Samanta Narrando Todo mundo acha que me conhece. Que eu sou só a amiga da Luna. A que fala alto, que ri escancarado, que usa roupa justa demais pra quem anda em viela. A que vai no baile, dança até o chão e some antes da treta começar. Mas ninguém pergunta de onde eu vim. Nem por que eu nunca fico tempo demais no mesmo canto. Nem por que, mesmo sorrindo, eu tô sempre olhando pros lados. Meu nome é Samanta, mas poucos me chamam assim. No asfalto, me chamavam de Sassa. No morro, tem uns que preferem Sorriso. Mas meu nome de verdade ninguém sabe. Nem Luna. E é melhor assim. Conheci Luna quando ela voltou pra esse inferno disfarçado de lar. Ela carregava dor no olhar, mas uma força estranha na postura. Tipo quem viveu no mundo limpo, mas nunca esqueceu da lama onde nasceu. Ela confiou e

