Arthur passou a falar menos do pai. Não foi um silêncio repentino, desses que chamam atenção. Foi algo mais calculado. O nome simplesmente deixou de aparecer nas conversas, nas histórias de superação, nos discursos que ele usava para justificar o próprio império. O pai, antes citado como origem de tudo, virou ausência conveniente. Foi isso que me fez prestar atenção. A mudança aconteceu numa tarde comum, enquanto Arthur organizava documentos no escritório. Ele falava ao telefone com alguém do jurídico, a porta entreaberta. — Não mexa nisso — disse, seco. — Esse assunto morreu com ele. Ele percebeu minha presença e encerrou a ligação rápido demais. — Assuntos antigos — comentou, tentando parecer casual. — Antigos costumam voltar — respondi. Arthur não gostou. — Você anda curiosa de

