O silêncio mudou de forma. Antes, ele era ameaça. Um espaço pesado demais para respirar, um aviso constante de que algo estava errado, mesmo quando ninguém dizia nada. Agora, o silêncio era outro. Não gritava. Não pressionava. Apenas existia. E isso, de um jeito estranho, era mais difícil de suportar. Acordei cedo naquela manhã, antes do sol atravessar a janela. A casa ainda dormia. Meu filho respirava tranquilo no quarto ao lado, um som pequeno, regular, que tinha se tornado a única âncora real do meu dia. Caminhei pela sala em passos lentos, sentindo o chão frio sob os pés, como se precisasse confirmar que estava mesmo ali. Livre. A palavra ainda parecia grande demais para caber em mim. Preparei café sem pressa. Nenhuma mensagem urgente no telefone. Nenhuma ligação esperando retorno

