A alta não significou liberdade. Quando deixei o hospital com o bebê nos braços, o mundo não se abriu em possibilidades. Ele se fechou em expectativas. Havia sorrisos, cumprimentos, fotógrafos discretos demais para serem coincidência, e a sensação constante de que cada passo era observado. Arthur caminhava ao meu lado como alguém que acredita estar retomando algo perdido. — Em casa tudo vai ficar mais fácil — disse, enquanto o motorista fechava a porta. Olhei pela janela. — Em casa tudo fica mais claro — respondi. Arthur não entendeu. Ainda. A casa parecia diferente quando voltamos. Não porque tivesse mudado, mas porque eu tinha. Os corredores eram os mesmos, os móveis ocupavam os mesmos lugares, mas havia algo ali que já não me engolia. Talvez fosse o bebê nos meus braços. Talvez fo

