Sarah Montserrat
Se eu achei que a Sun gostou do Nikkei é porque eu não tinha visto ela falando do Justin. Ela disse que quer ir no presídio de novo e que vai fazer muitos desenhos para deixar ele feliz. Meu Deus, eu não esperava que os dois iriam reagir tão bem quando se encontrassem. Justin amou a Sun e vice-versa. Fiquei feliz por isso, pode tê-lo ajudado em alguma coisa. Sei que a visita da Sun mexeu com ele.
Quando chegamos do presídio, expliquei a Sun que lá é um local onde as pessoas passam um tempo para aprender a não fazer coisa errada, por incrível que pareça ela não questionou nada, mas todo instante ela me pergunta se eu vou ver ele e se ele ainda tem biquinho de tristeza. Eu tenho muito orgulho da pessoinha que a Sun está se tornando. Por mais que cria-la sozinha tenha sido a maior provação da minha vida e por mais que eu tenha passado por coisas que eu achei não suportar… eu suportei.
Hoje ainda é quarta-feira, mas eu estou ansiosa para o fim de semana. Nikkei me chamou pra jantar na sexta à noite e me disse que eu poderia levar a Sunshine. Mas eu falei com ela e não vou levá-la, não que eu já esteja pensando em beijar o cara e arrancar a roupa dele — talvez um pouco —, mas vai ser desconfortável se pintar um clima ou ter algum flerte. Sun não curtiu a ideia, mas eu falei que a Madeline ia levá-la para passear e ela aceitou imediatamente.
Eu estou nervosa para sair com Nikkei, acho que é algo muito recente e eu posso me decepcionar depois de tudo. Felizmente minha obsessão chamada “Charles” passou. Eu preciso dar um novo passo, certo?
Hoje foi um dia corrido, como ontem eu passei um bom tempo no presídio e depois com a Sun, eu tive que ir hoje para a clínica e devolvi os arquivos do Justin para a faculdade, depois, fui até a casa do Jeremy Bieber conversar sobre o ocorrido de sábado, deixando-o ciente das dificuldades que vamos enfrentar por conta da fuga.
Voltei para casa voando e dei um beijo na minha filha, saindo novamente para uma consulta eventual em uma creche aqui por perto.
Meu dia está sendo um turbilhão, mas o que mais me preocupa agora é como estão tratando Justin depois que tentou fugir. Sei que ele apanhou e sei que ainda está apanhando. Eu preciso dar um jeito nisso.
(...)
Justin Bieber
Meu pai estava cabisbaixo na sala de visitas. Foi a segunda vez que eu pisei nessa sala esta semana. Me sentei e Marcus fechou a porta, Jeremy ergueu o olhar e piscou os olhos lentamente. Ele estava cansado, mas havia acontecido alguma coisa.
Meu coração apertou. Com certeza ele está decepcionado pela minha tentativa de sair daqui. Eu já tentei fugir antes, mas nunca dava certo e ele nunca ficava sabendo.
— Me desculpa, pai — sussurrei, mas ele negou com a cabeça e apoiou o rosto na mão. Entendi que ele não estava bravo comigo. Jeremy parecia abalado.
— O que foi?
— Sua mãe… — meu pai simplesmente não conseguia falar — ela… — um soluço alto pulou de sua garganta desencadeando um choro estrangulado.
Eu sei que ele não ama mais ela, nunca amou, mas sempre que ele fala na Patricia ele pensa em mim e sabe que qualquer coisa que tenha acontecido com ela vai me destruir.
— O que aconteceu com ela?! — encarei seus olhos fixamente.
— Ela tentou matar a Diane.
Meu coração parou por um instante, juro. Minha mente não conseguia passar uma possível imagem da minha mãe tentando matar a minha avó.
— Por que? — minha voz falhou, deixando meu corpo ainda mais arrepiado com medo da resposta.
— Justin… — meu pai suspirou — eu não te falei antes porque sabia que você ia se sentir m*l e achar que tem culpa do que está acontecendo com a Pattie.
— O que está acontecendo, Jeremy?! — mordi meu lábio com muita força, respirando fundo.
— Desde quando você entrou na penitenciária… sua mãe… — ele massageou as têmporas e voltou a falar — ela é alcoólatra.
As únicas lembranças boas que eu tenho da minha mãe são de quando ela ainda não conhecia o Nicholas, mas mesmo com ele, ela não bebia, Pattie nunca foi fã nem mesmo de vinho ou cerveja.
— Como isso foi acontecer?! — meus olhos encontraram os do meu pai, eu sei que ele tem muita coisa para por para fora, mas tem medo de me machucar.
— Justin, sua mãe se perdeu depois que você foi preso.
— Ela me odeia! — falei alto, negando com a cabeça — pai, ela ficou m*l porque eu matei o cara que ela gostava!
— Sim! Mas ela precisa de você mais do que nunca! Pattie não tem mais ninguém, ela tem bebido demais, sempre toma medicamentos pesados. Patricia está tomando Tarja Preta.
Meu queixo foi no chão.
— Ela está tendo crises de ansiedade? Eu me lembro de ela ter isso.
Que seja isso e nada mais, meu Deus.
— Síndrome do Pânico.
Arregalei os olhos, sentindo algum tipo de suco gástrico subir pelo meu esôfago e descer embrulhando meu estômago. Depois, a sensação foi de algum tipo de faca rasgando meu pescoço e uma mão monstruosa entrando no meu peito aberto, tirando o ar dos meus pulmões e tirando—me o coração.
— Foi eu quem causei isso? — meu lábio começou tremer e, quem logo começou a chorar foi eu — eu deixei minha mãe doente?
Jeremy se levantou correndo e me abraçou, apoiei meu rosto em seu braço e comecei a chorar ainda mais, sentindo meu corpo todo doer.
— É pela sua ausência. Eu sei que você matou o cara por algo grave, eu preciso que você me conte o que aconteceu e assim a doutora Montserrat vai conseguir te tirar daqui. Pattie precisa de você. Nós precisamos de você.
— Ela me odeia, pai… — tentei secar o rosto, mas com as mãos algemadas foi impossível — ela me odeia.
— Justin, uma mãe nunca vai deixar de amar o filho. Ela te ama e precisa de ajuda, seus avós não conseguem mais controla-la, ela tentou esfaquear sua avó pelas costas podre de bêbada! Por Deus ela não conseguiu estava sem força. Ela precisa de você.
Olhei para o meu pai. Ele tinha os olhos cansados e opacos. Eu quero ajudar, mas não sei se sou capaz de contar a verdade para todos. Não quero lembrar, não posso.
— Eu não posso ajudar… — falei por final.
— Você pode e sabe que deve — meu pai beijou minha testa e me abraçou — pense bem, filho.
Ele foi até a porta, me olhando de novo.
— E não tente mais fugir, eu lhe imploro.
Com o coração entre as pontinhas dos dedos, assenti e ele saiu.
Eu sei o que é certo, só não sei se quero fazê-lo.
(...)
Sarah Montserrat
Saí na sexta-feira mais cedo do trabalho para poder me arrumar. Faz uns três dias que eu não vou no presídio, mas acho que o Justin tá precisando de um tempo pra ele poder pensar em tudo.
Madeline levou a Sun para a casa dela e disse que minha casa está livre para mim. Entendi bem o que ela quis dizer… sexo.
Para ser sincera, eu pensei nas possibilidades de Nikkei me levar pra cama, pensei muito e estou pensando. Não é uma ideia tão r**m assim.
Fiz uma depilação completa (porque eu realmente quero receber visita), fiz as unhas e sequei meu cabelo, deixando um volume razoável. Faz muito tempo que eu não vou a um encontro, eu tentei ir em alguns quando a Sun estava menor, mas parece que quase nenhum cara quer compromisso com uma mãe solteira.
Escolhi uma roupa casual: Um par de sandálias com salto médio e um vestido longo e mangas cumpridas escuro. Coloquei brincos e pulseiras, eu amo todo tipo de acessório, sempre estou com anéis ou brincos.
Me maquiei conforme a ocasião. Nada muito extravagante.
Meu celular vibrou na escrivaninha e eu peguei, vendo uma mensagem de Trevor dizendo que já estava em frente casa.
Meu coração disparou um pouco. Eu não estou apaixonada, não estou encantada ou coisa assim. Eu gosto do Nikkei, mas por enquanto não é nada demais, pode sim rolar algo entre nós, algo sério, digo. Mas agora eu vou deixar tudo acontecer como tem que ser. Estou ansiosa, é como se fosse um primeiro encontro.
Saí de casa olhando meu batom na tela do celular e dei uma conferida no meu hálito e nos meus dentes, eu sempre sujo os dentes de batom.
Nikkei estava encostado em seu carro, uma SUV prata, eu já tinha visto ele com esse carro algumas vezes. Ele abriu um sorriso perfeito e fez uma cara de admiração. Sorri de volta, devolvendo o flerte.
Trevor caminhou até mim e eu me vi obrigada a reparar na sua jeans escura apertada e no smoking claro sendo totalmente preenchido por uma série de músculos, olhei em seu rosto o cumprimentando.
— Oi — falei, meio nervosa — Boa noite.
— Boa noite… — ele beijou meu rosto e olhou para a minha casa — e a Sun?
Sorri com a pergunta dele. Ele se importa com ela.
— Ela saiu com a minha amiga — expliquei, vendo seu sorriso ficar um pouco mais largo. Largo do tipo “que bom, vamos t*****r”. Eu não estou safada demais, foi realmente um sorriso sensual exalando tensão. Isso fez minha mão tremer um pouco.
— Vamos então — Nikkei abriu a porta para mim e eu entrei no carro, olhando por dentro.
Eu tenho um Honda Civic que saiu no ano passado, mas não se compara com esse carro.
— É demais, não é? — ele riu, dando partida — guardei dinheiro desde os dezesseis anos para poder comprar um carro bacana.
— Você é de se admirar — falei e passei o cinto, colocando o cabelo atrás da orelha.
— Por causa do meu carro? — ele riu.
— Não… — revirei os olhos — quem te olha imagina que você é um cara rico e que se acha superior — ele riu, dando de ombros — mas você é muito batalhador e isso é bom.
— Ainda bem — Saímos de lá, ficando em um silêncio confortável.
Trevor se atreveu e deixar a mão livre na minha coxa e começou a fazer carinho. Nós não nos beijamos, mas eu estava disposta a mudar isso nesta noite.
Quando chegamos no restaurante, me surpreendi. Toronto tem milhares de restaurantes franceses e com toda certeza este é um dos melhores.
Entramos de mãos dadas e seguimos para uma mesa que já estava reservada, me surpreendi com isso.
Ele reservou nossas mesas.
Contive um sorriso e caminhei até lá. Trevor puxou a cadeira para eu sentar e se sentou em seguida, me olhando fixamente. Comecei a me perguntar se tinha alguma coisa no meu cabelo ou no meu rosto.
Será que eu exagerei na base?
Olhei meu rosto na tela do celular mais uma vez e ele riu.
— Eu estava reparando na cor dos seus olhos. Os da Sunshine são bem mais escuros.
Suspirei de alívio.
— Os olhos dela eram muito mais escuros quando ela era bebê. Agora está clareando um pouco.
— Seu ex marido era bonitão, em? A menina é linda.
Dei risada e mordi o interior da minha bochecha, torcendo a boca.
— A Sun não é filha dele.
Trevor cruzou o cenho.
— Eu fui pagar uma traição com a mesma moeda e a Sunshine apareceu — me vi obrigada a dizer, não vou esconder nada de ninguém, como eu já disse, eu me preocupo com a Sunshine — bom, acho que o resto você pode ter imaginado, não faço ideia de quem seja o pai da Sun.
— Ela é linda, mesmo sendo filha de não sei quem — Nikkei segurou minha mão, fazendo carinho e logo o garçom chegou para anotar nossos pedidos. Seu sotaque de americano estadunidense deu a ele um aspecto ridículo por conta do tipo de roupa que ele está usando. Um fake garçom francês.
Pedimos massas variadas com molho rosê e molho branco, vinho tinto para acompanhar e alguns pasteizinhos recheados com queijo para abrir a refeição. Logo, estávamos conversando de novo.
— Eu moro sozinho. Na verdade, meu irmão mais novo veio para cá ficar uns dias. Ele está se mudando para o alojamento da faculdade.
— Entendo — sorri de lado, bebendo um pouco de água — já foi casado?
— Já noivei. Bom, foi algo bem duradouro, eu gostava da moça, mas ela não queria algo tão sério sendo tão nova, a gente terminou e ainda tem contato, mas não é amizade forte, só um “oi” de vez em quando.
— Devo agradecer a ela por você estar solteiro? — perguntei, rindo.
— Você é muito desbocada — ele disse, gargalhando — isso é demais.
— Se eu tenho interesse em você acho que eu devo deixar claro, não é?
Os olhos dele brilharam, seu lábio inferior fez um movimento sexy para o lado enquanto ele torcia a boca, prendendo o riso. Ele é uma tentação.
— Certamente, é sempre bom deixar claro nossas intenções — Trevor pegou minha mão e beijou, erguendo os olhos para mim.
Nossos pedidos chegaram em uns trinta minutos e nós começamos a comer, deixando o papo para depois, porque a comida estava maravilhosa. Depois de terminar nosso vinho eu pedi licença e fui ao banheiro retocar o batom. Conferi meu visual e sorri, indo até a mesa. Nikkei já estava acertando a conta quando voltei. Ele me olhou e sorriu, se levantando.
Com muito mais i********e, ele deixou uma mão na minha cintura e nós fomos até o estacionamento, percebi que o beijo ainda não tinha acontecido e que eu estava querendo muito, mas, antes de eu falar ou fazer algo, fui surpreendida por seus lábios assim que entramos no carro.
Trevor passou a mão pela minha nuca e me puxou mais, sua mão esquerda ficou entre as minhas coxas numa carícia gostosa. Quando sua língua tocou a minha, me vi obrigada a sorrir por causa de sua habilidade. Sugando meu lábio, ele acalmou nossos ânimos com um selinho demorado e nossos olhares se encontraram. Já sabíamos o que queríamos.
— Minha casa não é longe — comentou ele, depois de um tempo — Se quiser conhecer…
Sorri por dentro, tensionando o corpo.
— Vai ser bom.