Me chamo Formiga. Sou quem manda aqui na Maré — pelo menos é assim que sempre me chamaram. Nasci nesse mesmo olhar de pedra que vocês veem quando passam pela rua: pele escura, jeito fechado, boca que fala pouco e ouve muito. Cresci no corre, aprendi cedo que respeito não se implora — se impõe. Não quero que confundam orgulho com vazio: eu não preciso que me reconheçam, eu faço com que me respeitem. Minha história não é de herói nem de santo. Minha mãe lavava roupa pra sobreviver, e eu vendia o que dava pra vender. Quando a oportunidade bateu — e sempre bate pra quem sabe ouvir o vento — não vacilei: peguei o espaço, cobri os cantos, comecei com pouco e fui acumulando. A Maré cresceu comigo porque eu nunca me iludi com favores de fachada. Troca de informação, proteção, comércio — tudo tinh

