Capítulo – Aline Eu não sabia o que esperar quando aceitei o convite — ou melhor, a autorização bruta de Th — pra ir ver a Nanda. A caminhada até a casa dele parecia mais longa do que qualquer trajeto dentro da favela. Meu coração batia forte, misturado com o medo de tá entrando no território mais perigoso, mas também com a esperança de reencontrar minha amiga. Quando cheguei na frente da casa, fiquei parada alguns segundos. Eu já tinha ouvido falar que o patrão vivia bem, mas não imaginava aquilo. Era uma mansão de verdade, enfiada no meio da quebrada. Pé direito alto, fachada imponente, janelas grandes, portão robusto. Parecia que não pertencia ali. Um pedaço de outro mundo jogado dentro da favela. Engoli em seco. O sol batia forte, mas o frio corria pela espinha. Bati palma e, poucos

