um toque nele. Ares voltou para o palco. O som diminuiu por alguns segundos. A galera percebeu que algo diferente ia acontecer. Ele pegou o microfone e olhou para a multidão. Mas, no meio de tanta gente... Ele só enxergava uma pessoa. — Essa próxima música eu fiz para alguém especial. Pérola, que estava conversando com as meninas, parou na hora. — Não acredito... — falou Sofia, já percebendo. Helô abriu um sorriso. — Agora eu quero ver. Ares respirou fundo. Porque aquela não era só mais uma música. Era uma música que carregava tudo aquilo que ele sentia e que, muitas vezes, não conseguia falar. Enquanto cantava, seus olhos encontravam os de Pérola. E, pela primeira vez naquela noite, ela viu um lado dele que quase ninguém conhecia. O Ares brincalhão. O Ares confiante. O Ares que fazia todo mundo rir... Agora estava ali, completamente entregue. Quando a música terminou, o baile inteiro aplaudiu. Ares desceu do palco e foi até ela. Pérola tentou esconder o sorriso. — Você é maluco. Ele riu. — Talvez. Chegou mais perto. — Mas é por você. Ela ficou em silêncio por alguns segundos. Porque, no fundo, ela sabia. Aquele era o jeito do Ares dizer aquilo que ele sentia. Então ele respirou fundo e perguntou: — Pérola... quer namorar comigo? E naquele momento, no meio daquele baile no Complexo do Andaraí... Ela sorriu. — Quero. A comemoração veio na mesma hora. Os amigos gritaram, zoaram e bateram palma. Jonas riu de longe. — Até que enfim! E Pérola só conseguia sorrir. Porque, naquela noite, uma música virou uma promessa. E um sentimento virou uma história.
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