Capítulo 37 JOÃO LUCAS NARRANDO ♟️ Eu parei aqui porque não tinha pra onde correr. Não era fome. Era fuga. A pensão da dona Carminha ficava no final da rua, quase na descida do morro, num ponto onde o barulho não alcançava direito. Um lugar simples, com azulejo branco meio encardido e mesa de plástico coberta com toalha de vinil. O tipo de canto onde o povo do morro vai quando quer comer e pensar, sem plateia. Estacionei e entrei. A televisão no canto transmitia um programa de auditório daqueles bem toscos, volume alto demais pro horário . Dona Carminha veio do balcão com o mesmo avental de sempre e aquele sorriso sincero . — João? Olha só quem voltou pro morro … — Tô na área, Carminha. Vim matar a saudade da tua comida. — Já boto teu prato . Sentei na mesa mais afastada, perto da

