Capítulo – As Sacolas Abertas Quando ele virou as costas e subiu, eu fiquei sozinha na sala. A respiração ainda pesada, as mãos tremendo. Aquela conversa tinha me desmontado por dentro, mas eu não ia chorar ali, na frente dele. Esperei alguns minutos até ouvir a porta do quarto dele bater. Então respirei fundo, me levantei e subi também. Assim que entrei no meu quarto, lá estavam elas: as sacolas. Um monte espalhado pelo chão, pela cama, encostadas no closet. Parecia que tinham invadido o espaço, tomado conta de tudo. A raiva ainda queimava em mim, mas, ao mesmo tempo, uma curiosidade começou a cutucar. Aproximei-me devagar e puxei a primeira. Rasguei o plástico delicado e dei de cara com um vestido vermelho, de tecido macio, desses que parecem abraçar o corpo. Suspirei, sentindo o peso

