Depois do susto no hospital, Arthur mudou o tom. Não a essência. O tom. Ele passou a falar baixo, a tocar com cuidado exagerado, a perguntar antes de decidir — pelo menos na superfície. Para qualquer pessoa de fora, parecia um marido preocupado, atento, quase arrependido. Para mim, era apenas uma versão ajustada do mesmo controle. — Quero que você fique tranquila — dizia. — Pelo bebê. Sempre o bebê. Nunca eu. Foi ali que entendi algo fundamental: Arthur não precisava que eu o amasse. Precisava que eu não o desafiasse. E isso, eu podia oferecer — temporariamente. Na manhã seguinte, desci para o café e sentei sem dizer nada. Arthur levantou os olhos do celular. — Dormiu melhor? — Um pouco. — Ótimo — respondeu. — O médico disse que repouso emocional é essencial. — Então vamos fazer

