capítulo 02

1724 Words
(°°°) ÂNGELO — Devil está te esperando na sala dele.— uma voz masculina e calma segue as batidinhas típicas na porta do meu quarto. Ainda sem abrir os olhos, respondo tranquilamente: — estarei lá em Dez minutos.— ouço o barulho dos passos se distanciando pelo corredor, então solto um grunhindo manhoso enquanto esfrego a bochecha no meu travesseiro quentinho, não querendo me desfazer do ninho de cobertores em que estou, mas é melhor eu ir antes que ele apareça aqui e me dê um bronca. Pulo da cama e vou para o banheiro, sem me preocupar em está vestindo apenas a roupa de baixo. Escovo os dentes na velocidade da luz e lavo o rosto na água fria da pia, antes de voltar para o quarto e parar em frente ao guarda-roupas de madeira escura que vai até o teto. visto uma calça surrada e uma camisa de flanela azul, além do meu velho e confortável par de botas, então saio do quarto e começo a andar pelos longos e sinuosos corredores. O esconderijo (conhecido pela maioria dos assassinos profissionais e ladrões que moram aqui como "toca de cobras") é uma imensa estrutura subterrânea, uma série de túneis, quartos e corredores escavados na rocha, as saídas são tão camufladas que olhos distraídos poderiam passar por cima delas e não verem absolutamente nada. Lá de cima tudo que é possível ver é uma colina meio desértica, sem nada especial. Apesar de estarmos a metros abaixo do chão, o ar aqui embaixo não é pesado ou úmido. Os corredores e quartos parecem mais terem sido retirados de um palácio do que algo Simplesmente escavados em rocha. Cruzo com vários parceiros de profissão, cumprimentando-os com um aceno de cabeça enquanto ando em direção ao escritório de Devil, meu chefe/mentor/pai adotivo/amigo, que por sinal é o rei dos assassinos, temido por todos, mas está aposentado há alguns anos e agora apenas treina pessoas como eu, em quem ele vê potencial. Se ele é o rei meus queridos, eu sou o príncipe da p***a toda. Minha fama é conhecida por cada alma, viva ou morta, desse reino. Os sussuros sobre o demônio loiro, aquele que já matou mais de um quarto dos homens do rei e blah blah blah são as histórias que mães geralmente contam para fazer seus filhos arteiros ficarem quietos, tremendo de medo. Mas tais murmúrios são assimilados há um cara que anda entre as sombras como um fantasma, tem três metros e altura e pesa 150 quilos, e não a um garoto magricela de 18 anos, com pouco mais de um metro e meio e que pesa no máximo 50 quilos, o que me deixa um pouco zangado na verdade. Foram anos para conseguir essa fama, para ela simplesmente ser dada a uma figura que nem existe, mas pelo menos posso andar tranquilamente por aí sem algum problema, não tendo qualquer tipo de ligação com o "demônio dourado" que é culpado pela morte de centenas de homens e outros milhares de crimes diferentes, e que, cuja recompensa pela captura já ultrapassa 15 mil moedas de ouro. Chego ao escritório de Devil e encontro-o jogado confortavelmente em uma das cadeiras que rodeiam a grande mesa redonda, onde seus pés descalços descansam. — você me chamou.— murmuro baixinho, enquanto fecho a porta atrás de mim e cruzo os braços sobre o peito. Apesar de notar minha presença, ele sequer desvia os olhos dos papéis em seu colo e apenas indica para que eu sente em uma das várias cadeiras ao redor da mesa. Caminho até lá em total silêncio, meus passos contra o piso polido não fazem um barulho sequer (uma das primeiras coisas que ele me ensinou nos últimos dez anos, posso andar até mesmo sobre folhas secas e ser mais silencioso que um gato). — a notícia da morte do conselheiro já se espalhou por toda a cidade.— ele murmura, enfim levantando seus olhos para mim. Encaro aquelas bolotas tão escuras quanto penas de corvos e simplesmente dou de ombros, uma hora ou outra todos iriam saber da morte daquele velho asqueroso. — foi difícil? — fácil como respirar.— respondo, erguendo a mão para pegar uma das folhas espalhadas sobre a mesa. Percebo que cada folha é a descrição de alguém, com nome, idade e a data limite para que ela seja morta. A que estou segurando é de um comerciante de escravos, que deve ser morto até a próxima lua cheia. Observo as várias pilhas de folhas ao longo da mesa, dezenas delas, que serão distribuídas entre todos os assassinos daqui. — bom. Não havia nenhuma testemunha e pelo visto, ninguém viu você entrando naquele banheiro com ele. É assim que gosto Angel, morte rápida e sem qualquer ligação com nosso clã.— explica, usando o trocadilho que ele mesmo inventou quando nos conhecemos. Eu sou um Angel, ele o Devil, e a partir daquele momento o anjo seria criado pelo d***o. — então, qual meu próximo trabalho??— questiono, também colocando os pés sobre a mesa e encarando-o com um sorriso no rosto. Apesar de já ter quarentena anos, ele não mudou praticamente nada nos últimos dez anos, continuando com a mesma carranca, mandão e raivoso como sempre, mas se forçar bem a visão, consigo ver rugas ao redor dos seus olhos e a pele sob as cicatrizes começando a ficar flácida. — descanse um pouco pelos próximos dias Ângelo. Mas pode ficar encarregado do mercador de escravos aí, preciso dele morto nos próximos vinte dias.— diz, apontando para o papel em minha mão. Confirmo levemente com a cabeça e espero ele me dispensar. Pelo visto estarei livre pelas próximas duas semanas, tempo que provavelmente usarei para treinar... — ah! Mais uma coisa Angel, daqui alguns dias irá chegar alguns novos assassinos das montanhas do Leste, quero que você avalie as habilidades deles e me diga se vale a pena investir em seus treinamentos aqui. — como quiser, tio. Estarei esperando a chegada deles.— ele confirma levemente com a cabeça e me dispensa com um gesto de mão. Dobro o papel e enfio no bolso da calça, antes de sair tranquilamente do escritório. (°°°) — quero você na minha sala depois que terminar a comida.— senhorita Halo diz para mim enquanto passa pelo salão onde a maioria dos homens está comendo. Ela é uma das únicas mulheres do ninho de cobras e chama atenção por onde quer que ande pela sua beleza surpreendente, mas nenhum dos homens daqui tem coragem de se aproximar dela por medo de terem suas bolas arrancadas dois segundos depois. Ela também é uma assassina profissional como todos aqui, e sua beleza ajuda muito no requisito de atrair as vítimas, não é atoa que ela é minha professora na arte da "sedução". Também há rumores de que ela tem um relacionamento secreto com Devil, mas ninguém sabe ao certo se é verdade ou não. Termino de tomar minha sopa rapidamente, antes de levantar da cadeira e marchar por outra sequência de corredores, até a sua sala. Bato na porta e espero a sua resposta. — entre Ângelo.— a sua voz diz lá de dentro, então abro a porta e entro no cômodo, que é enorme, repleto de espelhos, produtos de maquiagem, guarda-roupas e várias outras coisas. Encontro-a sentada de frente para uma escrivaninha, seu vestido vermelho e volumoso quase me impossibilita de ver a cadeira. Me aproximo dela em passos lentos, com as mãos nos bolsos. Senhorita Halo me examina de cima a baixo com um olhar reprovador direcionado para minhas roupas e provavelmente para meu cabelo. Ela odeia que eu me vista como um "moleque de rua" e deixe o cabelo bagunçado. — francamente Ângelo. Eu dou novas roupas para você quase toda semana e você insiste em continuar vestindo esses mulambos.— diz, enquanto passa um batom vermelho nos lábios. Uma mecha de cabelo castanho cai sobre seus olhos, mas ela a enfia atrás da orelha rapidamente. — não gosto daquelas coisas.— respondo, o que faz ela revirar os olhos verdes e me lançar um olhar acusatório. — tire a roupa. Agora. Preciso examina-lo.— ela murmura, então solto um longo suspiro e começo a tirar a camisa e as botas. Já fiz isso um milhão de vezes, ela sempre verifica cada centímetro do meu corpo com o olhar e diz o que é preciso melhorar para que me torne "a arma de sedução perfeita". Retiro na calça também, ficando apenas com a roupa íntima, então sinto seu olhar afiado varrer todo meu corpo. — vire de costas.— controlo-me para não revirar os olhos (o que provavelmente me faria levar um tabefe na cabeça com aquele maldito leque dela) e viro de costas. — hum... Bom. As pernas estão ótimas, sua b***a tá redondinha e no tamanho perfeitamente proporcional ao seu corpo, só preciso que tome cuidado em não exercitar demais os músculos do abdômen.— explica ela, e apesar de não gostar de ser verificado como um pedaço de carne, confirmo levemente com a cabeça e começo a vestir minhas roupas novamente, antes que ela resolva que quer colocar fogo nelas. Ela sempre insiste para que eu não faça mais exercícios que façam os músculos da minha barriga aparecerem, porque segundo ela isso me deixaria "com músculos demais", e alguns daqueles homens asquerosos gostam apenas de garotos com certa "feminidade". Lanço um último olhar para os Gominhos da minha barriga e visto a camisa, não querendo de jeito nenhum me livrar deles, já que demorou bastante tempo para consegui-los. — tem certeza que não quer deixar o seu cabelo... — não.— corto-a, recebendo um suspiro de lamentação logo em seguida. Ela sempre insistiu para que deixassem meu cabelo crescer um pouco, mas gosto de tê-lo desse tamanho mesmo. — bem, é uma pena. Mas você fica lindo de qualquer forma, então sente-se aqui e me conte como seduziu aquele velho ontem.— ela dá batidinhas no banquinho ao seu lado, enquanto me dá um grande sorriso travesso. Reviro os olhos e vou até lá, Halo sempre gosta de escutar sobre minhas aventuras, dando palpites de vez em quando sobre como seduzir mais facilmente alguém ou como m***r sem fazer muito estrago. (°°°)
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