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Minha Vida na Favela

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đŸ’„ Minha Vida na Favela đŸ’„

Conheça a histĂłria de Fernanda, uma jovem que luta para sobreviver em meio Ă  dor, Ă  perda e ao caos da Rocinha. Entre trabalho, violĂȘncia e medo, ela enfrenta um mundo onde respeito e sobrevivĂȘncia valem mais que tudo.

E no topo desse mundo estå TH, o dono da Rocinha: frio, calculista e temido por todos, comandando o morro com seu braço direito ND, mantendo ordem e controle em cada esquina.

Uma narrativa intensa e real, que mostra a força de quem precisa recomeçar todos os dias, e o poder que define a vida de quem ousa desafiar o morro.

📖 Uma história de coragem, luta, poder e esperança no coração da favela.

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CapĂ­tulo 01
Fernanda Narrando Me chamo Fernanda, mas meus amigos me chamam de Nanda. Tenho 18 anos, pele clara, olhos castanhos e um jeito de tentar passar despercebida, como se a vida pudesse me ignorar de volta. Nasci e fui criada na Rocinha, com minha mĂŁe, que sempre foi minha fortaleza. Meu pai
 bem, eu nĂŁo sei quem ele Ă©. Minha mĂŁe dizia que foi apenas uma noite, e nunca mais falou sobre ele. Quando eu tinha uns oito anos, minha mĂŁe começou a se envolver com RogĂ©rio. No começo, ele parecia uma boa pessoa, alguĂ©m tranquilo, que tentava ajudar. Mas com o passar dos anos, ele mudou. HĂĄ uns quatro anos, começou a beber demais. Com o ĂĄlcool, vieram as drogas, o desespero, os empregos perdidos. Fazia b***s, mas todo o dinheiro ia para a cachaça e para sustentar o vĂ­cio. As brigas com minha mĂŁe começaram a ficar constantes, altas, feias, assustadoras. Minha mĂŁe, uma verdadeira guerreira, sempre trabalhou duro para colocar comida na mesa e garantir que eu nunca passasse necessidade. Mesmo cansada, mesmo com medo do RogĂ©rio, ela nunca me deixou sentir falta do bĂĄsico. Ela era minha heroĂ­na, meu porto seguro. Quando terminei o ensino mĂ©dio, no ano passado, arrumei um emprego no mercadinho aqui no morro. Fazia de tudo: estoque, caixa, limpeza, atendimento. Parecia que, finalmente, eu ia conseguir ajudar minha mĂŁe e ter um pouco de independĂȘncia. Mas a vida sempre tem seus golpes. Dois meses depois, veio o baque: minha mĂŁe descobriu um cĂąncer. Ela parou de trabalhar imediatamente, e eu tentei conciliar meu emprego com os cuidados a ela. Mas tudo aconteceu rĂĄpido demais. Ela começou a piorar, a doença avançava, e eu nĂŁo tive outra escolha senĂŁo pedir demissĂŁo para cuidar dela em tempo integral. A gente tinha algumas economias, nĂŁo muito, mas dava para ir se virando. Eu juntava o pouco que conseguia, minha mĂŁe confiava, e a gente tentava se proteger do mundo lĂĄ fora. Enquanto isso, RogĂ©rio afundava cada vez mais nas drogas e na bebida. A presença dele em casa se tornou insuportĂĄvel. A cada dia, a casa que antes era nosso lar se transformava num caos: garrafas, restos de comida, roupas espalhadas, cheiro de cachaça e fumaça de droga impregnando tudo. Um mĂȘs e meio depois, minha mĂŁe morreu. O cĂąncer tomou todo o corpo dela, e ela nĂŁo resistiu. Meu mundo parou ali. Minha mĂŁe, minha rainha, meu abrigo seguro, minha Ășnica certeza, tinha ido embora. RogĂ©rio nem apareceu no enterro. Eu voltei para casa sozinha, perdida em um luto que parecia eterno, tentando segurar o choro, tentando respirar num ambiente que me lembrava a cada segundo que eu estava desamparada. Dois dias depois, RogĂ©rio apareceu em casa, totalmente drogado. Foi aĂ­ que meu inferno realmente começou. Cinco meses se passaram desde entĂŁo. Voltei a trabalhar no mercadinho, tentando manter alguma estabilidade, mas minha vida continuava um pesadelo. Trabalhar para colocar comida em casa enquanto meu padrasto roubava, vendia coisas da casa, se entregava ao vĂ­cio e me agredia verbalmente parecia um jogo c***l que eu nunca pedi para jogar. Eu chegava em casa e encontrava a casa destruĂ­da, pessoas estranhas ou conhecidas usando drogas, gritando ou rindo alto no meio do caos. Eu corria para meu quarto e sĂł saĂ­a quando nĂŁo havia ninguĂ©m na sala, para arrumar algo para comer ou lavar a louça, me proteger do mundo que insistia em me esmagar. RogĂ©rio começou a me olhar diferente. NĂŁo sei se era a mistura de raiva, frustração ou algo pior, mas eu sentia medo dele, medo dos outros que ele trazia para casa. Por isso, meu quarto se tornou meu refĂșgio. Era o Ășnico lugar onde eu podia me sentir segura, nem que fosse por algumas horas. Minha amiga Aline sempre me via no mercadinho, ou quando eu tinha folga, eu ia para a casa dela. A mĂŁe dela, Cida, sempre me acolheu como se eu fosse uma filha. Isso era raro para mim: carinho de verdade, atenção, alguĂ©m que se importava sem esperar nada em troca. Eu e Aline nos conhecemos no sexto ano, quando ela se mudou para o morro, e desde entĂŁo nunca nos separamos. Ela era minha Ăąncora, meu escape. No morro, sempre fui invisĂ­vel. NĂŁo por falta de presença, mas por escolha. Passava pelos meninos, abaixava a cabeça, fingia nĂŁo ouvir as piadas, os comentĂĄrios maldosos, as provocaçÔes. Eu nĂŁo queria atrair atenção, porque atenção podia ser perigosa, especialmente vindo de quem controla o morro. O tal TH, o dono, e o sub, ND, nunca vi pessoalmente. NĂŁo frequento os mesmos lugares que eles: pagodes, bailes, festas
 Minha vida era simples e silenciosa, mas segura, dentro do possĂ­vel. Minha vida girava entre casa, mercadinho e a casa da Aline. Antes, minha casa era meu abrigo; agora, era meu inferno. Minha rotina era sobreviver, organizar o caos que RogĂ©rio deixava, tentar encontrar forças para continuar. E todas as noites, antes de dormir, eu chorava. Chorava pela minha mĂŁe, pelo futuro incerto, pelo medo constante. A saudade era uma dor que eu carregava como um peso fĂ­sico, e parecia nĂŁo ter fim. Eu me perguntava, quase todos os dias: “Quando isso vai acabar? Quando vou conseguir viver em paz?” Mas ninguĂ©m respondia, e eu sĂł podia seguir. Um dia de cada vez, uma luta de cada vez. Eu me agarrava Ă  esperança de que, mesmo no meio do caos, algo melhor pudesse existir lĂĄ fora. Algo que nĂŁo fosse dor, medo ou solidĂŁo. E era nisso que eu me apoiava: na pequena chama de esperança que teimava em nĂŁo se apagar. Nas visitas Ă  casa da Aline, nas conversas que me faziam rir, nas lembranças de minha mĂŁe, que me davam força para enfrentar cada dia. Mesmo quando tudo parecia perdido, eu continuava respirando, continuava tentando, porque desistir nĂŁo era uma opção. O morro me moldou. O sofrimento me moldou. A vida dura me moldou. E, mesmo assim, eu acreditava que poderia existir algo alĂ©m de RogĂ©rio, alĂ©m do caos, alĂ©m da dor. Algo que me permitisse ser apenas Fernanda, sem medo, sem lĂĄgrimas constantes, sem a sensação de que cada dia era uma batalha impossĂ­vel de vencer. E eu prometi a mim mesma, em silĂȘncio, que iria lutar. Que sairia daquele inferno, que viveria minha vida de verdade, que encontraria um lugar onde pudesse ser feliz. Porque a vida que minha mĂŁe sonhou para mim nĂŁo podia terminar ali, no caos da Rocinha, no meio da violĂȘncia, da droga e do medo. Minha mĂŁe merecia que eu continuasse, e eu tambĂ©m merecia. Eu ainda chorava quase todas as noites, mas meus passos se tornavam firmes. Cada lĂĄgrima me lembrava do motivo pelo qual eu precisava seguir em frente. Cada dificuldade, cada ameaça, cada momento de solidĂŁo era um teste, e eu me recusava a falhar. Eu era Fernanda. E, apesar de tudo, eu ainda estava de pĂ©. --- Bom dia! Lançamento do livro dia 04/09... Venha conhecer esse novo surto desse super casal que vai se formar .. Antes do lançamento vou estar postando 1 a 2 capĂ­tulos por dia , comentem muito , deixem bilhetes....

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