Capitulo 15

1084 Words
O quarto estava mergulhado numa penumbra suave, a luz da lua infiltrando-se pelas frestas da janela entreaberta, lançando sombras dançantes sobre as paredes. O ar estava pesado com o calor deles, impregnado de um silêncio que não era vazio, mas cheio de tudo o que acabara de acontecer. Ele a colocara na cama com uma delicadeza que contrastava com a urgência nos olhos escuros, e agora, deitado sobre ela, hesitava por um instante, como se quisesse gravar cada detalhe daquele momento na memória. Laura o encarou, os cabelos castanhos despenteados caindo sobre os ombros nus, o peito subindo e descendo com a respiração acelerada. Havia um brilho nos olhos dela, uma mistura de desejo e algo mais profundo, algo que os dois sentiam crescer entre eles desde o primeiro olhar que trocaram. Ela ergueu o rosto, os lábios roçando os dele num convite silencioso, e Ângelo não resistiu. O beijo que se seguiu foi lento no início, quase reverente, mas logo se transformou em algo mais — uma fome que os consumia, uma necessidade que nenhum dos dois podia mais ignorar. As mãos dela deslizaram para a nuca dele, os dedos enroscando-se nos cabelos húmidos de suor, puxando-o mais para si. Ele respondeu com um gemido baixo, quase inaudível, enquanto as suas mãos encontravam a pele quente sob a blusa dela. Com um movimento rápido, ele a levantou, tirando o tecido com uma pressa que a fez rir contra os lábios dele — uma risada leve que morreu num suspiro quando os dedos dele traçaram a curva da cintura dela, subindo até os ombros. A blusa caiu no chão, esquecida, e Laura sentiu o ar fresco da noite contra a pele antes que o calor do corpo dele a envolvesse novamente. - Você tem certeza disso? - perguntou ele, a voz rouca, os olhos buscando os dela na penumbra. Ela não respondeu com palavras. Em vez disso, puxou-o para outro beijo, mais intenso dessa vez, os lábios dizendo tudo o que ele precisava ouvir. As mãos dela desceram pelo peito dele, trêmulas mas decididas, desabotoando a camisa com uma urgência que espelhava a dele. Ângelo deixou que ela o despisse, os músculos tensos sob o toque dela, enquanto os seus lábios traçavam um caminho ardente pelo pescoço de Laura, descendo até a clavícula. Cada beijo era uma chama, cada roçar de pele um estremecimento que reverberava por ela inteira. A roupa foi sendo jogada para o chão, peça por peça, até que não restasse nada entre eles — apenas o calor dos corpos, o ritmo descompassado das respirações e o som abafado dos lençóis sob os seus movimentos. Ele a segurou com firmeza, as mãos grandes envolvendo a cintura dela, mas havia uma ternura nos gestos que a fazia sentir-se ao mesmo tempo vulnerável e poderosa. Laura arqueou o corpo contra o dele, os dedos cravados nas costas dele, as unhas deixando marcas leves na pele bronzeada. Ele respondeu com um suspiro rouco, os lábios encontrando os dela novamente enquanto os seus corpos se moviam em sincronia, como se já conhecessem cada curva, cada ponto fraco. O tempo se dissolveu naquela noite. Não havia mais ilha para reconstruir, nem passado para carregar — apenas o agora, o calor que os consumia, os sussurros entrecortados e os olhares que diziam mais do que qualquer palavra. Quando finalmente desabaram, ofegantes e entrelaçados, o silêncio que se seguiu foi doce, carregado de uma paz que nenhum dos dois esperava encontrar. Laura repousou a cabeça no peito dele, sentindo o coração de Ângelo bater forte sob a sua bochecha, ainda descompassado. Ele passou os dedos pelos cabelos dela, num gesto lento e quase distraído, como se quisesse memorizar cada fio. - Fica - murmurou ela de novo, as palavras saindo baixas, quase um sussurro contra a pele dele. Ele não respondeu, mas o braço dele a envolveu com mais força, puxando-a para mais perto, e isso foi resposta suficiente. O cansaço os levou aos poucos, os corpos relaxando contra o colchão, e logo o som suave da respiração dela se misturou à dele, enquanto o mundo lá fora continuava a girar, indiferente. ... A luz do amanhecer entrou tímida pelo quarto, um tom dourado que substituiu o prateado da lua. Laura acordou primeiro, os olhos se abrindo lentamente enquanto a realidade do novo dia se infiltrava na sua mente. Por um momento, ela ficou imóvel, sentindo o calor do corpo de Ângelo ao seu lado, o braço dele ainda jogado sobre a cintura dela. O lençol estava embolado aos pés da cama, e a brisa matinal entrava pela janela, trazendo o cheiro salgado do mar e o som distante das ondas quebrando na praia. Ela virou o rosto para ele, observando-o dormir. Os traços dele estavam suavizados pelo sono, os cabelos escuros bagunçados caindo sobre a testa, e havia uma calma ali que ela não vira antes — não naquelas semanas intensas de trabalho a ajudar a ilha, nem mesmo nos momentos em que ele ria com ela entre uma foto e outra. Laura sentiu um aperto no peito, uma mistura de ternura e incerteza. O que tinham começado na noite anterior era real, mas o que significava agora, à luz do dia? Com cuidado para não acordá-lo, ela deslizou para fora da cama, pegando a camisa dele que ainda estava no chão e vestindo-a sobre os ombros. O tecido tinha o cheiro dele — algo entre suor, sal e um traço de madeira que ela não sabia descrever. Descalça, caminhou até a janela e olhou para fora. A cidade ia acordando aos poucos: o céu tingido de laranja e rosa, as gaivotas voando ao longe sobre o mar, e o horizonte parecendo infinito. Era um novo dia, mas nada parecia igual. - Já fugindo? - a voz dele, rouca de sono, a fez virar-se. Ângelo estava apoiado num cotovelo, os olhos semicerrados mas fixos nela, um sorriso torto brincando nos lábios. Laura riu baixo, cruzando os braços como se quisesse se proteger da vulnerabilidade daquele momento. - Vim só apanhar o ar da manhã - respondeu ela, voltando para a cama e sentando-se na beirada. Ele estendeu a mão, puxando-a para mais perto até que ela caísse sobre o colchão ao lado dele, os corpos se alinhando como se nunca tivessem se separado. - Vamos ficar mais um pouco - ele abraça-a e começa a beijar o seu pescoço E sem dizer mais nada, Laura deixa-se envolver pelos braços dele, já sabendo como ia acabar a manhã.
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