Alícia Narrando
Naquela noite...
Depois de salvar o número do Bryan...
Achei que já tinha feito vergonha suficiente por um dia.
Mas eu estava completamente enganada.
Deitada na cama, sem conseguir dormir, resolvi entrar no i********:.
Sem pensar muito...
Pesquisei o perfil dele.
Comecei a olhar as fotos.
Uma.
Duas.
Três.
Quatro.
"Esse menino sorri bonito demais..."
Ampliei uma foto.
Depois outra.
Sorri sozinha.
"Meu Deus..."
"O que tá acontecendo comigo?"
Continuei descendo o perfil.
Até encontrar uma foto dele depois de um jogo de futebol.
Cabelo bagunçado.
Sorriso enorme.
Camisa do time.
Sem perceber...
Tirei print.
Olhei para a tela.
Depois para o print.
Balancei a cabeça.
— Alícia...
Tu tá ficando maluca.
Mesmo assim...
Salvei a foto.
Poucos segundos depois...
Salvei outra.
E mais uma.
Quando me dei conta...
Já tinha uma coleção.
Levei a mão ao rosto, morrendo de vergonha de mim mesma.
— Isso não existe...
Abri a galeria do celular.
Criei uma pasta oculta.
Olhei para o nome por alguns segundos.
Sorri.
Depois escrevi:
"NÃO ABRIR."
Ri da minha própria ideia.
"Como se isso enganasse alguém..."
Comecei a colocar todas as fotos lá dentro.
Assim que terminei...
Fiquei olhando para a pasta.
Meu lado racional resolveu aparecer.
"Você tem trinta e quatro anos, Alícia..."
"Olha o que você tá fazendo."
Joguei o celular na cama.
Escondi o rosto no travesseiro.
— Eu desisto de mim.
Peguei o celular outra vez.
Abri a pasta.
Olhei uma das fotos dele sorrindo.
Sem perceber...
Acabei sorrindo também.
Balancei a cabeça.
— Pronto...
Agora eu virei oficialmente a maluca das fotos.
Se a Kamilly descobrisse aquela pasta...
Eu nunca mais teria paz.
E conhecendo ela...
Era melhor torcer para que isso nunca acontecesse.
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Bryan Narrando
A última peneira finalmente chegou.
Depois de tantos treinos, tantos jogos e tanta expectativa...
Era o dia de dar tudo de mim mais uma vez.
Eu, Fernandes e Gabb fomos juntos como nas outras vezes.
Mas dessa vez era diferente.
Na primeira peneira, eu estava nervoso.
Na segunda, eu já estava mais confiante.
Na terceira...
Eu sentia que precisava mostrar quem eu era dentro de campo.
No caminho, Gabb tentava quebrar o clima.
— Hoje ninguém inventa desculpa, hein?
Fernandes riu.
— Falou o cara que quase perdeu a hora na primeira.
Gabb apontou para ele.
— Mas cheguei.
Balancei a cabeça rindo.
Era disso que eu precisava.
Dos meus amigos.
Da resenha.
De lembrar que, antes de qualquer resultado...
A gente já tinha chegado longe.
Quando chegamos ao campo, comecei o aquecimento.
Olhei em volta.
Muitos garotos.
Todos com o mesmo sonho.
Todos querendo uma oportunidade.
Respirei fundo.
"É hoje."
A peneira começou.
Dessa vez eu não tentei ser perfeito.
Só joguei.
Corri por cada bola.
Briguei por cada lance.
Passei.
Marquei.
Chutei.
Quando errava, levantava e continuava.
Quando acertava, mantinha a cabeça no lugar.
No meio do jogo, lembrei de uma coisa.
A voz da Alícia.
"Eu tô torcendo por você."
Sorri de canto.
Aquilo parecia simples.
Mas para mim...
Tinha um peso enorme.
Era como se eu tivesse mais um motivo para não desistir.
No fim da avaliação, o treinador chamou todos os meninos.
Meu coração acelerou.
Era o momento.
Ele começou a falar sobre o desempenho de cada um.
Alguns nomes foram chamados.
Alguns comemoraram.
Outros ficaram em silêncio.
Eu segurava a ansiedade.
Quando ouvi meu nome...
Prendi a respiração.
Olhei para Fernandes.
Depois para Gabb.
A gente ainda não sabia o que viria.
Mas uma coisa eu tinha certeza.
Eu tinha dado tudo.
E, independente do resultado...
Eu nunca esqueceria aquele dia.
Porque aquele não era só um teste de futebol.
Era uma prova de que eu estava correndo atrás do meu sonho.
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