CAPÍTULO 4

1323 Words
NARRAÇÃO DANIEL O beijo logo para quando Melissa morde minha boca com muita força. - p***a! Grito ao sentir o gosto de sangue e meu lábio cortado começar a inchar. - Que merda, Melissa! Passo a mão no lábio que lateja e ela me olha brava. - Nunca mais me beije sem a minha permissão. Você é i****a?! Se diz inteligente, mas na verdade é mais um babaca controlado por um p*u duro. Que raiva! Sai a passos firmes, batendo de verdade os pés no chão. Vou acompanhando ela com os olhos e vejo passar pelo amigo de Isabel. Que se f**a o amigo! Ando rápido atrás da mordedora de boca. - Espera! Grito e ela começa a correr. Inferno! Nunca corri atrás de mulher na minha vida e me vejo correr atrás de uma falsa amante, irritada por um beijo. Queria entender que merda me deu para beijá-la. - Mel! - Não me chame de Mel! Ela parece ainda mais irritada. Quando chegamos na rua, puxo seu braço antes que uma moto a acerte. - Não precisa surtar por causa de um beijo. - Me solta! Puxa o braço e se afasta de mim. - Me desculpa! Deixei me levar pelo fato de ter dito que queria me beijar. Ficamos no meio da rua nos encarando e Melissa cruza os braços. - Você passou a noite toda me seduzindo e disse que queria me beijar, f***r naquele beco e fui levado pelo clima. Me desculpa! Ela parece tão pequena encolhida como está agora. Nem parece a explosão de mulher que vem sendo desde que a conheci. - Eu não posso aceitar ser sua falsa amante e precisa entender isso. Aceite meu não e me deixe em paz. - Não sei lidar com o não. - Aprenda! - Não quero! Pelo menos não agora! - É por estar dizendo não que está assim nessa obsessão? - Eu não sei! Só sei que venho procurando alguém para esse plano e ninguém se encaixa melhor nele do que você. - Por que? Por ser bonita? Por que sua mulher vai ver esse rostinho bonito e morrer de ciúmes? - Não! Vem se aproximando, mantendo seus enormes olhos azuis nos meus. - Por que? Para a minha frente e respira fundo! - Por que eu? - Porque você foi a única com quem quis ficar mais de meia hora perto. Todas as outras eu queria sair correndo e nunca mais ver na minha vida. - As outras diziam sim senhor! Sussurra e vejo que está triste com a situação. - É por isso! - Não! Vai além disso e não sei explicar. Deve ser o fato de ser inteligente, ter uma boca respondona e eu nunca saber o que vai fazer. - Daniel, você não está procurando uma falsa amante, mas sim alguém que torne sua vida menos chata, com menos tédio. Reflito sobre o que me diz. - Deve ser cercado de pessoas que fazem tudo o que manda, incluindo sua mulher. Isso é verdade! - Isso te dava prazer, mas não dá mais. - Está querendo dizer que não tenho um plano para deixar minha mulher com ciúmes, mas sim me tirar do tédio? - Só quem pode responder isso é você. Vai se afastando e abre um pequeno sorriso. - Boa sorte em tentar responder. Vira pra ir embora e a chamo fazendo seu corpo parar, mas Melissa não se vira. - Te levo até sua casa. - Já tivemos i********e demais por hoje, acho que não seria bom saber onde moro. - Acha mesmo que não sei onde mora? Sei que está sorrindo enquanto balança a cabeça. - Talvez hoje fique em outro lugar. Boa noite, Daniel! ************ Abro a porta de casa e dou de frente com Isabel. Me olha desconfiada e bate o pé no chão de forma irritante, como se esperasse explicações. - Como foi o jantar com seu amigo? Acho que as fofocas chegaram em seus ouvidos. - Foi muito bom! Jogo minhas coisas sobre a mesinha embaixo do enorme espelho. - O que foi isso na sua boca? Passo minha língua onde Melissa mordeu e ainda está inchado. - Machuquei! - Como? Não respondo e pego uma bebida no bar. Talvez um pouco de conhaque pra finalizar o dia de merda. - Alguma c****a de rua te mordeu? Começo a rir com o ciúmes de Isabel, mas dentro de mim suas palavras soam de forma ofensiva demais a Melissa. - Acho que já está tarde, deveria ir dormir. - Não quero você em nossa cama hoje. Cruza os braços e viro de uma vez o conhaque do copo em minha boca. - Está fedendo a v***a. - Por mim tudo bem! Pego a garrafa de conhaque e caminho em direção ao quarto de visitas. - Boa noite, querida! Entro no corredor e assim que estou no quarto, tranco a porta para não ter que me irritar com invasões noturnas. Coloco copo e garrafa sobre o criado ao lado da cama e arranco minhas roupas. Jogo tudo no chão e vou para o banheiro. Olho minha boca no espelho e vejo o estrago. Até sorrir faz essa merda doer. Respiro fundo ao me lembrar do que Melissa me falou e vou para o chuveiro. ********** Me sinto sufocado e não consigo dormir. Pego o celular e procuro pelo telefone dela. Ligo e no terceiro toque, Melissa atende. - Oi! Fala baixinho como se não quisesse que a escutem. - Queria saber se chegou bem no lugar. - Cheguei! Fica em silêncio e só o som de sua respiração já faz a culpa do beijo f***r minha mente. - Me desculpe pelo beijo! - Tudo bem! Sei que só me beijou porque eu disse que queria te beijar. - Não! Acho que te beijei porque também queria. - Você disse que não queria. - Estava mentindo! - Mel! Escuto uma voz feminina chamá-la e imagino que tenha tampado o aparelho para que eu não escute a conversa das duas. Após um curto tempo ela volta. - Desculpa! Minha irmã queria saber algumas coisas. - Eduarda? - Parece que sabe mesmo tudo sobre mim. - Quase tudo! Li detalhadamente o relatório que fizeram. - Então vai poder me responder que bebida mais amo no mundo todo! - Isso não estava no relatório. - É porque ali só tem a Melissa e não a Mel. Sou muito mais que um relatório, Daniel. A Melissa que leu, a dançarina, aceitaria sua oferta sem questionar nada. Seria apenas "sim senhor". - Então me diz porque a Mel não aceita. - Porque ela sabe que nessa brincadeira, apenas uma pessoa sairá machucada. - Quem? - Eu! No fim de tudo você teria seu sexo alucinante com sua mulher ciumenta e eu estaria apaixonada por você, por tudo que me daria e faria por mim. Estaria deslumbrada por uma vida que não me pertence. Estaria tão envolvida com a nossa falsa relação, que sonharia que um dia você trocaria sua esposa por mim, que eu pudesse ser o amor da sua vida. Ficamos em silêncio e não sei o que dizer. - Não posso ser sua falsa amante. Não posso te beijar e dizer que não vou me abalar. Não posso brincar de sedução com você e no fim não cair de cabeça no desejo e me lambuzar dessa loucura. - Está me dizendo que seria impossível se manter como minha falsa amante, porque sucumbiria ao desejo e se tornaria uma amante de verdade? - Estou dizendo que em todas as alternativas possíveis, serei sempre eu a machucada no fim. - Mel... - Não! Procure outra pessoa, Daniel! - Eu não quero! - Eu não posso! Diz cansada e bufa. - Você quer? Não me responde e nem eu sei se deveria responder. - Você estaria disposta a correr o risco, cair de cabeça no meu plano e descobrir se eu largaria tudo por você?
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