capítulo 03

1735 Words
(°°°) ÂNGELO Passo os próximos três dias treinando sem parar, bebendo em uma taberna qualquer por aí e tentando bolar um plano para conseguir chegar perto do tal mercador de escravos, que parece ter uma dezena de capangas pagos pra lhe protegerem dia e noite. Faço uma série de cinquenta flexões seguidas no chão da sala de treinamento, sentindo o suor escorrer pelo meu rosto e pingar no chão de mármore escuro a centímetros da minha face. Os músculos dos meus ombros e braços protestam, mas estaria mentindo se não dissesse que não gosto da sensação que essa dorzinha muscular me proporciona, sei que parece estranho, mas gosto de testar meus limites. - v-você é humano?!- Cal gagueja, sua voz falhando de cansaço devido as flexões que pedi para ele fazer junto comigo, mas ele desistiu depois das primeiras trinta, o que foi há... Uns 50 minutos atrás. Ele é do ramo de roubo, não de assassinato, e é o segundo mais novo daqui, com seus 19 anos. - hum, sim. Acho que sim.- respondo enquanto tiro o cabelo molhado da testa e deito no chão para descansar por alguns segundos, antes de começar outra série de cinquenta flexões. Geralmente faço isso até meu corpo falhar (o que, para ser sincero, demora um pouco para acontecer). Solto um longo suspiro e sento sobre minhas pernas para encarar o garoto desajeitado ao meu lado. Cal deve ter uns vinte centímetros a mais que eu, e apesar de ter músculos grandes, ele é desajeitado como ninguém quando está segurando uma espada. Já tentei ensina-lo um zilhão de vezes, mas ele sempre acaba desistindo de aprender e acaba murmurando um "isso não é para mim, gosto mais do lance do roubo mesmo". Já deve passar das cinco da tarde, não há mais ninguém treinando aqui, só a gente. - acho que já vou andando Ângelo, preciso tomar um banho.- O garoto diz, antes de levantar e colocar as mãos nas costas enquanto geme de dor, indicando que está todo dolorido. Confirmo levemente com a cabeça e observo-o sair do salão sem precisar dizer que vou ficar aqui. Sempre fico até mais tarde. Retiro a camisa encharcada de suor, deixando-a jogada por aí, antes de voltar para minhas flexões enquanto conto baixinho e sinto meus músculos protestarem. ... Dez... Onze... Quinze... Dezoito... Vinte... Vinte e três... - Ângelo.- uma voz ecoa pelo cômodo, me fazendo parar a série de flexões e levantar rapidamente. O dono da voz é um dos criados mais antigos de Devil, além de seu braço direito. Kev está encostado na porta, encarando-me. - os homens vindos das montanhas do Leste chegaram, disse-lhes para virem só amanhã para você examina-los e os coloquei em seus devidos quartos, mas esse aqui insiste em conhecer a sala de treinamento hoje. - tudo bem, Kev.- respondo, mesmo que não goste muito da ideia de ter um penetra estragando meus minutos de sossego. O criado vai até a porta e conversa com... Quem quer que esteja do lado de fora da sala, indicando para que ele entre. Kev fala baixo demais para que eu escute tudo, mas consigo distinguir um "boa sorte com ele, você vai precisar" entre as outras coisas inaudíveis. Observo o velho sair da sala, deixando a porta aberta para que o i****a entre. Um cara assustadoramente grande entra pela porta, sua cabeça quase bate no vão quando ele dá alguns passos para frente, vestindo calças surradas e uma camisa de linho típica de treinamento. Ele deve já ter encontrado as roupas que algum criado deixou em cada um dos quartos onde eles ficarão. - oi.- cumprimento-o com a voz neutra, beirando a frieza. Sinto-o me analizar de cima a baixo, medindo meus músculos, minha altura, meu rosto, como se não acreditasse que o "demônio dourado" fosse o garoto em sua frente. Mas felizmente ele se esforça para esconder que está incrédulo. - oi - ele responde, sua voz grave é levemente rouca, como se ele estivesse com a garganta arranhada ou algo do tipo. - vamos poupar todo o papo amigável. Eu sou Ângelo, você já deve ter ouvido histórias sobre mim e tals, apesar da expressão de surpresa em seu rosto evidenciar que não era exatamente alguém com essa aparência que você estava esperando. - pode ser um pouco cético da minha parte, mas você não é exatamente... O que TODOS imaginam. - está disposto à entrar numa luta? Posso provar que sou muito mais do que dizem por aí sobre mim, minha aparência é o de menos.- desafio-o, já virando-me para os armários cheios de armas, ciente do seu olhar em minhas costas nuas (ou talvez um pouco mais para baixo). Pego duas adagas afiadas que tem mais ou menos o tamanho do meu antebraço, então caminho para o centro do salão e observo-o caminhar tranquilamente até o armário para escolher sua arma também. Ele pega uma espada longa e pesada, que deve ter mais de um metro, antes de caminhar até aqui e ficar a cerca de cinco passos de distância de mim. Observo-o atentamente pela primeira vez. O cara deve ter uns vinte anos, e provavelmente tem uns dois metros de altura, além de ombros largos e braços musculosos. Seu rosto é bem anguloso, o maxilar quadrado, bochechas altas e nariz empinando, sobrancelhas grossas e negras, assim como o cabelo longo e desgrenhado que vai até seus ombros, deixando com uma espécie de juba volumosa. Seus olhos são castanhos escuros, a pele é morena e bronzeada. - qual seu nome? - Neil. - hum. Pronto Neil? Três, dois... Um.- termino a contagem regressiva preparando-me para receber um golpe rápido, mas ao contrário do que imaginava, ele não ataca primeiro. Quando estou numa luta aberta ou perseguição, meu adversário geralmente é muito maior e mais forte do que eu, e ao ver um garoto magricela baixinho empunhando simples adagas, eles atacam com a maior força e velocidade que conseguem, o que na maioria dos casos é a perdição deles. Antes mesmo dos idiotas perceberem, minha lâmina já está em suas gargantas. Mas ao contrário dos meus adversários convencionais, Neil não ataca na primeira oportunidade, como se soubesse exatamente o que estou pensando. Nós circulamos um ao outro durante um tempo, não consigo evitar que um sorriso felino tome conta dos meus lados. - o que foi, cara? Está com medo de um garotinho?- uso minha voz mais sedutora, embora o sorriso diabólico não seja nada convidativo. Ao ouvir minha provocação, ele avança rapidamente e desce a espada em direção a minha cabeça, o que provavelmente me partiria ao meio caso não saísse do caminho da lâmina. Apesar da sua espada longa ter um corte mortal, ela é pesada e grande demais, o que o faz ficar lento e cansado bem rápido, dando-me a vantagem da velocidade. Aproximo-me rapidamente e empurro a lâmina em direção a sua garganta exposta, mas ele se esquiva e tenta me dar um soco nas costelas, o que funcionaria caso eu já não estivesse longe do seu alcance, pronto para desferir um novo golpe e enterrar minha adaga no seu olho. Ele apara meu golpe quando minha lâmina fica a centímetros do seu rosto, o que tira toda sua atenção e o faz baixar a guarda, dando-me oportunidade para lhe dá uma cotovelada no estômago (se fosse uma luta séria ele já estaria no chão gritando de dor com minha adaga extra enfiada na barriga). - urgh...- ele geme de dor e dá um passo para trás, afastando-se de mim e levantando a guarda novamente. - não me diga que você vai perder para um garotinho com a metade do seu peso, Neil?- seu nome em meus lábios é muito mais sedutor e provocante do que eu esperava que seria, o que me deixa de certa forma... Orgulhoso. Ele solta um urro de raiva e se aproxima na maior velocidade possível, mirando no meu peito com sua espada gigantesca, mas me esquivo facilmente e dou-lhe outra cotovelada nas costelas. Sinto o suor escorrer pelo meu peito nu enquanto observo-o se aproximar novamente, mas algo nele chama minha atenção... Esquivo-me do seu novo golpe e foco minha atenção nas suas calças. Esse desgraçado está... DE p*u DURO?! O grande volume em suas calças surradas me surpreendente, e ele sequer faz algum movimento para esconder a ereção. Nossa, eu sou tão sedutor assim?? Meu sorriso cresce ainda mais. Nós começamos uma dança rápida e perigosa nos minutos seguintes, de aço contra aço, socos e chutes. Nenhum de nós está disposto a se render, e embora eu possa acabar com isso a qualquer momento, não posso dizer que não estou adorando vê-lo se embaraçar ainda mais. Entre os golpes, roço propositalmente minha mão, minhas pernas ou minha b***a na sua ereção, fazendo-o se atrapalhar com a espada e me dá vantagem. Ele tenta esconder, mas escuto seus pequenos gemidos entre os sons estridentes feitos pelas nossas armas. Por fim, abaixo a guarda propositalmente e acabo à centímetros dele, com uma espada contra meu pescoço, rendendo-me. - v-você... Perdeu.- ele gagueja enquanto tenta recuperar o ar, evidentemente mais cansado do que nunca. Seu belo rosto está encharcado de suor e há alguns fios de cabelo grudado nas suas bochechas. Abro meu melhor sorriso, piscando calmamente meus cílios loiros para ele, antes de soltar as adagas em sinal de rendição. Minhas mãos vão para sua camisa encharcada, fazendo-o arregalar os olhos. Desço uma das mãos até sua calça e aperto levemente seu p*u sob o tecido que apesar de ser grosso, não esconde o enorme volume que se forma debaixo dele. Não tiro meus olhos dos seus enquanto dou mais uma acariciada, fazendo-o estremecer sob meu toque e afastar a lâmina milímetros do meu pescoço. - v-você...- ele começa, mas agora que estou suficientemente seguro com sua lâmina mais distante de mim, nada me impede de lhe dar uma rasteira, jogando-o para trás e o deixando estatelado no chão. Ele geme alto por causa da dor, antes de lançar um olhar acusatório para mim. - I-isso foi um golpe muito baixo. - você está treinando para ser um assassino, Neil. Honra é a última coisa com que deve se preocupar em uma batalha.- lanço-lhe um último olhar, antes de começar a me afastar, caminhando em direção a saída, ciente de seu olhar na minha b***a. (°°°)
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD