Capítulo – Vozes no Silêncio O morro tinha voltado a respirar. Depois do corre da invasão, do barulho das rajadas e do corre-corre dos moleques, a favela ficava estranhamente silenciosa. Só quem vive aqui sabe: quando o barulho para de repente, não é paz, é desconfiança. É o silêncio que vem depois do caos, aquele que deixa os becos em suspense, esperando o próximo disparo. Mas eu, diferente de todos, não ouvia só o silêncio da favela. Dentro da minha cabeça ainda tinha outro barulho. O da respiração dela. Fernanda. O nome ecoava como se fosse proibido. E, de certo modo, era. Depois que deixei a mina em casa, voltei pro front, ajudei os moleque a segurar até os coxa recuar. Normal, rotina. Eu sou o dono dessa p***a, não tem guerra que me derrube. Mas no fundo, cada rajada que eu dispa

