Arthur decidiu mudar a abordagem. Não anunciou. Não pediu trégua. Apenas começou a agir como se tivesse entendido algo essencial. A mudança não veio como pedido de desculpa ou confissão. Veio como afeto calculado. Flores sem cartão. Mensagens gentis fora de hora. Presença silenciosa demais para ser natural. O jogo do afeto é sempre assim: não se impõe, se insinua. — Dormiu bem? — perguntou numa manhã, com a voz baixa. — O suficiente — respondi. — Quer que eu prepare o café? — Faça o que quiser — falei. Ele preparou. Colocou a xícara à minha frente com cuidado excessivo, como se cada gesto precisasse ser visto. Observei sem reagir. Afeto, quando vira ferramenta, pede plateia. Arthur se sentou à minha frente. — Eu pensei no que você disse — começou. — Sobre controle. — Pensar nã

