Luna narrando A noite inteira foi insônia. O teto do quarto parecia me engolir, e o silêncio deixava tudo mais barulhento. O nome riscado no caderno do meu pai latejava na minha cabeça como se fosse um grito. — P.M.L. Três letras. Sem rosto. Sem contexto. Só medo. Eu tinha dois caminhos: entregar pro Dante e deixar que ele resolvesse. Ou seguir a pista por conta própria e ver até onde esse buraco ia. Mas confiar no meu irmão, agora, era um salto que meu coração não conseguia dar. Então vesti a calça jeans, amarrei o tênis e prendi o cabelo num coque apertado. Hoje eu ia sozinha. Peguei o caderno. As folhas estavam úmidas, sujas, meio rasgadas. Mas eu li de novo, como se fosse a primeira vez. — P.M.L. sabe. Se cair, vai ser por dentro. Meu pai tinha escrito isso três dias antes de mor

