Quando o Corpo Cede

1900 Words

O corpo não pediu permissão. Ele simplesmente cedeu. Não foi um colapso cinematográfico, desses que chamam atenção e viram espetáculo. Foi silencioso, traiçoeiro, como tudo que vinha acontecendo comigo havia meses. Um passo em falso, uma tontura rápida demais para ser ignorada, e o mundo perdeu o foco. A mão escorregou pela parede antes que eu conseguisse me apoiar. O chão pareceu subir para me encontrar. Arthur estava no telefone quando me viu sentar bruscamente no sofá, respirando errado, o olhar perdido em algum ponto que não era mais a sala. — Damiana? — chamou, desligando a ligação sem concluir. — O que foi? Não respondi de imediato. O ar não entrava direito. O coração batia fora do ritmo, como se tivesse esquecido a sequência correta. — Damiana — ele repetiu, agora mais perto.

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