Capítulo — ND Acordei com o barulho leve da janela batendo. Por um segundo, não sabia onde tava. A luz entrava suave, o lençol limpo, o cheiro de casa... Demorei pra entender que não era mais o hospital. Que eu tava de volta. Respirei fundo. O ar ainda doía pra entrar. A dor no abdômen me lembrava o que aconteceu — o tiro, o sangue, o escuro. Mas também me lembrava que eu sobrevivi. O quarto tava silencioso, só o som da rua lá fora e o ventilador girando devagar. Aline dormia encostada na poltrona ao lado da cama, o rosto sereno, mas dava pra ver o cansaço. As olheiras fundas, o cabelo bagunçado, a mão ainda segurando a minha, como se tivesse medo de soltar e eu sumir de novo. Fiquei olhando pra ela um tempo. Nunca pensei que alguém fosse ficar do meu lado desse jeito. Eu vi

