Kael Narrando Quando saí da casa do Dante, parecia que cada passo meu pesava uma tonelada. O sol nem tinha esquentado direito ainda, mas meu corpo já suava. Não pelo calor. Pelo que eu não disse. Eu devia ter falado. Devia ter contado tudo. Do beijo. Das noites escondidas. Do jeito que a Luna olha pra mim como se eu fosse abrigo e perigo ao mesmo tempo. Mas não consegui. Porque se eu abrisse a boca, ia ser o fim. Talvez de mim. Talvez dela. Talvez de tudo. Subi pro alto do morro, sentei no canto da laje onde a gente costuma vigiar os becos. O rádio no bolso esquerdo. A Glock no direito. E no meio, o coração batendo torto. Eu jurei lealdade ao Dante. Jurei proteger ele. A família dele. A quebrada. Mas ninguém me avisou que proteger também podia significar mentir. Mentir pra salvar. Mentir

