Capítulo – O Peso da Noite O relógio do mercadinho marcava quase seis da tarde quando eu terminei de fechar o caixa. Mais um dia inteiro de trabalho, os mesmos clientes, as mesmas reclamações, o mesmo patrão de cara fechada contando moedas e anotando fiados que talvez nunca fossem pagos. A rotina cansava, mesmo sem novidade alguma. Era como carregar um fardo invisível nas costas, dia após dia, sem direito a descanso. — Pode ir, Nanda. Amanhã cedo tu entra de novo, tá? — disse o patrão, sem nem olhar pra mim, rabiscando mais uma conta no caderno. — Pode deixar, até amanhã — respondi, tentando forçar um sorriso, mesmo sabendo que amanhã tudo ia se repetir. Saí do mercadinho e o calor do fim de tarde ainda grudava na pele. O sol já tinha se escondido atrás das lajes, mas o ar abafado do m

