Capítulo — Fernanda O fim de tarde chegou mansinho, tingindo o céu de laranja e rosa. Aquele tipo de cor que a gente só percebe quando o coração tá mais leve. Na casa do ND, o silêncio era diferente agora. Não era mais aquele silêncio de medo — era o da calma, o da recuperação. Eu tava sentada no sofá da sala, com uma xícara de café nas mãos, observando os dois lá fora pela varanda. Aline e ND. Ela sentada bem perto dele, a mão apoiada na perna dele, os dedos traçando círculos leves. Ele, encostado na cadeira, ainda com o semblante cansado, mas com os olhos vivos. De vez em quando, ela dizia alguma coisa baixinho e ele ria. Ria de verdade. E aquele som, depois de tudo o que a gente viveu, parecia milagre. Th tava do meu lado, mexendo no celular, resolvendo coisa do morro, mas o

