Arthur passou a agir como se tivesse vencido uma guerra invisível. Não comemorou. Não anunciou. Apenas assumiu que o silêncio era rendição. Para ele, mulheres cansadas acabam cedendo. Sempre foi assim em sua lógica: resistência era uma fase, não uma decisão. Eu deixei que acreditasse. Passei a cumprir a rotina com precisão quase mecânica. Acordava no horário, tomava o café que ele sugeria, fazia pequenas caminhadas no jardim, trabalhava algumas horas no escritório improvisado da casa. Não reclamava. Não discutia. Não tocava no contrato. Não mencionava Bianca. Não questionava Helena. Arthur observava tudo com atenção disfarçada. — Você está melhor — disse numa manhã, apoiado no batente da porta. — O médico ficaria satisfeito. — O corpo responde quando o barulho diminui — respondi. —

