Capítulo – A Porta Fechada Subi os degraus da minha própria casa como fazia todo dia, mas aquele momento não era igual a nenhum outro. Não tinha música, não tinha risada de amigo, não tinha cheiro de cigarro ou de pólvora. Tinha silêncio. O silêncio dela, cada passo vacilante, cada respiração presa na garganta, como se estivesse entrando numa prisão. Nunca deixei mulher nenhuma entrar aqui. Nenhuma. Só a dona Socorro, que limpava de vez em quando, deixava a casa no jeito. Era meu espaço, meu refúgio. Onde eu podia tirar a arma do cós, largar a corrente em cima da mesa e esquecer por alguns minutos que era o dono do morro. Esse lugar era só meu. Mas agora não era mais. Abri a porta, deixei ela passar primeiro. A luz invadiu a sala, batendo nos móveis , todos pretos e de linhas retas. Na

