Bianca apareceu três dias depois da tentativa de fuga. Não avisou. Não ligou antes. Simplesmente estava ali quando desci para a sala naquela manhã, sentada no sofá, abraçando uma almofada como se fosse proteção. O cabelo preso de qualquer jeito, o rosto sem maquiagem, os olhos inchados de quem não dorme há dias. Arthur não estava em casa. O coração acelerou, mas não de medo. De irritação contida. — O que você está fazendo aqui? — perguntei. Ela levantou o olhar devagar, como quem mede cada palavra antes de dizer. — Eu precisava te ver. — Precisar não dá direito. — Eu sei — respondeu, a voz baixa. — Mas eu não aguentava mais ficar sozinha com isso. Fiquei em pé, sem convidá-la a continuar. — Falar não muda o que você fez. — Eu sei — repetiu. — Mas ficar em silêncio está me destru

