Mas a paz não durou por muito tempo.
O primeiro ano de separação dos meus pais foi complicado porque minha mãe queria continuar saindo e acabava me deixando sozinha mesmo ela tendo o seu fim de semana livre que era o que eu ficava com meu pai, ainda assim sai nos que ficávamos juntas também, nossa relação estava começando a ficar difícil.
Meu pai sempre foi muito na dele, gostava de trabalhar, ficar em casa com a família, aproveitar os momentos para passearmos e nos divertimos, já minha mãe sempre foi mais de querer sair com as amigas , ir para barzinhos, fora outras coisas que eles já não tinham mais em comum, por isso se separaram, até porque não havia mais amor, então prefeririam terminar enquanto havia carinho e respeito um pelo outro, ela sempre foi meio doida, mas sempre ouviu muito o meu pai e o respeitava.
Pena que, ao se separar do meu pai, um tempo depois ela acabou se apaixonando loucamente pelo traste do meu padrasto. Que não a respeitava e era muito possessivo e ciumento. Então os momentos que ela mais gostava que era sair e se divertir começaram a ser deixado de lado. Até porque em menos de 1 ano juntos ela engravidou dele e ali o traste se viu ainda mais no direito de prende-la em casa, ficando somente a disposição dele, até parar de trabalhar ela parou.
O tanto que meu pai e minha madrinha conversaram e a alertaram, não adiantou. Ela ficou cega de paixão por ele.
E no meio disso tudo tinha eu, que nunca gostei dele desde o primeiro momento que o conheci.
Lembro-me do dia que nós conhecemos.
— Oi tudo bem? Você deve ser a Angelina, sua mãe fala bastante de você, prazer me chamo Frederico mas pode me chamar de Fred . — Naquele momento senti um frio na espinha, uma sensação estranha, ele me olhava me medindo dos pés a cabeça e com isso senti um pouco de medo, mas não baixei a cabeça.
— Prazer Frederico — respondi sem muita alegria na voz, não somos íntimos então não tinha porque chama-lo de Fred. Pelo olhar dele percebo que ele não gostou muito. Mas pouco me importa.
Minha mãe percebeu também, pois sabe que sou sempre muito simpática e sorridente, mas fingiu que não reparou e também não me questionou.
Neste dia passei a tarde com ele e minha mãe, almoçamos, passeamos no shopping mas logo ele recebeu um chamado então nós deixou em casa e foi para a delegacia.
Isso mesmo ele é o novo delegado da cidade .
Entramos em casa e minha mãe em nenhum momento perguntou o que achei dele, acho q tinha medo que eu falasse que não fui com a cara dele, até porque sempre fomos amigas e ouvíamos uma a outra. Mas depois que ela conheceu ele acabamos nos afastando aos poucos e quando percebi já não tínhamos mais aquela ligação e conexão ele consegui mexer com a cabeça, vida e alma dela...
E desde então não tive mais paz ...
Afasto as memórias e volto para minha crua realidade, deixando para traz a forma que ele entrou na minha vida eu tinha 13 anos estava preste a completar 14.
Alias estava chegando meu aniversário de 14 anos, e eu que amo dançar, me diverti e melhor ainda quando se tratava dos meus aniversários sempre fazia festas grandes para todos amigos e familiares.
Porém este ano contudo que estava acontecendo estava sem um pingo de vontade de comemorar se não fosse minhas amigas e o Cris não teria nem um bolinho, até porque minha mãe estaria com o traste então aquilo estava se tornando mais serio do que eu queria, não me sentia confortável na presença dele, seus olhares me intimidavam e me causavam arrepios, mas sempre tentei não demostrar , mas eu tinha medo de estar no mesmo ambiente que ele, Cris e meu pai que me conheciam como a palma das mãos deles.
Tentei adiar este momento ao máximo, mas agora não teria jeito, e esse encontro seria no meu aniversário, estou perdida, mas tenho que ter fé e tudo dará certo.
Bom como ia ser só um bolinho, vieram os amigos próximos, meus padrinhos, minha vó materna que aliás desde que meus pais se separaram não veio mas nos visitar, pois não estava de acordo com as atitudes da minha mãe e também não gostava do novo genro que minha mãe arrumou, detalhe ela nunca viu o traste, mas falou que só pela foto que minha mãe havia enviado sentiu uma energia r**m, e quando minha vó não gostava era batata.
A festa foi em casa mesmo, logo foram chegando os convidados, minha mãe encomendou um bolo e uns salgados, minha madrinha fez uns docinhos, e como já estava fazendo 14 anos não tinha mais tema, então minha madrinha com sua insistência acabou decorando a mesa com as cores que eu mais gostava azul e prata.
Estava tudo lindo e perfeito Cris foi o primeiro a chegar, após nosso primeiro beijo não desgrudamos mais um do outro, porém preferimos não contar nada aos nossos pais, somente nossos amigos sabia. Aliás, nem tinha como não saberem, pois ficamos o resto da festa da Bia juntos, sem se desgrudar. Cristiane disse que o Cris queria mostrar para o Murilo e os outros meninos que eu não estava mais sozinha.
Ele é muito ciumento e tive que dar razão a minha amiga, pois ele não desgrudava as mãos da minha cintura. Rimos muito depois lembrando da cena..
Estavam todos se divertindo, dançamos e ensinamos minha avó alguns passos de dança e rimos muito com a cena. Mas os sorrisos foram cessados no momento que Frederico chegou. Olhei para minha avó e já sabia que ela não ia ser nada gentil.
Frederico se aproxima com a minha mãe e cumprimenta meus padrinhos e meu pai, pois já se conhecem da cidade por conta dele ser o delgado.
— Boa tarde, presumo que a senhora seja a dona Maria, pois seus olhos são muito parecidos com o da Lívia . — Minha vó só observou e o analisou da cabeça aos pés — Prazer, eu sou Frederico, mas pode me chamar de Fred. É como os mais íntimos me chamam — ele deu um sorrisinho de lado, que logo morreu com as palavras dela.
— Bom como ainda não lhe conheço não posso dizer se é um prazer ou não — eu a olhei com muita vontade de dar risada, porém a minha mãe tentou chamar a sua atenção. Tentou, pois de nada adiantou.
— Mamãe... — antes que ela falasse mais alguma coisa, Frederico olhou para minha mãe como se dissesse “deixa, sem problemas”. Mas, a minha avó não parou.
— Quando tivermos i********e, eu chamo-lhe Fred. Por enquanto, para mim, você é o Frederico.
Ele não parava de olhar para mim, abraçando-me para me dar os parabéns e presenteando-me com um perfume delicioso, que eu nunca irei usar. E assim ficou minha festa após a chegada do traste, com a tensão no ar.
Após um tempo, Cris me chamou no jardim enquanto todos estavam conversando e distraídos. Fomos para um canto mais escondido e começamos a nos beijar, pois não estávamos mais aguentando aquele tempo todo sem podermos demonstrar nosso amor um pelo outro. Senti o Cris um pouco estranho então antes de voltarmos conversamos um pouco.
- O que foi Cris, por que você está sério? — ele continua segurando minha cintura, sua respiração está mais acelerada. Sinto ele querer me dizer algo, mas ao mesmo tempo pensativo. — Fala Cris anda, prometemos nunca esconder nada um do outro.
— Não gostei do jeito que aquele b****a do seu padrasto te abraçou e como ele fica te olhando o tempo todo. — enfim, ele olha nos meus olhos e responde. Pronto eu sabia que quando ele visse o traste ao meu lado ia perceber. Então não estou tão louca. É real, o traste me olha mesmo como intensidade, porém também sei que não posso confessar isso ao Cris.
— Não reparei meu amor, até porque nem olhei para ele durante a festa, estava mais preocupada com o meu pai dele perceber alguma coisa entre nós dois. — mudo o rumo da conversa pois quando o Cris cisma, sai de baixo.
Ele olha para mim me analisando, não sei se acreditou ou não, mas acho que no momento preferiu acreditar.
— Bom já que você tocou neste assunto, não acha que já está na hora de falarmos com eles? Não aguento mais ficar perto de você e não poder te abraçar e beijar. E não tem mais como enganar a dona Sofia, pois a toda hora fica jogando uma graça. Minha mãe me conhece e a você também, já percebeu que está rolando alguma coisa.
Paro e fico analisando a situação e, então, resolvo deixar o medo de lado.
— Tudo bem, Cris, você venceu. Vamos contar aos nossos pais, mas se prepara que o senhor Otávio vai querer comer o seu fígado — dou uma gargalhada, enquanto ele fica pensativo. Então resolvo provocar — Ué, vai desistir agora que eu topei? Está com medo do sogrão?
Continuo gargalhando até que ele me puxa e sela nossos lábios, e aos poucos vai invadindo a minha boca num beijo apaixonado de tirar o fôlego.
— Nunca vou desistir de você, do nosso amor...eu enfrento sogro e quem mais quiser nos afastar, mas você sempre será minha a minha Perola a minha Perfeita.
Fico sem palavras e o meu coração parece que vai sair do peito. Como é possível nossas almas já terem se encontrado? Somos tão novos, mas o nosso amor é tão puro e verdadeiro, que começo a acreditar nas palavras da Dinda: nossos destinos já estavam cruzados. Somos almas gêmeas.
Mas este momento lindo acaba, pois fomos interrompido com a maluca da Cristiane, chegando afobada, avisando que estão me procurando para cantar parabéns. E assim voltamos para a festa, porém não sabia que ainda teria mais surpresas.