Capítulo – O Silêncio da Casa Abri os olhos devagar e a primeira coisa que vi foi o ponteiro vermelho do relógio digital no criado-mudo piscando: nove horas da manhã. Dei um suspiro longo. O quarto ainda estava meio escuro, a cortina fechada segurava a claridade, mas já dava pra sentir o calor que vinha lá de fora. Domingo de sol, desses de fritar o asfalto. Me espreguicei, estiquei os braços pra cima e deixei o corpo escorregar um pouco pelo colchão. A cama era boa, macia até demais, mas nunca me senti completamente à vontade nela. Era como se não fosse minha, como se eu estivesse só de passagem. Levantei devagar, escovei os dentes no banheiro, deixando a água fria cair na boca como se lavasse não só os dentes, mas também um pedaço da alma. Liguei o chuveiro e deixei a água escorrer pe

