capítulo 01

1240 Words
(°°°) ÂNGELO Por que as festas da realeza são tão chatas?! Esse c*****o aqui tá mais entediante do que ouvir senhorita Hela explicar sobre bons modos! Caminho até a mesa e pego uma das taças de... O que quer que seja essa coisa, mas espero que seja algo bem forte. Levo a taça até os lábios, enquanto ranjo os dentes devido aos primeiros acordes desafinados da orquestra que se prepara para começar aquela grande e horrorosa sessão de músicas lentas e tristes. Meus olhos circulam o enorme salão iluminado, onde várias lady's com vestidos enormes e espalhafatosos de todas as cores e bordados caminham sem parar, abanando seus leques horrendos como se suas vidas dependessem disso. os homens também estão circulando sem parar por aí, cada um com um copo de bebida na mão e um sorriso condescendente no rosto, como se estivessem prontos para seduzir a próxima pessoa que se aproximar. Reviro os olhos e tomo o resto da minha bebida com um único e grande gole, sentindo-a descer queimando pela garganta. Tudo que quero é tirar essa maldita calça apertada, essas botas ridículas, essa camisa horrorosa e desfazer esse penteado lambido, mas preciso me obrigar a seguir o plano. Se tudo correr como planejado, daqui duas horas já estarei no esconderijo, jogado na minha cama. Procuro rapidamente minha vítima entre a multidão, um dos conselheiros do rei, que por sinal, é um velho de mais de quarenta anos, gordo, careca e que (segundo as últimas notícias dadas pelos nossos espiões) tem fetiche em garotos jovens de pele clara, principalmente loiros. O que me fez cair diretamente na teia, ou melhor: fez ele cair na minha. Encontro-o conversando com uma jovem morena que parece ter mais ou menos minha idade, vestida em um daqueles volumosos vestidos que tomam cerca de três metros quadrados. solto um longo suspiro, antes de colocar a taça novamente sobre a mesa e começar a caminhar entre esse mar de idiotas. As risadas e conversas altas quase me fazem sair correndo desse maldito lugar sem nem pensar duas vezes, mas paciência e tranquilidade é a alma do negócio, principalmente do meu. Apesar de não gostar muito dessas roupas chiques, tudo aqui tem um propósito. Embora já tenha meus 18 anos, poderia muito bem passar-me por um garoto de quinze, quatorze ou até menos, para muitos eu tenho uma beleza mais feminina do que masculina, o que é bem útil geralmente. A calça preta aperta bem minhas pernas e realça as curvas que supostamente tenho, segundo senhorita Hela. As botas lustrosas, além de combinarem com o resto da fantasia, é o lugar perfeito para esconder meu par de adagas. Na verdade tenho umas quinze armas escondidas por todo o corpo, mas as adagas são minhas favoritas. Quando chego perto do conselheiro, forço meu melhor sorriso e um olhar inocente que deixaria qualquer um louquinho, então tropeço propositalmente no velho. — oh! Desculpe mi lorde.— uso um sotaque das ilhas do Sul, apenas para despistar caso ocorra algum erro. — tudo bem, meu caro.— diz ele, colocando as mãos nos meus cotovelos para ajudar a equilibrar-me. Faço minhas bochechas corarem propositalmente e encaro-o através dos meus cílios longos. — obrigado.— agradeço, forçando uma voz calma e totalmente passiva. Sinto o velho asqueroso me olhar de cima a baixo, focando o olhar nas minhas pernas e b***a. — hum... Acho que preciso usar o banheiro.— digo baixinho, dando um passo para trás, mas não sem antes dar uma leve piscadela em sua direção. O velho arregala os olhos, e, depois de assimilar a minha mensagem silenciosa, assente levemente com a cabeça e volta a conversar com a garota. Mesmo sentindo meu estômago embrulhar, viro-me de costas e caminho em em direção a saída, indo para o corredor que leva até os banheiros e deixando para trás o enorme salão repleto de convidados. (°°°) O banheiro é grande e espaçoso, com lajotas grandes e alvas em todo o chão e nas paredes. Encosto as costas contra uma delas e espero aquele velho cair na minha armadilha que nem um rato em uma ratoeira. Meus dedos formigam de ansiedade, apesar de eu já ter feito isso uma centena de vezes. O som da porta se abrindo me tira dos meus devaneios e me faz olhar para a frente a tempo de ver o conselheiro entrar por ela com um sorriso convencido no rosto. Ele passa a mão na cabeça, como se tivesse algum cabelo para alinhar além dos tufos brancos ao lado das orelhas. — oi.— digo meio sem jeito, fazendo aquela vozinha irritante de submissão. Submisso é algo que com toda certeza do mundo eu não sou. — oi.— responde ele, se aproximando ainda mais. Apesar do velho ser menor que a média, consegue facilmente passar meus 1,63, não que tamanho vá salva-lo de alguma forma. — e-eu tenho observado você desde quando cheguei a-aqui, mi lorde. E-estava nervoso e non sabia como conseguir falar com tu. — estamos à sós agora meu querido, pode falar o que deseja.— ele diz, já começando a desabotoar a camisa enquanto lança para um sorriso, revelando uma fileira de dentes amarelos e tortos. Respiro fundo e dou dois passos para a frente, ficando cerca de um metro dele. Então me ajoelho e abaixo a cabeça em completo sinal de submissão. — e-eu quero que tu me faça s-seu, mi lorde.— sussurro com a voz mais sedutora que consigo. Senhorita Halo ensinou-me a fazer isso com excelência. Consigo dobrar qualquer pessoa com essa voz, seja homem ou mulher. A carta perfeita para se ter na manga. — o-oh céus — o velho geme, antes de começar a desabotoar a calça, mas o que esse filho da p**a não esperava era minha rasteira logo em seguida, laçando-o de cara no chão segundos depois. O velho não tem tempo nem de assimilar o que está acontecendo, antes que eu puxe minha adaga da bota e enfie na sua nuca, perfurando o crânio como se fosse manteiga. — talvez você encontre um demônio loirinho pra te c****r no inferno, desgraçado.— murmuro para o corpo com um sorriso maníaco no rosto enquanto observo-o debater-se por alguns segundos, antes dos espasmos acabarem totalmente. cuspo no chão ao seu lado. Retiro a adaga e limpo-a na camisa de algodão do velho enquanto observo o sangue fazer uma poça carmim aos meus pés. Sabe, as vezes acho que assassinato é uma arte, caso seja, acho que sou um dos melhores artistas que existem. — menos um.— murmuro para mim mesmo, antes de levantar e andar tranquilamente para longe dali, deixando uma surpresinha mais do que agradável para o próximo que entrar aqui. Apesar da lista de nomes ser grande, espero poder concluir minha vingança um dia. Cada um dos envolvidos na morte dos meus pais vai pagar, cada um que colaborou para que a cabeça do meu pai fosse exposta em praça pública como troféu, cada um que disse que ele era um traidor, vai. Pagar. Caro. Por. isso. Pego mais uma taça de bebida na mesa do salão, então saio tranquilamente e vou para onde provavelmente deve ter uma carruagem me esperando lá fora. O serviço de hoje foi cumprido, agora só quero chegar em casa, tomar um banho e dormir por no mínimo doze horas. (°°°)
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