Narrado por Fernanda Essa semana no hospital pareceu durar um ano inteiro. Cada hora virou uma eternidade, cada segundo um desafio pra manter a calma. Eu não saí um minuto do lado dele. Desde o dia que trouxeram o Nd pra cá, ferido, pálido, com os olhos fechados e o corpo cheio de curativos, eu decidi que enquanto ele respirasse, eu ia ficar aqui. Do lado. Nem que fosse só pra segurar a mão dele e lembrar que ele ainda tem alguém esperando. Não tem noite, não tem dia. O relógio perdeu o sentido. Eu aprendi a medir o tempo pelo som das máquinas — o bip constante que virou trilha do meu medo, o ruído do respirador, o passo dos enfermeiros no corredor. Quando o barulho muda, o coração dispara. Quando volta ao normal, eu respiro de novo. A rotina é simples e pesada. Eu acordo no sofá, com

