Capítulo – Fernanda Chegar no pagode foi como entrar em outro mundo. A música alta, o som do tantã, as palmas batendo, a voz rouca do cantor que arrastava o coro da galera. Mas nada abafava o barulho dentro de mim: o coração disparado, o frio na barriga. Senti os olhares me atravessarem assim que entrei. Não era novidade, mas daquela vez foi diferente. Eu sabia que Th vinha logo atrás de mim, sério, imponente. O respeito que o povo tinha por ele parecia se refletir em mim, como se eu fosse um alvo só por estar do lado dele. A vergonha me tomou, e quase voltei alguns passos. Mas aí, entre tantos rostos, vi o dela. Aline. Ela levantou na hora, abriu os braços e me abraçou forte. — Amiga! — ela disse, sorrindo. — Que saudade! O abraço dela foi um alívio, um pedacinho da minha vida ante

