Capítulo 16 - Proximidade

1294 Words
Cecília chegou em casa ainda com a camiseta de FK, os cabelos levemente despenteados e o coração acelerado. Ao entrar, foi recebida pelos olhares curiosos de suas irmãs. — Onde você tava ontem? — perguntou Clara, cruzando os braços. — Sumiu da festa depois que Juliana… — começou Carla, tentando disfarçar a curiosidade. Cecília respirou fundo, mantendo a calma. — Ah, eu… fui pra casa de uma amiga. — disse, sorrindo levemente, tentando desviar a atenção. As duas apenas trocaram olhares, sem insistir. — Tá, então… — murmurou Clara, ainda desconfiada, mas deixando pra lá. Após o café da manhã rápido, Cecília se preparou para mais um dia de trabalho no shopping. O coração ainda acelerado, a mente cheia de lembranças da noite passada. Antes de ir, passou na farmácia para comprar a pílula. — Melhor garantir… — murmurou para si mesma, enquanto pagava e guardava na bolsa. Mais tarde, no trabalho, encontrou um momento de privacidade para tomá-la, suspirando baixinho e tentando organizar os pensamentos. — Tá… tá tudo bem. Só preciso me recompor. — disse, respirando fundo. Mesmo enquanto seguia com a rotina diária, cada movimento lembrava-lhe da intensidade da noite anterior. FK estava presente em cada pensamento, cada gesto, e a sensação de fascínio e medo permanecia, silenciosa, mas esmagadora. O mundo continuava lá fora, no shopping, entre clientes e vitrines, mas Cecília sabia que algo tinha mudado para sempre, e que FK agora ocupava um espaço em sua vida que ninguém mais poderia alcançar. --- A boca principal estava agitada, homens e aliados em constante movimento. FK caminhava pelo local com passos firmes, observando, analisando, resolvendo problemas, sempre calculista e frio. Cada decisão tomada transmitia autoridade e poder, deixando claro que ele controlava tudo ao redor. Quando finalmente se afastou um pouco do centro da movimentação, ficou sozinho com PH, que já o esperava encostado em uma parede próxima. — Sumiu ontem à noite, hein… — PH começou, o tom meio provocativo, meio curioso. — Depois daquela confusão com a Juliana, ninguém te viu. Até Cecília sumiu. FK parou, os olhos cor de mel fixos em PH, sem esboçar reação imediata. — E daí? — respondeu, a voz firme, baixa, carregada de intensidade. PH deu um meio sorriso, cruzando os braços. — Sei lá… só tô dizendo. Todo mundo notou. Você some, ela some. Coincidência? — provocou, com um leve sarcasmo. FK permaneceu em silêncio por alguns segundos, analisando a situação, respirando fundo, como se cada palavra de PH mexesse com ele de uma forma inesperada. — Ela é… minha. — disse finalmente, firme, a voz carregada de possessividade, mas sem necessidade de explicação. PH arqueou uma sobrancelha, satisfeito por ter conseguido provocar uma reação do chefe. — Tá, chefe. Só lembrando que todo mundo notou mesmo. — disse, dando de ombros, mas mantendo o respeito. FK apenas assentiu, voltando a caminhar pela boca principal, o olhar atento a cada movimento, mas agora com a mente parcialmente ocupada por Cecília e pela intensidade da noite anterior. A posse, o controle e a obsessão começavam a se misturar à rotina do morro, silenciosa, mas esmagadora. --- Cecília chegava em casa exausta depois do trabalho no shopping, carregando a bolsa pesada e tentando organizar os pensamentos. Ao abrir a porta do quarto, encontrou Maia sentada na cama, os braços cruzados, com o olhar curioso e preocupado. — Cecília… o que aconteceu ontem? — perguntou Maia, a voz cheia de expectativa. — Você sumiu da festa depois daquela confusão com Juliana. Todo mundo ficou preocupado. Cecília respirou fundo, sentindo o coração acelerar. Ela hesitou por um instante, lembrando da intensidade da noite e da proximidade com FK. Mas sabia que podia confiar em Maia. — Tá… — começou, a voz baixa, trêmula. — Eu… fui para o quarto dele. FK. Eu fiquei com ele. Os olhos de Maia se arregalaram, chocados, mas ela manteve a calma. — Como assim? Tipo… de verdade? — perguntou, ainda incrédula. — Sim… — respondeu Cecília, o rosto corando. — Eu… eu me entreguei. Tudo aconteceu. Eu confiei nele, e ele… cuidou de mim, de um jeito que eu nunca imaginei. Maia respirou fundo, absorvendo cada palavra. — Uau… — murmurou, sentando-se ao lado da amiga. — Isso… é intenso. Mas sei que você não se enganou. Ele te fascina, né? Cecília assentiu, ainda nervosa, mas com um leve sorriso. — Sim… e eu não sei como lidar com isso. Ele é tão intenso, tão… impossível. Mas eu… eu não me arrependo. Maia passou a mão pelo ombro da amiga, oferecendo apoio silencioso. — Tá, então. Só… tenta se cuidar, tá? É normal se sentir confusa, mas você não tá sozinha. E se ele é realmente como você diz, você merece que ele seja cuidadoso. Cecília suspirou, sentindo o peso da verdade aliviar um pouco com o apoio da amiga. — Obrigada, Maia… — murmurou, sentindo a mistura de medo, fascínio e alívio se acalmar momentaneamente. O quarto permaneceu em silêncio, exceto pelo som distante da cidade, enquanto Cecília tentava organizar os pensamentos e emoções, sabendo que nada seria mais como antes, e que FK agora ocupava um espaço em sua vida. --- O sol começava a cair quando Cecília deixava o shopping, carregando a bolsa e pensando na rotina do dia. Enquanto caminhava por uma viela tranquila no caminho para casa, sentiu uma presença súbita. — FK? — murmurou, surpresa, tentando disfarçar o susto. Ele surgiu da sombra, em silêncio, aproximando-se com passos firmes e seguros, o olhar cor de mel fixo nela. — Precisava te ver. — disse ele, baixo, intenso, carregado de possessividade. Cecília engoliu seco, sentindo o coração disparar. Antes que pudesse reagir, ele estava tão próximo que o espaço entre eles desapareceu. O ar ficou pesado, carregado de tensão e desejo contido. — FK… — sussurrou ela, hesitante, mas sem conseguir recuar. Ele a puxou para si e os lábios se encontraram em um beijo intenso, cheio de necessidade e emoção. Era um beijo que dizia tudo que palavras não podiam: fascínio, possessividade, desejo e proximidade. Cecília sentiu-se arrebatada, ao mesmo tempo assustada e atraída. O mundo ao redor desapareceu. A viela, o barulho distante, tudo sumiu. Havia apenas eles, respirando juntos, sentindo a intensidade do momento que consumia cada pensamento. Quando finalmente se separaram, ainda próximos, FK deixou escapar: — Você é minha. — disse, firme, como se não houvesse margem para dúvidas. Cecília apenas engoliu em seco, o coração acelerado, sabendo que nada no morro seria mais como antes. --- Cecília m*l teve tempo de processar o beijo quando FK a envolveu levemente pelos ombros. — Sobe na moto. — disse, firme, mas com uma intensidade que a fez obedecer sem pensar. O vento cortava o morro enquanto eles subiam pela Rocinha, o corpo dela pressionado levemente contra ele, a adrenalina misturando medo e fascínio. O barulho da cidade parecia distante, e cada curva da estrada aumentava a proximidade e o calor entre eles. Quando chegaram à mansão, FK não disse uma palavra. Guiou-a diretamente para o quarto, fechando a porta atrás deles. O silêncio do local parecia amplificar cada gesto, cada respiração compartilhada. — Cecília… — murmurou ele, a voz baixa, intensa, o olhar cor de mel queimando nela. Antes que pudesse responder, ele a puxou para perto, e os lábios deles se encontraram novamente. O beijo era carregado de desejo contido, possessividade e emoção, cada instante aumentando a tensão que há muito pairava entre eles. Eles permaneceram ali, corpo a corpo, respirando juntos, o mundo inteiro desaparecido do lado de fora do quarto. Cada toque, cada movimento, cada olhar dizia mais do que qualquer palavra poderia expressar. Cecília sentiu o coração disparar, o medo se misturando ao fascínio, sabendo que aquele quarto e aquele instante haviam mudado tudo. ---
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